Zerozero
·12 de junio de 2026
Ibisevic, autor do primeiro golo da Bósnia em Mundiais: «Maracanã foi a melhor sensação da minha vida»

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·12 de junio de 2026

12 anos depois da estreia, a Bósnia e Herzegovina está de regresso aos Campeonatos do Mundo. Depois de ultrapassar de forma estoica a Itália no playoff, o pequeno país dos balcãs irá defrontar Canadá, Suíça e Catar no Grupo B da competição.
O objetivo passa por fazer história. Isto é: passar a fase de grupos, algo que a seleção dos Dragões não conseguiu na única presença na prova, em 2014. À data, derrotas com Argentina e Nigéria e uma vitória diante do Irão não chegaram para a qualificação aos oitavos de final da competição.
A estreia surgiu logo contra Messi e companhia - finalistas desse Mundial. Kolasinac marcou na própria baliza a abrir o jogo, Messi aumentou a contagem por volta da hora de jogo. A cinco dos noventa, Vedad Ibisevic - que havia saltado do banco - reduziu e fez história: o primeiro golo de sempre da Bósnia e Herzegovina em Mundiais.
O zerozero conversou com o protagonista desse momento - Vedad Ibicevic - que recordou a campanha mundialista de 2014 e assumiu a confiança para a presente edição da competição.
zerozero [zz]: O Vedad está a trabalhar no futebol neste momento?
Vedad Ibisevic [VI]: Não, neste momento não. Estou à espera para iniciar o curso de treinador UEFA Pro.
zz: Esteve recentemente a trabalhar nos Estados Unidos, correto?
VI: Sim, eu estive em Nova Iorque no ano passado, no NY Red Bull da MLS
zz: Além de ter treinado, também jogou na América. Pela sua experiência, quais serão os maiores desafios de jogar no país nesta fase do ano?
VI: Eu acho que o clima é o maior desafio. O clima é surpreendente e depende de que lado do país as equipas jogam. É uma grande diferença jogar no Canadá, no Texas ou em LA. Isso pode ser desafiante e, é claro, ao fuso-horário também difere. Eu não sei como vão ser os relvados, porque muitos desses grandes estádios têm terra por baixo.
zz: Tem dupla-nacionalidade, bósnio e americano. Quão entusiasmado está para este torneio?
VI: Estou muito empolgado. Inclusive, vou ao Canadá assistir o primeiro jogo da Bósnia, contra o próprio Canadá...
zz: E quais as suas expectativas sobre este Mundial?
VI: Para a Bósnia, acho que na primeira reação o grupo não foi mau para nós. Podemos ganhar contra todos, mas também podemos perder contra todos. Temos de ser cuidadosos.
Eu acho que temos alguns jogadores mais jovens interessantes. Se eles jogarem o seu melhor futebol, podemos avançar o grupo. Vai ser importante perceber como nos vamos apresentar no primeiro jogo. O Canada está a jogar em casa e vão estar muito motivados. Mas eu acho que temos uma oportunidade realística para avançar a fase de grupos.
zz: Há uma grande comunidade bósnia nos EUA. É um ingrediente perfeito para uma campanha de sucesso para a Bósnia?
VI: Vai ajudar-nos, com certeza. Há dias jogaram um jogo amigável contra o Panamá e o estádio estava cheio, em St. Louis. Tenho certeza que muitos dos nossos adeptos vão aos jogos, mesmo que não seja fácil, porque não é barato, mas a nossa comunidade é apaixonada, ama futebol e são muito orgulhosos das suas raízes. É uma oportunidade de uma vida para muitos deles.
zz: Como acha que estão as expectativas das pessoas na Bósnia?
VI: Bem, apesar de nunca o termos feito, muitas pessoas esperam que passemos a fase de grupos. Acho que a maioria das pessoas está feliz e só está a aproveitar o facto de nos termos qualificado para a competição depois tanto tempo.
zz: Já falou há pouco dos jogadores jovens desta seleção. Quem são aqueles em quem são depositadas maiores esperanças?
VI: Eu acho que temos dois jovens jogadores realmente talentosos. Um deles é o Esmir Bajraktarević um menino que cresceu na América e está a despontar no PSV Eindhoven. O segundo jogador é Alajbegovic. Pertence ao Bayer Leverkusen, mas estava no emprestado ao RB Salzburg. Tem 18 anos...
