Coluna do Fla
·27 de julio de 2026
Jardim admite ‘marcha lenta’ do Flamengo e cobra arbitragem após empate com São Paulo

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·27 de julio de 2026

O Flamengo ficou apenas no empate em 1 a 1 com o São Paulo, neste domingo (26), pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois da partida, o técnico Leonardo Jardim criticou o desempenho do time no primeiro tempo e aproveitou para ‘cobrar’ o árbitro Anderson Daronco.
— Acho que na primeira parte foi pouco dinâmica, lenta na construção. Permitimos o adversário a ocupar os espaços. Precisávamos mudar a nossa atitude e sermos mais rápidos. Na segunda parte, isso aconteceu. Mas foi um jogo de detalhes -, disse, antes de finalizar:
— Nós dominamos, mas três centímetros do pé do Wallace Yan o gol foi anulado. O detalhe também do jogador (do São Paulo), que o árbitro não deu pênalti, e em muitos lances será pênalti no Brasileirão. E o detalhe do gol deles, o único remate a gol. Faltou pressão ao portador da bola e a linha defensiva abaixo de forma lenta, permitindo jogar a bola entre o goleiro e a linha -, concluiu Jardim.
O lance que gerou reclamações de Leonardo Jardim aconteceu aos 30 minutos do primeiro tempo. Na ocasião, após passe de Pedro, Arrascaeta tentou driblar Wendell, mas a bola bateu no braço do lateral.
Contudo, Anderson Daronco interpretou que Wendell estava com o braço junto ao corpo. Além disso, o VAR também não convocou o árbitro para revisar o lance, mesmo com os jogadores do Flamengo protestando da decisão.
Depois de um primeiro tempo sem muitas oportunidades, Flamengo abriu o placar aos 12 minutos da segunda etapa, com Léo Pereira, após cobrança de escanteio de Lorran. Contudo, aos 25 minutos, Calleri deixou tudo igual no marcador.
O atacante do São Paulo apareceu nas costas de Vitão e, de cabeça, empatou a partida. Além disso, aos 45 minutos, Samuel Lino chegou a marcar o segundo gol do Flamengo, mas Anderson Daronco anulou o tento por impedimento. Desse modo, ambos os times somaram um ponto.
O que você pediu para os jogadores no intervalo?
Quando cheguei ao intervalo, escrevi uma palavra no quadro que temos dentro da nossa cabine: agressividade. Agressividade com a bola. Você analisou muito bem esse lance, porque foi justamente o exemplo que utilizei para falar sobre agressividade com a bola. Nós circulávamos a bola, mas precisávamos ter agressividade para conduzi-lá para a frente, criar desequilíbrios e depois soltar os jogadores. Durante grande parte do primeiro tempo, o que aconteceu? Circulávamos a bola, mas apenas passávamos de um jogador para o outro. A bola ia para a direita, voltava novamente para trás e, muitas vezes, acabávamos até facilitando a pressão do São Paulo. A partir do momento em que começamos a ter essa agressividade e a conduzir a bola para a frente, o São Paulo, mesmo pressionando de um lado, já não conseguia se equilibrar do outro. Foi aí que começamos a ter um poder ofensivo maior. Mais do que uma questão de estratégia, faltou dinâmica, velocidade na circulação e agressividade com a bola no primeiro tempo.
O resultado é decepcionante?
Ser jogador do Flamengo, ser treinador do Flamengo, se não vier vitórias, é decepção. Mas temos que ser honestos naquilo que foi a análise de jogo. Isso é: os jogadores ficam decepcionados pela primeira parte, porque não há aquilo que trabalhamos. Não há aquela energia, não há aquela dinâmica que eu quero que os jogadores tenham. Os jogadores podem fazer mais e melhor, têm feito em muitos jogos. Na segunda parte, dentro da mesma estratégia, temos uma dinâmica muito mais forte. Mais agressividade com bola, muito mais forte. E isso com certeza muda logo a forma de jogar e a velocidade do jogo.
Como vê a atuação do Flamengo de modo geral?
