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·6 de febrero de 2026

MP denuncia filho de ídolo do esporte por tentar aliciar jogador do Brasileirão para apostas

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O futebol brasileiro voltou a ser colocado no centro de um debate delicado que envolve ética, apostas esportivas e a credibilidade das competições. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou três homens por possível tentativa de aliciamento de atletas com o objetivo de manipular partidas das principais divisões do Campeonato Brasileiro. Entre os citados está o empresário Igor Freitas, filho do ex-boxeador Acelino Freitas, o Popó, além de Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro.

A investigação aponta que os denunciados teriam atuado de forma coordenada para convencer jogadores a cometerem atos específicos durante partidas oficiais, como receber cartões amarelos, em troca de dinheiro. Um dos atletas procurados pelo grupo foi o lateral-esquerdo Reinaldo, atualmente no Mirassol, que recusou a abordagem e respondeu de forma direta à tentativa de aliciamento. O caso ganhou repercussão nacional e se conecta a um cenário mais amplo de apurações sobre manipulação de resultados no futebol brasileiro.


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Operação Derby e os caminhos do suposto esquema

Os três denunciados são alvos da Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025, que inicialmente investigava a oferta de R$ 15 mil a pelo menos três jogadores do Londrina para que provocassem cartões amarelos em uma partida da Série C do Campeonato Brasileiro. A apuração avançou e revelou contatos com atletas de clubes das Séries A, B e C, ampliando o alcance do caso.

Segundo documentos obtidos pela investigação, Igor Freitas fazia o primeiro contato com os jogadores por meio do Instagram e do WhatsApp. Nas mensagens, ele se apresentava como filho de Popó e se descrevia como empresário com acesso direto a grandes empresas do mercado nacional, atuando em projetos estratégicos e negociações de patrocínio. Após essa aproximação inicial, os números dos atletas eram repassados a Rodrigo Rossi, que dava continuidade às conversas.

Ainda de acordo com o MP-PR, Freitas se referia a Rossi como alguém que trabalhava com “mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil”, o que reforçaria a tentativa de transmitir credibilidade ao esquema. Em um dos episódios detalhados na denúncia, o lateral Reinaldo foi abordado em agosto de 2025 e recebeu um áudio seguido de uma mensagem de visualização única. A resposta do jogador foi clara ao recusar qualquer envolvimento: “Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”.

As investigações também revelaram diálogos internos entre os denunciados, nos quais Raphael Ribeiro orienta Rodrigo Rossi a “fechar os 2 do Goiás e 1 do Sport”, em referência a atletas desses clubes. Em determinado momento, o grupo entra em conflito por pendências financeiras, o que, segundo o MP-PR, indica a possibilidade de que os valores discutidos tenham origem em atividades ilícitas relacionadas à manipulação de resultados para obtenção de lucro em plataformas de apostas.

Em setembro do ano passado, o Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador e Itapema, com apoio das forças de segurança da Bahia e de Santa Catarina. Ao todo, foram executados quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal.

Igor Freitas, Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro foram denunciados pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, previstos no Código Penal e na Lei Geral do Esporte (Lei 14.587/2023). As penas podem variar de dois a seis anos de reclusão, além de multa. O MP-PR também solicitou o pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo, como forma de reparação ao prejuízo causado à integridade e à imprevisibilidade do resultado esportivo.

A reportagem entrou em contato com as defesas dos denunciados, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações, e o conteúdo será atualizado em caso de posicionamento oficial.

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