Portal dos Dragões
·18 de mayo de 2026
Daniel Chaves: “Muito orgulhoso, mas não gostamos de vitórias morais”

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·18 de mayo de 2026

Daniel Chaves deixou a final da Taça de Portugal com a derrota frente ao Benfica, no Estádio Nacional, no Jamor, mas sem baixar a exigência. O treinador da equipa de futebol feminino do FC Porto falou do orgulho pela competitividade apresentada, explicou o que travou a equipa no momento ofensivo e reforçou uma ideia que atravessou toda a conferência: no Dragão, vitórias morais não bastam. No final, resumiu esse estado de espírito e garantiu: “não queremos vitórias morais”.
No rescaldo da partida, numa final e na estreia portista neste palco, Daniel Chaves manteve-se fiel a uma forma de ver o jogo que não se esconde atrás do contexto. O treinador reconheceu valor na resposta da equipa, mas puxou sempre a conversa para a ambição, numa noite em que o FC Porto mediu o que fez e, ao mesmo tempo, o que ainda pretende ser.
Questionado sobre a primeira presença do FC Porto no Jamor, o treinador começou por realçar a resposta competitiva da equipa perante um adversário de exigência superior. Fê-lo sem dramatizar a derrota e sem abdicar do elogio ao que observou em campo.
“É impossível olhar para este jogo e não usar a palavra orgulho. Conseguimos ser competitivos.”, afirmou. “Disputar um jogo contra uma equipa europeia e perder por 2-0, com dois golos de bola parada, diz muito sobre a nossa organização. Estou orgulhoso pela minha equipa e pelo que fizemos”.
Foi um retrato emocional, mas também técnico. Daniel Chaves quis sublinhar que, na sua análise, o resultado não apagou a estrutura nem a disciplina competitiva da equipa, abrindo espaço para uma leitura mais concreta ao que faltou no último terço.
Quando a conversa passou para a dificuldade em transformar aproximações em golo, o treinador foi directo ao assunto e depois desenvolveu a explicação. Entre a distância à baliza, a pressa na tomada de decisão e o desgaste acumulado, descreveu um ataque que encontrou caminhos, mas nem sempre encontrou clareza.
“Faltou meter a bola dentro da baliza. Obviamente quando somos condicionados em ficar em zonas mais baixas e quando recuperávamos a bola estávamos algo longe da baliza, depois tentámos fazer as coisas com demasiada pressa e quando conseguimos colocar mais a bola para chegar mais acima, conseguimos espaços, conseguimos incomodar, mas faltou discernimento e leitura, também pelo cansaço de lá chegar.”, explicou. “Podíamos ter travado o jogo mais vezes quando chegávamos a zonas altas, mas a verdade é que fomos chegando, fomos criando perigo também, fomos audazes ao tentar pressionar, em alguns momentos, mais alto. Foi muito por aí”.
Fica a ideia de uma equipa que percebeu onde podia ferir, mas que nem sempre teve pulmão ou sangue-frio para transformar essa intenção em dano real. E dessa fronteira entre competir bem e ganhar passou-se para o tema que mais marcou a noite.
Questionado sobre os próximos objectivos do clube, Daniel Chaves rejeitou qualquer leitura complacente do percurso. O treinador falou de ambição em estado puro e deixou ainda uma referência ao lance que abriu o marcador.
“O próximo objetivo é o mesmo do objetivo de hoje: ganhar. O FC Porto joga para ganhar títulos, não gostamos de vitórias morais, não nos queremos agarrar a nada.”, sublinhou. “A verdade é que entrámos no jogo a perder e o lance é subjetivo. A jogadora não toca na bola, mas interfere na ação da guarda-redes. Sofrer um golo aos cinco minutos, muda muito. Não queremos vitórias morais, o FC Porto está aqui para ganhar títulos.”
A mensagem foi tão clara quanto insistente: orgulho, sim; conforto, não. E nesse registo de exigência, Daniel Chaves enquadrou também a forma como a equipa teve de se adaptar a um jogo menos habitual.
Perante a ideia de um FC Porto remetido para um bloco mais baixo, o treinador rejeitou qualquer leitura de receio e preferiu falar de adaptação. A explicação passou pela construção do adversário e pela necessidade de procurar outras zonas e outras soluções.
