Jogada10
·28 de mayo de 2026
Neymar e a panturrilha: lesão acende alerta às vésperas da Copa

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O diagnóstico de lesão muscular de grau 2 na panturrilha sofrida por Neymar voltou a colocar em debate um dos maiores desafios da medicina esportiva: o equilíbrio entre recuperação rápida e risco de agravamento. O médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, confirmou nesta quinta-feira (28) que o atacante sofreu uma lesão no gastrocnêmio, principal músculo da panturrilha, e deve precisar de duas a três semanas para retornar.
Embora o prazo divulgado pela CBF pareça relativamente curto, especialistas alertam que esse tipo de lesão exige atenção. De acordo com o ortopedista Mateus Jerônimo, especialista em cirurgia do aparelho locomotor, as lesões musculares possuem três níveis, sendo o grau 2 caracterizado por ruptura parcial das fibras musculares.
“No grau 1, há apenas um estiramento das fibras, com dor leve e recuperação rápida, em geral, menos de duas semanas. No grau 2, ocorre uma ruptura parcial do músculo. O atleta sente dor intensa, perde força e não consegue continuar jogando. Já no grau 3, a ruptura é completa, o que pode exigir cirurgia”, explica.
De acordo com o especialista, mesmo sem ruptura total, esse tipo de lesão já compromete significativamente a função muscular. Aliás, em pacientes comuns, o tempo médio de recuperação costuma variar entre oito e dez semanas. No caso de atletas de elite, o processo pode ser acelerado graças a protocolos intensivos de fisioterapia e recuperação.
“Em atletas de elite com suporte médico de altíssimo nível, esse prazo pode ser reduzido com fisioterapia intensiva, recursos como ultrassom terapêutico, laser e fortalecimento progressivo. Mas acelerar demais esse processo tem um preço: o risco de recidiva, ou seja, de a lesão voltar, aumenta significativamente”, alerta Mateus Jerônimo.

CBF dá prazo de 15 dias para Neymar mostrar evolução de lesão – Foto: Reprodução / cbf.media
O músculo afetado também aumenta a preocupação. O gastrocnêmio participa diretamente de movimentos fundamentais para o futebol, como arrancadas, mudanças bruscas de direção, impulsão e potência nos chutes.
“É um músculo de alta demanda no futebol. Quando ele não está íntegro, o atleta sente em cada aceleração, em cada chute, em cada salto”, afirma o ortopedista.
Outro ponto que chama atenção é o histórico recente de lesões de Neymar. Afinal, apenas nesta temporada, o jogador já enfrentou edema na coxa esquerda, lesão no músculo semimembranoso da mesma coxa, lesão grau 2 no músculo reto femoral da coxa direita e problemas no menisco do joelho esquerdo.
“Quando um atleta acumula múltiplas lesões musculares em sequência, isso levanta uma questão importante: o corpo está conseguindo se recuperar completamente entre uma lesão e outra? Fadiga muscular crônica, déficit de força residual e alterações no padrão de movimento são fatores que aumentam a vulnerabilidade a novas lesões”, destaca.

Neymar chegou à Granja Comary na última quarta-feira – Foto: Reprodução
Com a estreia do Brasil na Copa do Mundo marcada para 13 de junho, cresce também a pressão por um possível retorno do camisa 10. Pelas regras da Fifa, jogadores podem ser substituídos até 24 horas antes da estreia em casos de lesão grave ou doença, mediante aprovação da entidade.
Para Mateus Jerônimo, porém, a decisão médica deve ir além da urgência esportiva. “A pergunta que o médico precisa responder não é ‘ele vai conseguir jogar?’, mas sim ‘ele vai conseguir jogar sem risco de uma lesão maior?’ São perguntas muito diferentes. E a segunda é a que realmente importa”.
Enquanto a torcida acompanha a recuperação com expectativa, especialistas reforçam que, em lesões musculares de alto impacto, cautela continua sendo a principal aliada para evitar novas complicações.







