Com certeza que nós não gostamos. E os próprios jogadores também, com certeza perceberam que não estiveram bem. No futebol, às vezes, isto tem que ser um ensinamento: que não podemos abordar os jogos desta forma. Temos que começar a agredir os adversários logo no início, com maior velocidade, maior dinâmica e maior agressividade com bola. Que é uma coisa que eu gosto das minhas equipes. No futuro corrigir. E o futuro é daqui a dois dias, a três dias. Ter essa forma para jogar 90 minutos, mais o tempo, e não somente jogar os 45 minutos da segunda parte. Por isso, espero bem e acredito que eles são capazes de impor uma dinâmica diferente, como têm feito já muitas vezes ao longo do ano.
Como está a situação de Saúl e os outros jogadores com menor minutagem?
Claro que contamos com todos esses jogadores. O Flamengo trabalha comigo há três ou quatro meses. Acho que ficou muito claro que o Evertton teve um grande destaque. O Erick saiu da equipe por questões de suspensão e lesão. O Jorginho também teve um grande destaque. Agora, eu preciso tomar uma decisão: vou colocar os jogadores que tiveram mais destaque ou vou dar oportunidades a outros? A partir daí, cria-se uma determinada hierarquia. A minha hierarquia, neste momento, é essa. Sei que temos dois jogadores que, por alguns problemas físicos, não conseguiram apresentar o máximo deles. Mas, neste momento, também é uma questão de hierarquia e de rendimento, como falei. O que observo é o rendimento. É aquilo que eu dizia sobre o Ortiz. É fácil montar a equipe pelos nomes, não é? “Qual é o seu currículo? Você joga. O outro está treinando e jogando bem? Não interessa, sai. Você joga.” Isso não funciona assim, porque a gestão do grupo e da equipe vai toda abaixo. Ninguém passa a acreditar no trabalho, ninguém passa a acreditar no desempenho. O jogador atua bem ou mal e, mesmo assim, não recebe oportunidades. Por isso, na minha equipe, sempre existem hierarquias. E quem constrói essas hierarquias? Não é o treinador. São os jogadores. E como os jogadores constroem essa hierarquia? Com o desempenho, a atitude, os comportamentos, a regularidade e todas essas ações.
A situação do Brasileirão atrapalha o time na Libertadores?
Sinceramente, uma coisa que nós não pensamos muito é nos adversários. A gente pensa na nossa performance. E este jogo, como chegamos antes do que o adversário, nunca podíamos pensar no adversário. Podíamos pensar em nós próprios. Como eu já disse, fiquei triste pela primeira parte, porque acho que podíamos ter dado muito mais. A segunda parte foi uma segunda parte de detalhe. Como eu já disse, podíamos estar falando do resultado de 3 a 1 se tirássemos 3 centímetros. E eu não sei se está correto ou não está, ao pé do Wallace ou se aquela manchetezinha de voleibol fosse marcada. Podíamos estar falando do resultado de 3 a 1 e estávamos aqui pondo as coisas de outra forma. Mas a realidade é que a primeira parte não foi boa, e a segunda foi no detalhe que nós não conseguimos ganhar.
Como vê o desempenho defensivo do Flamengo?
Eu fui buscar os números. O adversário deu uma finalização no gol, e o Rossi talvez tenha feito meia defesa. Certo? Se formos olhar, só houve aquela cabeçada. O adversário criou muito pouco. Houve um lance em que faltou pressão no zagueiro. Ele fez um cruzamento de uma zona ainda distante do campo, e a nossa linha não defendeu bem. Acho que foi um erro dividido entre duas responsabilidades. Mas, fora isso, não vi grandes momentos do adversário. Acho que, defensivamente, fomos competentes, com exceção desse lance. A nossa maior dificuldade, volto a dizer, foi um primeiro tempo muito lento, apático e sem agressividade ofensiva. Foi isso que disse aos jogadores e também o que mostrei por meio dos vídeos, com alguns cortes que apresentamos sempre no intervalo. No segundo tempo, melhoramos. Acho que esse foi o ponto principal.
Como está a disputa na lateral direita do Flamengo?
