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Calciopédia

·29 de enero de 2026

Noite cruel: virada do Chelsea sela eliminação do Napoli na Champions League

Imagen del artículo:Noite cruel: virada do Chelsea sela eliminação do Napoli na Champions League

O Napoli entrou em campo para a oitava e última rodada da Champions League sob clima absoluto de decisão. Com o Diego Armando Maradona pulsando e um adversário de alto nível pela frente, o time italiano sabia que precisava transformar intensidade em resultado imediato contra o Chelsea. E, por boa parte da noite, conseguiu. O problema é que, na principal competição de clubes da Europa, há partidas que não se perdem apenas em 90 minutos: elas vêm sendo desperdiçadas ao longo de semanas, talvez meses, e cobram a conta no instante mais implacável. A derrota por 3 a 2 para os Blues custou a eliminação dos partenopei, mas serviu apenas como desfecho provável para o time de um Antonio Conte cada vez mais indefensável em cenário continental.

O primeiro golpe veio cedo e doeu mais pelo simbolismo do que pelo placar. O pênalti convertido por Fernández, após toque de mão de Juan Jesus em cobrança de falta, colocou o Chelsea em vantagem no templo de Maradona, aos 19 minutos. Para um argentino, marcar ali é quase um rito – ainda que ante o time em que Dios se manifestou. O gol poderia ter desestabilizado o Napoli, mas produziu o efeito oposto. A resposta foi imediata em postura e volume: linhas mais altas, ocupação constante do campo ofensivo e uma pressão que empurrou os ingleses para trás, especialmente pelos corredores laterais.


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Nesse contexto, emergiu a figura mais luminosa da noite napolitana. O jovem Vergara, com personalidade quase insolente para a idade, passou a conduzir o time com naturalidade. Foi dele a jogada do empate, construída com improviso e atrevimento: um drible ao estilo Zidane entre Caicedo e Fofana que abriu caminho para o 1 a 1, já na casa dos 33 minutos. Não seria apenas um lance isolado. O garoto, utilizado por Conte devido à maré de lesões no elenco, seguiu ativo, incisivo, acumulando incursões e assumindo responsabilidades que deram ao Napoli não só o empate, mas a sensação de controle emocional do jogo.

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O jovem Vergara e Højlund ainda marcaram para o Napoli no primeiro tempo, mas a virada azzurra foi ilusória (Getty)

A virada ainda no primeiro tempo foi consequência direta desse momento. Højlund atacou o espaço com leitura perfeita de centroavante e colocou os donos da casa em vantagem, completando cruzamento de Olivera. O 2 a 1 parecia legitimar a reação e, por alguns minutos, recolocou o Napoli dentro da zona de classificação aos playoffs. Naquela altura, a vaga estava em suas mãos. O Maradona acreditava, o time correspondia, e a noite parecia caminhar para um desfecho afirmativo.

O segundo tempo, porém, expôs a face mais cruel da competição. O Chelsea voltou dominante, ocupando o campo em largura e profundidade, enquanto o Napoli passou a administrar mais do que a propor. Havia controle, mas também um traço de desgaste, uma gestão do esforço que reduziu a agressividade sem bola. Nesse cenário, Palmer assumiu o papel de organizador, oferecendo clareza onde antes havia ruído. E, embalado pela frieza de seu mais insinuante jogador, o time inglês, comandado pelo inexperiente Liam Rosenior, castigou seu antigo treinador.

O empate nasceu de um gesto técnico que encerrou um sonho. Aos 61 minutos, João Pedro recebeu de Palmer, deixou seus marcadores para trás e acertou um chute de canhota no ângulo, onde Meret jamais chegaria. Foi um gol que mudou o placar e o eixo da partida. O Napoli sentiu. O que se prenunciou como domínio virou hesitação; o que era coragem passou a ser exposição. Lançado novamente ao ataque em busca do gol que manteria viva a classificação, o time italiano deixou espaços demais e foi punido aos 82 minutos.

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O Napoli terminou a Champions League cabisbaixo, com a pífia 30ª posição no torneio continental (Getty)

O golpe final veio em contra-ataque, como tantas vezes acontece quando o risco deixa de ser calculado. Palmer acelerou, encontrou João Pedro livre, e o atacante foi frio para completar o 3 a 2, consumando a virada e silenciando o estádio. As ilusões construídas nos primeiros 45 minutos se desfizeram ali, de forma abrupta. Conte caminhava para mais uma eliminação precoce na Champions League – com times italianos, ele foi eliminado antes das oitavas em quatro das cinco vezes que disputou a competição.

Ainda houve tempo para um último sopro de esperança, com Lukaku finalizando nos acréscimos e exigindo grande defesa de Sánchez, mas a reação parou nesse limite. O apito final confirmou não apenas a derrota, mas uma eliminação dolorosa, carregada de arrependimentos que extrapolam o confronto direto com o Chelsea, que se classificou diretamente às oitavas. Cair nesse duelo é compreensível; o que pesa mais é o que ficou pelo caminho antes, nos tropeços contra os eliminados Eintracht Frankfurt e Kobenhavn, ou a goleada histórica aplicada pelo PSV Eindhoven, que também caiu precocemente. Foram pontos desperdiçados que tornaram a noite de Nápoles um tudo ou nada.

A partida foi diabolicamente bela, vivida em montanha-russa, com fugas, empates, viradas e contra-viradas, mas deixou um retrogosto amargo para os mandantes e para Conte, que reclamou do calendário, da vida e de tudo um pouco para tentar encobrir o seu péssimo retrospecto continental: ele conseguiu fazer o atual campeão italiano ter apenas a 30ª melhor campanha entre 36 participantes no torneio. O Napoli saiu da Champions League de maneira merecida e com cicatrizes evidentes, protagonizando uma campanha que prometeu mais do que entregou e a sensação de ter se eliminado aos poucos. Ainda assim, recebeu aplausos da torcida ao fim do jogo. Um reconhecimento, talvez, de que houve entrega. E um lembrete de que os torcedores estarão a seu lado nas piores horas.

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