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·24 de abril de 2026

Da quarta divisão à final da Champions: clube japonês trilha caminho controverso no futebol asiático

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A final da Liga dos Campeões da Ásia terá um aventureiro como desafiante do atual campeão Al-Ahli Jeddah. O Machida Zelvia saiu do anonimato no futebol japonês para duelar com os clubes tradicionais no país e usou uma metodologia que o transformou em impopular no país para chegar na decisão do principal título do continente. 

Há 13 anos, o clube japonês disputava a JFL, equivalente à quarta divisão, semiprofissional, do futebol nacional. Durante a última década, o Machida recebeu um aporte financeiro de uma grande empresa de tecnologia no país, que financiou a ascensão meteórica.


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Em 2024, o clube chegou pela primeira vez na elite do futebol nipônico e brigou ponto a ponto pelo título da J League contra os tradicionais Vissel KobeSanfrecce Hiroshima, chegando a liderar o campeonato com cinco pontos de vantagem. O Machida perdeu o fôlego na reta final e ficou com a terceira colocação, mostrando o seu cartão de visitas aos rivais.

A primeira impressão pavimentou o caminho para uma conquista histórica na temporada passada. Na Copa do Imperador, o Machida derrubou rivais gigantes pelo caminho, como Kashima Antlers, Tokyo FC e Vissel Kobe, para conquistar o primeiro título na elite do país.

A taça vencida e a campanha regular na J League credenciaram o Machida para a sua primeira experiência continental com a disputa da AFC Champions League. A imaturidade em competições internacionais não atrapalhou o estilo eficiente do clube que novamente desbancou os rivais e terminou a fase de grupos como líder da Chave B, composta pelos 12 clubes orientais que disputam a competição.

Nas eliminatórias, o Gangwon, da Coreia do Sul, foi mais uma vítima no caminho do Machida Zelvia, credenciando o clube para a disputa da fase final sediada inteiramente na Arábia Saudita. No trajeto para chegar à final, o clube japonês ignorou a pressão dos árabes e eliminou os badalados Al Ittihad e Al Ahli Shabab, nas quartas e na semi, respectivamente.

Estilo de jogo eficiente e impopular

A campanha surpreendente do novato da Liga dos Campeões da Ásia tem por trás um estilo de jogo pouco comum no futebol nipônico. O Machida Zelvia vai na contramão dos clubes tradicionais do país e aposta no pragmatismo com foco na sua defesa sólida.

A organização defensiva fica escancarada na campanha com apenas sete gols sofridos em 11 jogos na competição. Nas fases eliminatórias, o time japonês marcou apenas três gols, sem sofrer nenhum, avançando em todas as disputas com a vantagem mínima.

"Seria melhor se a gente pudesse construir desde o campo de defesa e fazer gols, mas esse é o meu estilo ideal: ao invés de jogar um futebol bonito, temos que ameaçar os adversários. Temos que fazer eles terem medo do nosso futebol e ir direto na jugular. Técnica e táticas vêm depois", disse o treinador, Go Kuroda, ao ser questionado sobre o estilo de jogo.

Aliado ao estilo de jogo reativo sem nenhum pudor defensivo, o Machida também utiliza de autênticas catimbas sul-americanas, que potencializam a impopularidade do clube no país. O abuso do "anti-jogo" vai em um caminho inverso do praticado no futebol nipônico, mas em nada incomoda o clube que vê o resultado ser colhido no final.

Treinador de time colegial

A história do Machida Zelvia ainda ganha um tempero underdog com a escolha de Go Kuroda desde o título e o acesso na J2 League. Antes de aceitar o desafio no clube, o treinador de 55 anos jamais havia comandado um clube profissional.

Em sua carreira de mais de duas décadas, Kuroda se notabilizou no futebol japonês como um treinador de equipe escolar, tendo conquistado por três vezes o campeonato de High School pelo Aomori Yamada, clube em que comandou entre 1995 e 2022.

O currículo robusto no colegial alçou o experiente treinador ao cargo no Machida Zelvia. Desde então, o treinador que empregou o jeito "catimbeiro" tem se mostrado uma aposta de sucesso do clube.

Neste sábado, o conto de fadas com requintes de malandragem de Go Kuroda e o Machida Zelvia pode ter um final feliz. O "anti-herói" tem a missão de interromper a sequência de títulos do "petrodólares" e recolocar o futebol japonês no topo da Ásia.

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