Têm um futuro brilhante. Se eles ficarem saudáveis e escolherem os melhores passos para a carreira, o que nem sempre é fácil, eu acho que eles podem ser muito bons e importantes para o nosso futuro durante muitos anos. Este é o tipo de jogador que não existia no passado. Tipos de jogadores modernos, que podem ir um contra o outro e decidir o jogo. Estou animado para ver o que eles farão.
zz: Esta é apenas o segundo Mundial na história de Bósnia. Esteve em 2014, no Brasil, e estiveram perto de passar a fase de grupos. Como foi jogar esse Mundial?
VI: Foi a melhor época da minha carreira, eu diria. Foi a primeira vez e foi histórica. Qualificar-nos para o Mundial já parecia impossível e conseguimos... Eu gostei muito de tudo o que envolveu o Mundial, mas, olhando para trás, faltou-nos um bocadinho de experiência para passar a fase de grupos...
zz: Porque acha isso?
VI: O Mundial é um torneio curto, então temos de ser brilhantes e tentar ganhar cada jogo, começando com o primeiro. Tivemos um adversário muito difícil no primeiro jogo: a Argentina. Talvez os tenhamos respeitado demais...
É claro que temos de respeitá-los. São uma grande equipa e tinham o Messi. Mas eu tenho certeza de que, se tivéssemos sido um pouco mais bravos ou um pouco mais fortes no segundo jogo, poderíamos ter chegado à próxima fase. Apanhamos a Nigéria, que também foi um adversário difícil.
zz: O Ibisevic marcou o primeiro golo da Bósnia em Mundiais...
VI: Sim, eu também marquei o golo contra a Lituânia, que nos qualificou para o Brasil. E depois o golo à Argentina... Se eu pudesse escrever um guião, este seria o perfeito.
zz: Arrepiou?
VI: Acho que marcar no Maracanã foi a melhor sensação que já tive. A jogar contra uma das melhores equipas do mundo, contra o Messi, um dos melhores jogadores de sempre. E no Brasil, no Maracanã, um estádio mítico. Acho que não dava para ser melhor do que isso. A única coisa no jogo que estava mal era o resultado (perdiam por 2-0). Se eu pudesse marcar outro e ganhar um ponto contra a Argentina, seria perfeito. Marquei muitos golos na minha carreira, mas esse foi o melhor.
VI: Sim, acho que tivemos uma excelente geração... Se olharmos para trás, tínhamos muitos bons jogadores. Antes de nós, havia uma boa geração de jogadores, pessoas um pouco mais velhas. Jogadores muito bons individualmente, mas não se qualificaram para um grande torneio. Nós tivemos uma boa geração e para um pequeno país como este, eu tive a sorte de jogar com todos esses ótimos jogadores.
Infelizmente, tenho a sensação de que talvez tivéssemos capacidade para fazer mais. Mas deixamos pelo menos algo para os livros históricos: o Mundial no Brasil.
zz: É o quinto jogador com mais jogos pela Bósnia, o segundo melhor marcador de sempre da seleção. Quão especial é estar tão marcado na história do seu país?
VI: Estou muito orgulhoso. Quando começamos a jogar, queremos ser profissionais. Depois queres representar o teu país e deixar as pessoas orgulhosas. Especialmente com a história que o nosso país teve, com muitos tempos difíceis e a guerra. Fazer todas essas pessoas felizes...
Deixar a minha família e os meus amigos orgulhosos de serem bósnios é especial. Eu sou o mais orgulhoso desse tempo na minha seleção, é algo que nunca vou esquecer. E tive a sorte de partilhar o campo com uma boa geração de jogadores.
zz: Por falar nisso, o Dzeko foi seu parceiro de ataque no Brasil e vai a este Mundial, 12 anos depois. Ainda por ser o jogador decisivo?
VI: Sim, ele ainda está muito bem. Tem uma carreira incrível. A vontade e o desejo que tem de continuar aos 40 anos é algo raro. Tem uma experiência vasta e a fome de ganhar, então pode ajudar qualquer equipa.
Temos alguns jovens com uma nova energia e o Dzeko e o Kolasinac com muita experiência, o que é uma ótima mistura. Tenho certeza de que se o Dzeko estiver bem fisicamente pode ser uma das referências deste Mundial.
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