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·20 de marzo de 2026
Herói em 2019, solução em 2026: o regresso de Gonçalo Guedes explicado

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·20 de marzo de 2026

Aos 29 anos, Gonçalo Guedes voltou a ouvir o seu nome ser chamado para a Seleção Nacional, desta vez sob orientação de Roberto Martínez. Um regresso que não surge por acaso, mas sim como consequência direta de um processo de reencontro com o seu melhor nível competitivo, protagonizado ao serviço da Real Sociedad.
Depois de várias épocas marcadas por lesões, irregularidade exibicional e alguma perda de protagonismo, incluindo uma passagem discreta pelo Benfica, Guedes reaparece agora como uma solução real para um problema estrutural da seleção portuguesa: a ausência de um terceiro avançado com características diferenciadoras.
Com 32 internacionalizações, o seu regresso acontece num momento particularmente sensível do ciclo competitivo, a apenas duas convocatórias da lista final para o Mundial. Mais do que um prémio, esta chamada representa um teste. E, sobretudo, uma oportunidade.
Se há algo que joga a favor de Gonçalo Guedes neste regresso é o seu histórico ao serviço da seleção. Porque, ao contrário de muitos nomes que orbitam a convocatória, Guedes já deixou marca em momentos decisivos.
Basta recuar a 2019, à final da primeira edição da Liga das Nações, frente aos Países Baixos. Foi dele o golo que garantiu a Portugal a conquista da competição, um momento que não só lhe conferiu estatuto, como também o colocou numa galeria restrita de jogadores decisivos com a camisola das quinas.
Esse passado pesa como argumento. Guedes não chega como uma novidade absoluta, mas como alguém que já provou conseguir responder em contextos de elevada exigência.
O renascimento de Gonçalo Guedes tem uma geografia clara: Espanha. Tal como já havia acontecido na sua passagem pelo Valencia, onde se afirmou como uma das principais figuras durante várias temporadas, é novamente em território espanhol que o internacional português encontra estabilidade e rendimento.
Na Real Sociedad, Guedes atingiu um novo patamar competitivo. Com 9 golos e 8 assistências na presente temporada, o extremo tem sido uma das principais referências ofensivas da equipa, sobretudo a partir do corredor esquerdo, onde combina capacidade de aceleração, remate exterior e ataque à profundidade. Guedes voltou a ser influente, regular e, acima de tudo, decisivo.
Num campeonato exigente como a La Liga, isso não passa despercebido — muito menos a um selecionador em busca de soluções.
A convocatória de Gonçalo Guedes levanta uma questão pertinente: o que pesou mais na decisão de Roberto Martínez?
Numa lista onde também surgiam hipóteses como Paulinho, Fábio Silva, André Silva, Chermiti ou Cláudio Braga, a escolha recaiu num perfil claramente distinto. Com Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos como referências principais, Portugal tinha — e tem — um défice específico desde a ausência de Diogo Jota: um avançado capaz de oferecer mobilidade, imprevisibilidade e polivalência posicional. E é precisamente aqui que Guedes se encaixa.
Ao contrário dos restantes candidatos, o jogador da Real Sociedad não é um ponta de lança puro. Pode partir da esquerda, jogar como segundo avançado ou até assumir funções mais centrais, explorando espaços entre linhas e atacando a profundidade com dinâmica. Essa versatilidade — aliada ao momento de forma — foi determinante. O próprio selecionador não deixou margem para dúvidas: Guedes é «um jogador polivalente, diferenciador» e «num momento que merece a chamada».
Os amigáveis frente ao México e aos Estados Unidos surgem, como um contexto de validação. Não só pelo enquadramento competitivo — adaptação a altitude, gestão física e exigência internacional —, mas também pela ausência de algumas referências habituais, que abrem espaço a novas dinâmicas.
Neste cenário, Gonçalo Guedes não entra como figura secundária. Entra como solução potencial. Como peça que pode acrescentar variabilidade a um ataque que, por vezes, se torna previsível nas suas referências posicionais.
Mais do que um regresso, este é um momento de avaliação real. Se conseguir transportar para o contexto da seleção aquilo que tem produzido na Real Sociedad, Guedes pode não só garantir presença no Mundial, como afirmar-se como uma alternativa credível dentro da hierarquia ofensiva nos próximos tempos.
Porque, no fundo, não se trata apenas de quem joga melhor. Trata-se de quem oferece algo diferente.
Mas pela forma, pelo histórico e, sobretudo, pelo perfil, Gonçalo Guedes volta a estar, com inteira legitimidade, na equação.




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