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·26 de marzo de 2026

Justiça cobra explicações do Corinthians e cita risco de intervenção judicial

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A Justiça de São Paulo determinou que o Corinthians preste esclarecimentos sobre inconsistências nas informações financeiras apresentadas no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (RCE). A decisão foi proferida pelo juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, e citou um alerta sobre a possibilidade de adoção de medidas mais severas caso as divergências não sejam devidamente explicadas.

O magistrado apontou, no despacho, ao qual a Gazeta Esportiva teve acesso, discrepâncias relevantes entre a receita declarada pelo clube e os valores efetivamente informados no fluxo de pagamentos do RCE referentes ao mês de fevereiro. Segundo a Administradora Judicial responsável pela fiscalização do processo, os números apresentados pelo Corinthians indicam uma diferença aproximada de R$ 149 milhões entre a receita declarada e aquela considerada para fins de rateio entre credores, o que motivou a intimação do clube para esclarecimentos formais.


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O juiz ainda alertou que a resistência no fornecimento de documentos ou a manutenção de dados inconsistentes poderá resultar na nomeação de um observador judicial ou, em último caso, de um interventor, com o objetivo de garantir a transparência, a efetividade e a regularidade do cumprimento do plano homologado no RCE.

Questionamentos sobre o plano de rateio

Além das divergências nas receitas, a decisão judicial também trata de impugnações apresentadas por diversos credores em relação ao plano de rateio dos valores já depositados judicialmente. A Administradora Judicial revelou que havia um saldo disponível de aproximadamente R$ 20,2 milhões nas contas do clube, mas credores alegam omissões de créditos reconhecidos em sentenças anteriores.

Diante dessas manifestações, a Justiça determinou a intimação dos credores para novos posicionamentos e estabeleceu que a Administradora Judicial apresente esclarecimentos adicionais antes da eventual liberação dos pagamentos, seguindo o rito previsto no RCE.

O que diz o Corinthians

Em nota, o Corinthians afirmou que o Regime Centralizado de Execuções foi adotado como instrumento para organizar o pagamento de dívidas cíveis e evitar sucessivos bloqueios judiciais que comprometam o funcionamento do clube. Segundo a diretoria, o plano homologado pela Justiça prevê regras claras de destinação de receitas, fiscalização por administradora judicial e transparência na divulgação das informações financeiras aos credores e ao Judiciário.

O clube sustenta ainda que vem cumprindo as obrigações previstas no RCE e reforça o compromisso com a reorganização financeiro-administrativa, destacando que a centralização das execuções permite previsibilidade no fluxo de caixa e tratamento isonômico aos credores, sem prejuízo às atividades esportivas e institucionais.

RCE do Corinthians

O Regime Centralizado de Execuções do Corinthians foi homologado pela Justiça em janeiro de 2026 como parte do processo de reestruturação financeiro-jurídica do clube. O plano prevê o pagamento de cerca de R$ 450 milhões em dívidas ao longo de até dez anos, com destinação progressiva de percentual das receitas do clube para quitação dos débitos, além de mecanismos de controle e fiscalização judicial.

Veja a nota completa do Corinthians:

O Sport Club Corinthians Paulista informa que, no âmbito do Regime Centralizado de Execuções (Processo nº 1189761-87.2024.8.26.0100), foi proferida, em 25 de março de 2026 (às 17h57min), decisão judicial que, dentre outros pontos, determinou a intimação do Clube para prestar esclarecimentos acerca de supostas inconsistências relacionadas à declaração de receitas do mês de fevereiro de 2026, com advertência quanto à eventual nomeação de observador judicial ou interventor em caso de resistência ou inconsistências persistentes.

Contudo, é importante esclarecer que, em momento anterior à referida decisão, o Clube já havia apresentado, tempestiva e formalmente e nos autos do processo, todos os esclarecimentos solicitados pela Administração Judicial.

Com efeito, no dia 24 de março de 2026, às 21h41min, o Sport Club Corinthians Paulista protocolou petição nos autos (fls. 10.332/10.339), detalhando a composição das receitas apontadas e esclarecendo, de maneira técnica e fundamentada, as divergências identificadas, incluindo, entre outros pontos, a distinção entre receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas entre contas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e receitas provenientes de negociação de atletas.

Antes mesmo do protocolo da referida manifestação, o Clube também realizou reunião com a Administração Judicial, oportunidade em que foram prestados esclarecimentos adicionais e reforçado o compromisso com a transparência e a cooperação no âmbito do Regime Centralizado de Execuções.

Assim, verifica-se que os esclarecimentos já haviam sido prestados e juntados aos autos em data anterior à decisão proferida em 25 de março de 2026, circunstância que será oportunamente levada ao conhecimento do Juízo por meio de nova manifestação formal.

O Sport Club Corinthians Paulista reafirma que sempre atuou de forma diligente, transparente e colaborativa no âmbito do Regime Centralizado de Execuções, mantendo diálogo constante com a Administração Judicial e fornecendo toda a documentação necessária sempre que solicitado.

O clube lamenta o desencontro de informações e repudia o alarmismo e a campanha de descrédito promovida por influenciadores digitais que desconsideram a seriedade e a relevância de um trabalho fundamental para a reestruturação financeira da instituição, prejudicando a comunicação correta entre instituição e torcida.

O Corinthians reitera, ainda, que permanece à inteira disposição do Juízo, da Administração Judicial e dos demais interessados para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que eventualmente se façam necessários, reafirmando seu compromisso com a regularidade, transparência e efetividade do processo.

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