“Acabou por ser diferente. O Benfica vive muito da qualidade da guarda-redes no momento da construção que nos limita a jogar com um bloco mais alto. Não é por ser o Benfica, não nos assustamos, mas uma jogadora a mais ajuda a colmatar as dificuldades das outras.”, analisou. “Tivemos de nos adaptar a isso. Estrategicamente tentámos explorar outras zonas, porque adversário tinha-se ajustado à nossa posição. Tentámos replicar a qualidade técnica do adversário em treino, tentámos explicar às jogadoras por onde poderíamos ir e onde queríamos chegar”.
Mais do que uma cedência, a descrição soa a uma leitura prática de um jogo que obrigou a mexer em rotinas. O treinador quis deixar claro que o plano não foi renúncia, mas ajuste, e isso ligou naturalmente ao que se avizinha com a subida de patamar competitivo.
Quando olhou para a entrada na Liga BPI, Daniel Chaves reconheceu a mudança de dimensão, mas não alterou uma linha ao discurso de ambição. O salto competitivo, na sua perspectiva, não mexe na identidade com que a equipa se apresenta.
“Obviamente que a Liga BPI é mais competitiva do que tivemos nos últimos dois anos em que nos fomos ajustando à realidade da competição em que estávamos, para o ano também será diferente, a qualidade dos adversários também é grande, sabemos que há vários clubes a apostar forte na Liga BPI, mas vamos entrar como entramos até hoje.”, garantiu. “Seja na terceira, na segunda ou na primeira divisão, como vimos na Taça do ano passado e este ano, quando o FC Porto entra é para ganhar e conquistar títulos. Por isso é que digo que não queremos vitórias morais. Queremos dar mais competitividade ao plantel e adaptarmo-nos às dificuldades que vamos encontrar na próxima época”.
O tom manteve-se inalterável: respeito pela dificuldade, nenhuma redução da fasquia. É esse equilíbrio entre realismo e fome competitiva que ajuda a perceber também a leitura que fez da transformação da equipa depois do intervalo.
Sobre a diferença entre as duas partes, o treinador apontou a inexperiência, o nervosismo inicial e a forma forte como o adversário costuma entrar nos jogos. Depois, destacou os ajustes táticos e, sobretudo, a mudança de atitude.
“Era fácil de prever que a entrada na primeira parte, para nós, fruto de alguma inexperiência, quer individual, quer coletiva, neste tipo de jogos, também devido a algum nervosismo inicial, sabíamos que o adversário poderia aproveitar. Sabemos que o Benfica nos primeiros 20/25 minutos é muito forte, sabíamos de antemão que tínhamos de tentar aguentar nos primeiros minutos, mas acabámos por sofrer um golo que desbloqueia o jogo.”, descreveu. “Na segunda parte tentámos ajustar uma ou outra coisa em termos táticos, percebemos onde é que o Benfica ia ter mais ou menos dificuldades e tentámos explorar. Percebemos também onde é que o adversário queria chegar, mas o que mudou foi a audácia e a coragem que metemos na segunda parte para chegarmos mais alto e pressionar o adversário.”
Nesta explicação, Daniel Chaves desenhou quase duas equipas no mesmo jogo: uma mais presa ao peso do momento, outra mais solta para o discutir. Essa necessidade de resposta e de adaptação apareceu também quando justificou uma escolha individual no onze.
Questionado sobre a aposta em Crista Ferreira na defesa da faixa direita, o treinador enquadrou a decisão na lógica do trabalho construído ao longo da época. Falou de rotina na posição, frescura e capacidade ofensiva.
“A adaptação da Cristina acaba por ser o que fizemos ao longo da época, acabou por ser a jogadora mais rotinada na posição. A Caroline tem cumprido o seu trabalho, mas precisávamos de outra solução para ali, com uma capacidade mais ofensiva, também pela maior experiência que tem.”, explicou. “Também foi para refrescar aquela posição, pela capacidade de adaptação que a Cristina tem e também pela capacidade competitiva que ela nos trouxe.”
Mesmo nos pormenores da escolha, o discurso manteve a coerência de toda a noite: preparação, ajuste e procura de competitividade. E, já fora da tensão táctica e emocional da final, houve ainda espaço para uma nota breve e mais leve.
Confrontado com uma pergunta mais descontraída sobre Ivan Baptista, Daniel Chaves fechou a conferência com uma frase curta e bem-humorada.
“Temos tempo para combinar, não preciso chegar a uma final para me encontrar com ele”..
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