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Central do Timão

·8 de marzo de 2026

EDITORIAL | Mais democracia para o Time do Povo

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Por Central do Timão

Na próxima segunda-feira (9), o Conselho Deliberativo do Corinthians se reúne para deliberar sobre um dos debates mais importantes da história recente do clube: a reforma de seu Estatuto. Trata-se do resultado de mais de dois anos de estudos e dezenas de audiências públicas que buscaram discutir caminhos para modernizar a governança e reaproximar a instituição de suas próprias origens.


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Origem que, aliás, nunca deveria ter sido esquecida.

Em 1910, quando Miguel Battaglia, primeiro presidente da história do clube, declarou que o Corinthians seria o time do povo e que sua construção caberia ao próprio povo, não se tratava apenas de uma frase de efeito, mas da enunciação de um princípio fundamental.

O Corinthians nasceu de operários, nasceu popular e nasceu coletivo. Essa identidade moldou a história do clube e ajudou a transformar sua torcida em uma das maiores e mais apaixonadas do mundo.

Mais de um século depois, porém, é impossível ignorar uma contradição flagrante: o Time do Povo ainda não pertence, de fato, ao seu povo no momento mais decisivo da vida institucional, que é a escolha de seus dirigentes.

Na última eleição presidencial do clube, os destinos de cerca de 30 milhões de corinthianos foram definidos por apenas 4.184 eleitores. O presidente foi eleito com 2.771 votos. Em outras palavras, um universo restrito de sócios patrimoniais e remidos segue concentrando o poder de decisão sobre o futuro de uma instituição que mobiliza milhões.

Não é exagero dizer que essa estrutura restritiva e excludente contribuiu tanto para o distanciamento entre clube e torcida quanto para a ausência de fiscalização efetiva sobre gestões que dilapidaram severamente o patrimônio do Corinthians.

O torcedor que sustenta o clube, lota estádios, consome produtos oficiais, mantém programas de associação e transforma o Corinthians em uma potência de engajamento e receita segue estruturalmente excluído do processo decisório.

Esse modelo precisa mudar.

Por isso, a Central do Timão defende com convicção que a reforma estatutária inclua o direito de voto ao Fiel Torcedor nas eleições do clube a partir deste ano. Ampliar o colégio eleitoral é fundamental para restaurar a democracia interna do Corinthians e alinhar o clube com práticas mais modernas de governança.

A Fiel Torcida é, sem dúvida, o maior patrimônio do Corinthians e também o seu principal ativo, fato refletido inclusive nas próprias demonstrações financeiras da instituição. A torcida move receitas, fortalece a marca e sustenta o clube nos momentos de glória e também nas horas mais difíceis.

Permitir que o Fiel Torcedor vote é reconhecer formalmente essa realidade e compreender que quem sustenta o Corinthians também deve participar das decisões que definem seus rumos.

Naturalmente, expandir o colégio eleitoral não resolverá, por si só, todos os problemas estruturais do clube. O próprio projeto de reforma estatutária contempla outras medidas imprescindíveis para aprimorar a governança corinthiana.

Entre elas estão a urgente adequação do Estatuto à Lei Geral do Esporte, a criação de mecanismos claros de responsabilização patrimonial de dirigentes, a instituição de um Conselho de Ética independente, a implementação de regras de responsabilidade fiscal e a criação de uma Controladoria de Compliance e Governança.

O projeto também propõe avanços importantes, como a fixação de requisitos mínimos de formação e experiência para cargos de gestão, a vedação expressa ao nepotismo e a implantação de um Portal da Transparência, medidas indispensáveis para fortalecer a credibilidade institucional do clube.

O Corinthians precisa combinar democracia com responsabilidade administrativa, aumentar a participação sem abrir mão de mecanismos de controle e boas práticas de gestão. Esse equilíbrio é fundamental para que o clube se modernize sem abrir mão de sua própria essência.

E essência, no Corinthians, sempre foi sinônimo de participação.

Na década de 1980, o clube se tornou símbolo internacional de um movimento que transcendeu o futebol: a Democracia Corinthiana. Liderados por ídolos como Sócrates e Wladimir, jogadores, funcionários e dirigentes defenderam que as decisões internas fossem tomadas de forma coletiva, com respeito à voz de todos.

Esse ideal democrático perdura na maneira como a torcida se reconhece no clube e se manifesta nas arquibancadas, nas bandeiras erguidas e em cada torcedor que atravessa o país e o mundo para apoiar o Corinthians.

A reforma estatutária abre, portanto, a possibilidade de reconectar o clube à sua própria história e de devolver ao povo, por meio da participação democrática, a soberania no processo decisório que rege os rumos do Corinthians.

Que o Conselho Deliberativo e a Assembleia Geral estejam à altura deste momento histórico. E que a torcida acompanhe, debata e participe desse processo.

Porque um Corinthians mais democrático será, inevitavelmente, um Corinthians mais forte. 

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