Portal dos Dragões
·29 de noviembre de 2025
Nuno Pimentel orientou-os nos sub-15 do FC Porto: “O Mateus Mide e o Rodrigo Mora falam a mesma linguagem”

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Hoje o nome de Mateus Mide é conhecido no universo do futebol, mas no início de 2022 o jogador eleito o melhor do Mundial sub-17, conquistado por Portugal esta quinta-feira no Qatar, era apenas um miúdo em evidência nos sub-14 do FC Porto. Um escalão acima, Nuno Pimentel orientava os jovens dragões dos sub-15 e, em dias frios daquele janeiro, decidiu promover Mateus Mide e um colega, Tomás Peixoto.
O atual adjunto de Pedro Emanuel no Al Fayha, na Arábia Saudita, que também orienta os sub-21 do clube, observava aquela geração de sub-14 e, “em função do potencial e qualidade que já demonstrava”, entendeu, juntamente com o clube, que era tempo de elevar Mateus Mide a um novo nível. “Ele passou a integrar o nosso plantel e foi conquistando o seu espaço. Nós jogávamos sobretudo em 4x4x2 e ele fazia um papel de segundo avançado, jogador móvel… Ele tem de ver o jogo de frente. Num 4x3x3, para mim, não será ele o ponta-de-lança”, começou por contextualizar, justificando a promoção: “Ele precisava de sentir mais dificuldades, a atacar e a defender. Nessa altura ainda não tinha dado o salto maturacional, quase que dava pelo umbigo de alguns adversários. Ganhou agressividade, ganhou intensidade e dava uso à sua inteligência.”
O treinador, que em Portugal também foi adjunto no V. Setúbal, no Belenenses e no Santa Clara, integrou Mide numa equipa que já incluía outra promessa dos azuis e brancos, um ano mais velho, Rodrigo Mora. “Já sobressaía também. Alguns outros jogadores dos atuais juniores também, como o Léo Fajardo, o Tiago Silva, Filipe Sousa e, talvez dos jogadores que mais tenha crescido, o André Miranda”, destacou Nuno Pimentel, que não via problema em alinhar Mide e Mora no mesmo onze: “Como jogávamos em 4x4x2, o Mora atuava mais sobre a esquerda, de fora para dentro, e o Mide fazia dupla com outro avançado. Mas coabitavam naturalmente, faziam algumas permutas… Eles falam a mesma linguagem.”
Essa sintonia, assegura o técnico, reflete-se em traços comuns no plano técnico, pessoal e até familiar entre os jovens. Em termos de jogo, Mide reúne um perfil capaz de proporcionar variadas soluções à sua equipa. “O Mateus tem uma grande capacidade de encontrar os espaços e tem outra coisa diferenciadora, que é a capacidade de pensar rápido e bem. Parece que as coisas são fáceis, porque ele tem uma grande velocidade de execução. Também o vejo a jogar sobre uma ala, mas sinceramente é mais alguém que tem de ter liberdade para encontrar o jogo. Tem grande capacidade de definição e finalização, mas, na minha opinião, não para jogar como ponta-de-lança”, afirmou.
Face ao seu conhecimento sobre o passado de Mateus Mide, desafiámos Nuno Pimentel a debruçar-se sobre aquele que pode (e deve) ser o futuro do jovem. A principal diretriz é clara. “Nestas idades o fundamental é competir. Promovê-lo só porque sim não resulta. Em contexto de treino acredito que aconteça mais assiduamente, mas tem de competir em jogo, preferencialmente num escalão que lhe crie dificuldades, mas sem queimar etapas que o impeçam de evoluir. Sempre etapa a etapa”, referiu, concretizando com um desejo de felicidades ao seu antigo pupilo e com uma ideia de grande sentido prático: “Que a sorte o acompanhe, que não tenha lesões, que também é importante. É um jogador diferenciado e, portanto, se tudo correr normalmente, será um jogador que despontará a curto e médio prazo. Neste momento é desfrutar do sucesso, mas o próximo passo será sempre voltar ao Olival e treinar como um animal.”









































