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·9 de junio de 2026
Inspetor da PJ e Adriano Quintanilha julgados no caso da W52-FC Porto

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Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) e Adriano Quintanilha, antigo responsável da W52-FC Porto, começam a ser julgados em outubro por alegadamente terem montado um plano para impedir que o empresário fosse incriminado no esquema de doping da equipa de ciclismo.
A audiência está marcada para 7 de outubro, às 10h, no Tribunal de Felgueiras, no distrito do Porto.
Segundo a acusação do Ministério Público, Adriano Sousa, conhecido como Adriano Quintanilha, e o inspetor da PJ «decidiram criar» um falso Código de Conduta, com o objetivo de demonstrar que o dirigente da equipa de ciclismo e a Associação Calvário Várzea, que esteve na origem da W52-FC Porto e da qual Quintanilha era presidente, desconheciam o esquema de doping investigado no processo Prova Limpa.
Mais tarde, o documento terá sido entregue aos ciclistas e ao então diretor da equipa, Nuno Ribeiro, para que o assinassem, com a intenção de afastar Adriano Quintanilha e a Associação «da então indiciada conduta do diretor desportivo da equipa e dos seus ciclistas».
«O arguido Adriano Sousa, alarmado com as consequências penais e disciplinares que aquelas condutas acarretariam para si e para a Associação sua representada, decidiu delinear um plano que visasse eximi-lo, a si e à Associação, de qualquer eventual responsabilidade dos factos em investigação naquele processo», refere a acusação.
De acordo com o MP, o empresário contactou «o seu amigo, que sabia ser inspetor da Polícia Judiciária, a exercer funções na Diretoria do Norte e que sabia partilhar consigo o mesmo sentimento de apego à equipa W52-FC Porto e ao ciclismo».
Relativamente ao inspetor, o Ministério Público sustenta que este, «ciente do pretendido pelo arguido, decidiu criar e executar, em conjunto com este, um plano que permitisse alcançar os fins visados» pelo amigo.
Nesse sentido, os arguidos «decidiram criar um documento que visasse atestar que Adriano Quintanilha e a Associação desconheciam as práticas que estavam em investigação» no processo Prova Limpa «e que por isso nenhuma responsabilidade penal, contraordenacional ou disciplinar lhes podia ser assacada».
Assim, «na concretização do plano delineado e com o propósito de diminuírem as repercussões negativas da existência do processo» para a associação e para Adriano Quintanilha, os dois arguidos «decidiram criar um Código de Conduta com data anterior a abril de 2022», mês em que ocorreram as buscas e apreensões no âmbito da Operação Prova Limpa.
«Decidiram ainda os dois arguidos, que desse documento constariam, em particular, cláusulas cujo conteúdo atestasse que qualquer comportamento do diretor desportivo e dos ciclistas que fosse violador das regras antidopagem teria sido tomado à revelia, contraindicação e com o total desconhecimento da Associação e, consequentemente, do seu presidente, o aqui arguido Adriano Sousa», acrescenta o MP.
Segundo o Ministério Público, Adriano Quintanilha terá dito a Nuno Ribeiro e aos ciclistas, para os convencer a assinar o documento, que «estariam a proteger a equipa de ciclismo, a sua participação enquanto ciclistas da W52-FC Porto e o seu trabalho».
A acusação acrescenta ainda que um dos ciclistas assinou o documento depois de ter sido ameaçado por Adriano Quintanilha de que não receberia o ordenado.
A Calvário Várzea, Adriano Quintanilha e o inspetor da PJ estão acusados de falsificação de documento. O empresário, de 73 anos, responde ainda por coação, enquanto o inspetor está igualmente acusado de favorecimento pessoal.
No processo principal da W52-FC Porto, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro foram condenados a penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão pelo esquema de doping, tendo ambos recorrido da decisão.
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