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·30 de julio de 2026

Emily Lima explica mudanças no clássico e avalia desempenho do Corinthians após derrota para o Palmeiras

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O Corinthians foi derrotado pelo Palmeiras por 1 x 0 na noite da última quarta-feira (29), na Arena Barueri, pela quinta rodada do Campeonato Paulista Feminino. Após a partida, a técnica Emily Lima concedeu entrevista coletiva e comentou as alterações promovidas durante o clássico, a atuação da equipe, a ausência de algumas atletas e a disputa por vagas no elenco.

Ao analisar a diferença de desempenho entre os dois tempos, a treinadora afirmou que gostou da atuação da equipe na etapa inicial e explicou que as mudanças foram motivadas tanto pelo desgaste físico quanto pela necessidade de observar atletas que vinham recebendo menos minutos.


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Foto: ©Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians

“A gente acredita muito nas jogadoras que estavam tendo poucos minutos. A Day fez um grande jogo, mas a gente entendia que faltava ajuste, muito ajuste no segundo tempo, devido a ela já não se deslocar com a intensidade necessária que um jogo desse pede. E ela falava: ‘Profe, eu estou cansada, mas vou tentar encaixar. Deixa que eu vou tentar encaixar’. Esse sempre foi o nosso diálogo. Depois a Ariel. Ariel não é essa meia onde a gente cria o losango, que é algo que a gente vem trazendo e vem dando certo, e tenta entregar o melhor dela. Para mim, do lado oposto da bola, sem a bola, ela fez uma função muito importante para a equipe, ela se entregou. Foi no momento em que a gente tentou fazer as mudanças para manter, pelo menos, essa intensidade sem a bola. A gente conseguiu intensidade, mas não organização. E aí vai muito da situação do jogo e de jogadoras, às vezes, fora das suas posições, que é o caso da Carol. A Carol é muito mais extrema, muito mais última linha. A gente traz a Carol para fazer essa função da Ariel, depois traz a Rayzza para fazer a função da Jaquinha e coloca na última linha as velocistas que nós temos, que são Robledo e Aquino. Então a gente tenta ajustar. A gente treina também com essas meninas. Muitas vezes treinamos as duas situações, pensando no adversário e em nós, para caso aconteça isso elas já terem claro qual é a nossa proposta. Mas não é a mesma coisa.

O ritmo de jogo é diferente, você entra numa situação de emergência e precisa resolver problemas. Então, sim, eu gostei muito do primeiro tempo. Foram muito obedientes taticamente. No segundo tempo também, mas acho que faltou a intensidade que nós tínhamos no primeiro tempo, e aí acabamos abrindo alguns espaços. O meio de campo do Palmeiras tem muita qualidade. Depois você vê as substituições do Palmeiras, e elas mantêm praticamente o mesmo nível de qualidade das titulares. São jogos muito bacanas por causa disso, pelas qualidades que saem e pelas qualidades que entram. Então a gente acaba não perdendo a qualidade do jogo, tanto de uma equipe quanto da outra. Eu vou muito por essa leitura, do ritmo de jogo. Foi importante fazer essas mudanças e esse controle de carga para vermos, em um jogo desse tamanho, o que cada jogadora que vinha tendo poucos minutos pode entregar. Porque uma coisa é o treinamento, outra é o jogo. Isso é muito positivo para a equipe, gera muita dúvida na nossa cabeça, muita discussão por parte da comissão técnica, porque já temos outro jogo difícil fora de casa e precisamos seguir na liderança do Campeonato Brasileiro e continuar nossa caminhada no Paulista.”

Emily também comentou os desfalques da equipe e afirmou que o elenco respondeu bem, mesmo com o resultado negativo diante do rival.

“Olha, eu já falei anteriormente, a gente tem um elenco muito bom. Eu acho que todo mundo faz falta para o elenco, mas acredito que as jogadoras que entraram em campo hoje, as atletas relacionadas, entregaram e não deixaram a desejar em nada. A gente tem esse controle de carga, precisa respeitar o limite das atletas. Vínhamos de uma intertemporada e já encaramos dois jogos muito fortes contra a Ferroviária, então estávamos sujeitos a isso, assim como a outra equipe também. Tentamos colocar em campo as atletas que estavam nas melhores condições físicas, mesmo sendo um Derby. A gente não pode expor a jogadora o tempo todo. A caminhada ainda é longa no Paulista, temos um jogo importantíssimo contra o Flamengo. Acho que, no modo geral, o elenco respondeu muito às nossas expectativas. Infelizmente estou falando isso depois de um placar de 1 x 0 contra a gente, mas, dentro da nossa avaliação, a atuação contra o Palmeiras foi muito positiva.”

Questionada sobre a disputa por espaço no setor ofensivo e as poucas oportunidades para algumas jogadoras, Emily reforçou que as escolhas da comissão técnica são baseadas no desempenho diário das atletas.

“A hierarquia aqui é trabalho. A hierarquia aqui não é só porque ela chama Zanotti, não é só porque a outra chama Vic, Jaque, Duda ou Andressa. A hierarquia aqui é trabalho. Quem entregar e quem trabalhar mais vai ter oportunidade. Estou sendo bem pontual na palavra ‘hierarquia’ que você utilizou. Agora, retomando a pergunta, a Rayzza é muito mais extrema do que meia. Hoje, com a limitação que nós tínhamos no banco, nossas opções de velocidade eram Rayzza, Aquino, Carol e Robledo. A nossa opção foi colocar a Carol, deixar a Rayzza de meia para nos ajudar muito mais na marcação e utilizar Robledo e Aquino na última linha, explorando a velocidade. Elas vêm tendo pouca oportunidade, primeiro porque o rendimento da Jaquinha, na nossa visão, vem sendo adequado.  E a Johnson… eu nem vou colocar a Zanotti nessa disputa. A concorrência direta é com a Johnson, que vem numa crescente muito boa. Essa é a nossa visão.

Ela entrega com bola e sem bola. A Johnson ainda tem um ponto que, às vezes, desliga e depois volta a ligar. Isso é muito claro. O que a gente vem trabalhando com ela é justamente para que esteja sempre ativa fora do centro do jogo, que é onde ela costuma desligar. Ela fica fora do raio de nove ou dez metros da bola, desliga, e quando ativa novamente a jogada já passou. Mas ela vem entregando muito sem bola e muito com bola. Hoje fez um jogo dentro do padrão que vinha apresentando. Nossa opção foi colocar a Aquino, que fez um bom jogo contra o Vitória, e tentar buscar a última linha da equipe do Palmeiras. Acho que tudo passa pelo rendimento, tanto nos treinamentos quanto nos jogos. E por isso, às vezes, não só elas duas, mas também a própria Day, que vinha tendo poucos minutos. É uma disputa muito complexa dentro do elenco. Estamos falando de jogadoras com muita qualidade técnica, física e tática. Cabe a nós tomar as decisões e escolher. Às vezes não vai agradar vocês, às vezes não vai agradar elas, mas precisa agradar aquilo em que a gente acredita e o que pensamos.”

O próximo compromisso das Brabas será na segunda-feira, às 18h30 (de Brasília), diante do Flamengo, no estádio Luso Brasileiro, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro Feminino.

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