Jogada10
·4 de febrero de 2026
Liderança, gols e títulos colocam Raphael Veiga na galeria de grandes ídolos do Palmeiras

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Ao longo de oito temporadas, Raphael Veiga escreveu uma história muito particular pelo Palmeiras, quase um conto de fadas, levando em consideração os tempos atuais do futebol. Torcedor do clube na infância, realizou o sonho de milhões de torcedores ao jogar e vencer inúmeros títulos com a camisa do time do coração.
Mas a marca do camisa 23 na história do clube vai muito além dos 384 jogos disputados, 109 gols marcados e 11 troféus conquistados (entre eles, as Libertadores de 2020 e 2021; os Brasileirões de 2022 e 2023; e a Copa do Brasil de 2020). Junto dos recordes, o meia conseguiu se colocar ao lado de ídolos que, até então, pareciam inatingíveis na história do Palmeiras.
Para o historiador Fernando Galuppo, Veiga se encontra no mais alto nível da galeria de ídolos do Palmeiras. Ele afirma que o jogador foi o grande cérebro da fase recente do Verdão, que ficou conhecida como “Terceira Academia”, assim como Ademir da Guia foi a alma da equipe nas outras duas “Academias” do Palmeiras (sendo a primeira entre 1959 e 1969, e a segunda entre 1972 e 1976).
“É natural associarmos que o grande cérebro e alma da equipe foi o Veiga. Mas a comparação com Ademir da Guia para aqui, justamente para não cometer anacronismo. Em cada época o jogo tem sua dinâmica própria, assim como os jogadores. Eles foram os maiores e mais decisivos para o Palmeiras, nos períodos em que defenderam o clube”, disse Galuppo.

Palmeiras precisa de combinação de resultados para ser campeão brasileiro – Foto: Divulgação / Conmebol
O jornalista Paulo Massini vai pelo mesmo caminho. Ele aponta, além dos títulos e recordes, que a postura de Veiga fora de campo contribui que ele esteja no mesmo nível do Divino. “Ele é um jogador com caráter diferente, com preocupação social. Ajuda muito o bairro de São Mateus, onde cresceu, e hoje tem a Fundação Veiga”, afirma.
Outro motivo que torna Veiga um jogador especial na história do Palmeiras é o fato dele ser um dos símbolos da reconstrução do clube nos últimos 10 anos, como Massini também aponta. “O Raphael Veiga é símbolo da reconstrução do Palmeiras ao lado do Dudu. Ele sempre respeitou a camisa do Palmeiras e nunca quis sair por vontade própria. Veio uma oportunidade, ele pesou, achou que não estava bem em campo. Ao lado do Dudu, do Fernando Prass e de outros jogadores muito importantes, ele representa esse período vitorioso do Palmeiras, de 10 ou 11 anos”.
Galuppo ainda acrescenta que a história do meia na atualidade faz dele uma exceção em um futebol “ultra profissional”, como ele mesmo diz: “O Veiga, como torcedor declarado do Palmeiras desde sua infância, vencer o que ele venceu no seu clube de coração, quebrando os principais recordes, com gols decisivos e representando o sentimento de toda uma torcida com dignidade e amor, é algo que merece respeito e admiração de todos os palmeirenses e dos amantes do futebol de uma maneira geral”.

Raphael Veiga com a taça do Brasileirão de 2023, conquistado pelo Palmeiras – Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Se hoje Raphael Veiga pode ser comparado, se não no futebol, mas na idolatria, com Ademir da Guia, o início de sua passagem pelo clube ficou marcada pela comparação com Alex, outro meia histórico do clube. Isso porque ambos saíram muito jovens do Coritiba para o Verdão. Veiga, inclusive, chegou a ser emprestado para o Athletico-PR em 2018.
O desenrolar da história, aliás, também foi semelhante no que diz respeito ao poder de decisão de ambos. Vale lembrar que Veiga é o jogador com mais gols em finais com a camisa do Palmeiras (12), acima de outros ícones do clube como Evair e Edmundo. Para Leonardo Suzuki, jornalista e analista de desempenho no canal “Análise Verdão”, as características de jogo do meia ajudam a explicar esses números.
“Ele foi titular por cinco anos, jogando com a mesma base de time e sob o comando do mesmo treinador. Nesse período, o Veiga era“o finalizador mais confiável desse elenco. O time funcionava de forma que ele não fosse o principal criador, mas recebesse a bola em condições excelentes para finalizar. Ele jogava nas entrelinhas, atrás do meio-campo e na frete da defesa adversária. Ele vinha de trás e atacava zonas perigosas, como a entrada da área. Assim, o Palmeiras potencializava o Veiga para estar sempre na hora e no lugar certo”, explica.
Suzuki ainda lembra que Raphael Veiga até tentou mudar seu estilo de jogo, mas em um momento que o Palmeiras já não oferecia mais os mesmos recursos coletivos para melhorar seu desempenho. “Ele até tentou se adaptar a ser um 10 que vem atrás e organiza o jogo, mas sem o mesmo sucesso, em um momento em que o time jogava pior coletivamente. A maneira com que o Palmeiras jogava potencializava ele”.
Para Massini, a saída de Raphael Veiga do Palmeiras marca o fim de uma era. O jornalista, no entanto, aponta que não acredita que seja uma despedida definitiva do jogador. “É definitivamente o encerramento de um time muito vencedor. Aquele time montado lá atrás já acabou, e o Veiga era um dos jogadores que restavam. Acho a saída diz sobre o momento atual do clube, mas também é uma pausa, e não um fim, no ciclo do Veiga. Imagino que ele vá voltar a jogar no Palmeiras”.
Do ponto de vista tático, Suzuki aponta que o Palmeiras tem jogadores no elenco com característica semelhante a Veiga para repor a sua saída. Entretanto, ele aponta que um bom desempenho do jogador passa também por uma melhora coletiva do time.
“Se a gente for olhar a característica, o Maurício poderia cumprir bem o que o melhor Veiga fez. É um cara menos pronto, mas que tem essa verticalidade. É até mais articulador e mais inteiro fisicamente. A questão é que, da maneira que está jogando hoje, não acho que é um Veiga que está faltando para o Palmeiras. Para voltar a jogar bem, o foco precisa ser mais coletivo do que individual”, concluiu.
Raphael Veiga deixa o Palmeiras por empréstimo até o final do ano para o América (México). O acordo entre as equipes envolve uma cláusula de opção de compra, com valores não revelados. Antes de assinar com o clube mexicano, o meia estendeu o contrato com o Verdão até o final de 2028.








































