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·13 de julio de 2026

João Aroso traça perfil de Hwang In-beom: “Faz lembrar muito João Moutinho”

Imagen del artículo:João Aroso traça perfil de Hwang In-beom: “Faz lembrar muito João Moutinho”

João Aroso traçou um retrato detalhado de Hwang In-beom, médio apontado ao FC Porto para 2026/27, e fê-lo a partir de uma comparação que ajuda a perceber de imediato o tipo de jogador em causa. Em entrevista ao jornal Record, o treinador-adjunto principal da seleção da Coreia do Sul falou da qualidade técnica do sul-coreano, enquadrou-o no modelo de Francesco Farioli e explicou onde pode render mais — e onde o encaixe exige nuance. Pelo meio, deixou um elogio de peso e garantiu: “faz-me lembrar muito o João”.

No momento em que o FC Porto observa o mercado e procura perfis capazes de responder às exigências do seu treinador, João Aroso ofereceu uma leitura particularmente fina sobre Hwang In-beom. Fê-lo com a autoridade de quem trabalha de perto com o jogador e com uma ideia central que atravessa todo o seu discurso: trata-se de um médio de grande qualidade, mas com características muito próprias, que pedem contexto e entendimento.


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A comparação mais forte surgiu quando Aroso foi desafiado a descrever o estilo de jogo do internacional sul-coreano. E o nome escolhido não foi qualquer um: João Moutinho, referência maior no meio-campo português e antigo jogador dos dragões.

“Já conhecia o Hwang In-beom antes, mas quando comecei a trabalhar com ele, depois de vê-lo em treino e conhecer melhor as suas características, um dia comentei com ele que me fazia lembrar muito o melhor médio com quem já trabalhei, o João Moutinho.”, contou. “Porque de facto faz, faz-me lembrar muito o João pela sua forma de jogar e até pela forma de correr. E foi curioso porque ele respondeu a dizer que ficava contente com essa comparação, porque admirava muito o João Moutinho”, afirmou João Aroso.

O paralelo não é apenas decorativo: aponta para um jogador de leitura, critério e cadência, mais inclinado para pensar o jogo do que para o rasgar. Aroso não se limitou a elogiar; procurou colocar Hwang num patamar de exigência muito alto, o que ajuda a perceber o entusiasmo com que fala dele.

Quando a conversa passou para as qualidades do jogador e para o eventual encaixe no FC Porto de Francesco Farioli, Aroso detalhou virtudes e reservas com o mesmo pragmatismo. O desenho é o de um médio versátil, mas não indiferenciado.

“É um jogador de enorme qualidade técnica, passa com os dois pés com uma qualidade idêntica, é extremamente inteligente e percebe muito do jogo”, detalhou o técnico.

Depois, ao projetar Hwang na estrutura portista, Aroso afinou a análise entre o que o jogador pode oferecer e o que o modelo pode pedir-lhe.

“É um médio que pode ser 6 e pode ser 8… Na nossa equipa, em 3x4x3, ele era um dos dois médios-centro, mas um médio com chegada à zona de finalização.”, explicou. “Aliás, se virem os lances dos nossos dois golos contra a República Checa, ele marca o primeiro e no segundo faz a assistência mostrando precisamente isso: entrada em zonas de finalização. E transpondo isto para a forma de jogar do FC Porto, pelo menos na última época, é preciso perceber o que é esperado de cada médio”, analisou.

O treinador-adjunto principal da seleção da Coreia do Sul sublinhou ainda a diferença entre os momentos ofensivos e defensivos do papel de “6”.

“Como ‘6’ ele entra perfeitamente no modelo de jogo do FC Porto na fase ofensiva. Porém, na fase defensiva, tendo em conta que em bloco baixo o jogador da posição 6 entra na linha recuada para fazer o 5º homem, o In-Beom não é um jogador particularmente forte no jogo aéreo. Mas, por outro lado, o Alan Varela, que muitas vezes joga nessa posição, também não o é. De qualquer forma fica esta nota.”, sublinhou.

Há aqui uma ideia de fundo que vale mais do que o rótulo da posição. Hwang pode caber em mais do que um lugar, mas o valor da sua utilização dependerá sempre da função exata que lhe for pedida dentro do sistema.

Foi por isso que Aroso se demorou também na hipótese de o sul-coreano ser utilizado como “8”. E, mais uma vez, a análise afastou simplificações: a posição pode servir-lhe, mas não da mesma maneira que serviria a outros perfis.

“Ele pode perfeitamente fazê-lo, mas, no modelo de jogo do FC Porto, os dois médios-interiores, muitas vezes, estão naquela zona entre linhas, ou seja, entre a linha defensiva e a linha média adversárias, muitas vezes a jogar de costas para a baliza ou então a fazer movimentos à profundidade.”, especificou. “E eu diria que ele não é tanto esse jogador. Ele é um jogador mais para ver o jogo de frente, para organizar, para criar jogo e depois sim, como eu disse antes, para aparecer também em zonas de finalização, mas mais de trás para a frente, não estando já no último terço a fazer movimentos à profundidade”, explicou.

O retrato ganha, assim, contornos muito nítidos: menos médio de choque ou de rutura constante, mais organizador com chegada. Num meio-campo pensado para alternar ritmos e alturas, Aroso vê um jogador de frente para o jogo, capaz de dar clareza ao que a equipa constrói.

Daí ter surgido uma questão quase inevitável: será Hwang um transportador de bola em posse, à imagem de um médio-interior mais dado à progressão? A resposta foi direta e sem margem para romantismos.

“Não, não é esse jogador. É um jogador, essencialmente, de qualidade de passe, muito inteligente na forma como organiza o jogo, mas não de grandes correrias, não de progredir muitos metros com a bola, não de progredir em drible.”, sentenciou. “Não é esse jogador. Os médios-interiores do FC Porto também vêm pontualmente atrás e esse é um hábito mais assíduo para o In-beom. Ele depois, surge, aí sim, de trás para a frente, mas esse surgimento em zona de finalização é mais pontual”, acrescentou.

É uma distinção importante, porque define não apenas o que Hwang faz bem, mas também o que não deve ser confundido com o seu jogo. Aroso desenha um médio de passe, critério e inteligência posicional, alguém que organiza mais do que acelera em condução.

No balanço final, o elogio subiu ainda mais de tom. Convidado a avaliar a dimensão global do jogador, João Aroso não se refugiou em prudências nem meias-palavras.

“Acho que é um dos melhores médios a jogar na Europa, acho que ele pode jogar em qualquer equipa pela qualidade que tem e não estou a exagerar. Agora, isso não invalida, que no modelo de jogo do FC Porto, tendo em conta as observações que já fiz, tudo tem a sua importância…”, disse.

E deixou ainda uma nota sobre o perfil humano e competitivo do sul-coreano, fechando o retrato com uma avaliação sem reservas.

“Em termos de postura, é um jogador personalizado, experiente, com carácter e acrescenta isso à equipa. De facto, só tenho coisas positivas a dizer do Hwang.”, elogiou.

Entre a comparação com João Moutinho, a versatilidade para jogar como “6” ou “8” e a certeza de que não se trata de um médio de condução longa, Aroso ofereceu uma radiografia clara. Hwang In-beom surge, no seu discurso, como um jogador de cérebro e execução, daqueles que pedem menos ruído e mais bola bem tratada.

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