Em relação à questão estratégica na lateral direita, são dois grandes jogadores. Já disse isso várias vezes, tanto o Varela quanto o Royal. O Royal teve uma evolução muito grande de rendimento no último período, mas o Varela também é um jogador de muita qualidade. O Varela esteve dois meses com a seleção, e isso não envolve apenas a questão física, mas também a dinâmica de jogo. Acredito que vocês tenham visto o Uruguai. É uma forma diferente de jogar e, às vezes, vocês não têm essa sensibilidade. Um jogador que passa dois meses, ou um mês e meio, treinando com outro treinador e com referências diferentes precisa se readaptar. O Uruguai faz uma marcação homem a homem e joga com uma estratégia completamente diferente da utilizada pelo Flamengo.
Por que Léo Ortiz não foi relacionado?
Eu acho muita graça às muitas perguntas sobre o Ortiz. É um jogador que fez dois treinos, e acho que pessoas como vocês, que são entendidas de futebol, consideram normal um jogador fazer dois treinos e voltar a ser opção para um jogo. Eu acho que não. É um jogador importante, o risco de lesão é grande e, se arriscássemos nessa situação, seríamos incompetentes naquilo que é a gestão. Mas, com certeza, há pessoas que acham que, no futebol, nem sequer é preciso treinar. O jogador vem de férias, começa a jogar e está tudo certo. Mas, perante as minhas orientações e a minha forma de trabalhar, isso normalmente não acontece. Verificamos que até os jogadores que vieram da seleção, já com algum treino, apresentaram dificuldades. O Léo Pereira, no último jogo, já teve dificuldades e precisou sair. Acho que já estava com problemas. O Alex também apresentou algumas dificuldades. Ortiz fez dois treinamentos conosco. Ele treinou apenas uma parte, no segundo ele não fez, que era a estratégia do jogo. Nosso objetivo é trazer ele para o jogo. Quando um jogador vai para uma partida, ele não treina no dia anterior. Se ele não jogar, não faz atividades por dois dias. E não é isso que o Ortiz precisa, ele precisa trabalhar para estar disponível o quanto antes, por isso não foi relacionado.
Como está a situação dos jogadores que voltaram da Copa do Mundo?
Passar de um modelo para o outro não é como abrir e fechar uma porta. É preciso recuperar a mentalidade e voltar a entender as dinâmicas da equipe. É uma readaptação às ideias do Flamengo. Mas, a médio prazo, certamente voltaremos ao que fizemos no primeiro turno, com uma alternância entre os dois jogadores. Assim, conseguimos manter o fôlego e a profundidade pelos lados do campo, principalmente pelo corredor direito.
Qual é a situação do Nico De La Cruz?
Sobre o Nico, meu português brasileiro não é muito claro, então houve algumas confusões. O Nico veio da seleção e se apresentou em condições. Ele fez trabalhos de força. Isso criou um problema muscular, que o tirou de seis a sete dias. Durante esses sete dias, ele treinou de forma muito limitada. Agora, estamos administrando as cargas para que no futuro ele esteja com a gente. Tem Arrascaeta, dois volantes para entrar no meio, não preciso sobrecarregar jogadores da mesma função no banco. Ele precisa treinar para voltar também.
Como analisa a atuação de Lorran?
Com certeza que é um jogador que nós estamos dando algumas oportunidades, e estas oportunidades se criaram por termos alguns pontas lesionados, temos outros que foram para a seleção, foi o caso do Carrascal, foi o caso do Plata, como a causa da lesão do Arrascaeta, tivemos que migrar um pouco para as zonas interiores, por isso alguma carência nesse setor do campo, em que nós vamos tentando ultrapassar com o lançamento de jogos ou experiências como outras.
Como está a situação nas pontas do Flamengo?
Meus amigos, se não treinarmos e não houver uma evolução física rápida, não há milagres. Mas, com certeza, vocês têm a vossa opinião. Em relação à segunda questão, estamos carentes na posição da ponta, não é? Temos o Plata de fora e o Luiz Araújo de fora. São dois jogadores importantes para nós. Para refrescar a equipe, não tínhamos mais nenhum ponta além do Cebolinha e do Lino, que tive de voltar a puxar para a ponta. Por isso, acho que nem sequer é uma questão de opção. É uma questão de viabilidade dentro daquilo que temos. Nem na formação do Sub-20 temos um ponta que possa nos ajudar. Se ele fosse a minha opção, se eu achasse que era a melhor opção para o momento, teria iniciado o jogo. Não teria começado com o Lorran, que é o nosso jovem da formação.
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