O estatuto do Palmeiras como campo de batalha | OneFootball

O estatuto do Palmeiras como campo de batalha | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Portal do Palestra

Portal do Palestra

·11 de abril de 2026

O estatuto do Palmeiras como campo de batalha

Imagen del artículo:O estatuto do Palmeiras como campo de batalha

O estatuto do Palmeiras nunca foi apenas um conjunto de regras administrativas. Desde pelo menos 1993, cada alteração no texto que rege o clube foi precedida por uma disputa de bastidores, protagonizada por grupos políticos que entenderam, antes de todo mundo, que controlar as regras do jogo é tão importante quanto ganhar as eleições.

Em 2018, uma votação no Conselho Deliberativo transformou o duelo de poder entre a velha guarda e a nova direção em lei. Hoje, o mesmo tabuleiro está sendo montado outra vez.


OneFootball Videos


O que o estatuto define — e por que isso importa tanto

O estatuto do Palmeiras é o documento que regula a vida institucional do clube: quem pode ser sócio, como funciona o Conselho Deliberativo, quais são os poderes do presidente e, sobretudo, por quanto tempo alguém pode exercer esse poder. Esta última questão é a mais politicamente sensível de todas.

Atualmente, o texto estabelece mandatos presidenciais de três anos, com direito a uma única reeleição. Na prática: um presidente eleito pode ficar no máximo seis anos consecutivos no cargo, divididos em dois mandatos seguidos. Para ser candidato novamente após esses seis anos, é preciso aguardar um ciclo eleitoral fora do poder.

Esta regra parece simples. Mas ela não existia assim até 2018 — e há quem queira mudá-la de novo agora.

A regra que havia antes: dois anos e uma recondução

Presidentes do Palmeiras e as regras do jogo

Fontes: Wikipedia · Palmeiras.com.br · ESPN Brasil · Portal do Palestra.   * Mandato em curso até dezembro de 2027. Proposta de mudança estatutária para terceiro mandato em discussão desde 2025.

Antes da mudança aprovada em maio de 2018, o estatuto do Palmeiras previa mandatos de dois anos, também com direito a uma reeleição. O tempo máximo no poder era, portanto, quatro anos consecutivos.

Essa regra vigorou por décadas e moldou a história política do clube. Presidentes como Luiz Gonzaga Belluzzo (2009–2011) e Arnaldo Tirone (2011–2013) governaram dois anos cada. Paulo Nobre foi o que mais explorou o modelo: eleito em janeiro de 2013, ficou quase quatro anos no cargo até dezembro de 2016, exercendo os dois mandatos completos.

O problema da regra de dois anos, na visão de quem queria mudá-la, era que o ciclo era curto demais para projetos de longo prazo. Um presidente eleito mal terminava de estruturar sua gestão quando já estava em campanha pela reeleição — ou fora do poder. O argumento tinha lógica esportiva e administrativa. Mas o que estava em jogo era também poder político.

21 de maio de 2018: a noite que mudou as regras

A proposta de estender os mandatos para três anos estava parada no Conselho Deliberativo desde 2013. Naquele ano, chegou a ser debatida, mas não avançou. A mudança só aconteceu quando as forças políticas necessárias para aprová-la se alinharam — e esse alinhamento levou cinco anos.

Maurício Galiotte havia prometido a reforma estatutária durante sua campanha eleitoral de 2016. Em 21 de maio de 2018, com seu primeiro mandato ainda em curso, convocou o Conselho Deliberativo e finalmente colocou o tema em votação.

O resultado foi expressivo: 143 votos a favor, 79 contra e 2 abstenções, de um total de 224 conselheiros presentes. Aproximadamente 64% dos votantes aprovaram a mudança. A nova regra foi posteriormente ratificada pelos associados do clube em assembleia geral, realizada em julho daquele ano.

A votação que mudou o estatuto — 21 de maio de 2018

143

Votos a favor

Grupo de Galiotte + Leila + Belluzzo

79

Votos contra

Bloco liderado por Mustafá Contursi

2

Abstenções

De 224 conselheiros presentes

64%

De aprovação

Vitória expressiva da situação

O resultado consolidou a aliança entre Galiotte e Leila Pereira e representou a maior derrota política de Mustafá Contursi em décadas no clube. A mudança ampliou o mandato de dois para três anos — e Galiotte foi o primeiro presidente a se beneficiar, encerrando sua gestão em 2021 com cinco anos no total.

Fonte: ESPN Brasil · Conselho Deliberativo do Palmeiras, maio de 2018.

Para Galiotte, a vitória era dupla: além de ampliar o mandato de quem viesse depois, ele próprio seria o primeiro a se beneficiar. Com a mudança aprovada ainda no primeiro mandato (de dois anos), seu segundo mandato já seria de três anos — passando de quatro para cinco anos no total à frente do clube (2016–2021).

Do outro lado da derrota estava Mustafá Contursi. O ex-presidente que comandou o Palmeiras por 12 anos entre 1993 e 2005 liderou o bloco contrário às mudanças ao lado de outros ex-presidentes como Arnaldo Tirone, Afonso Della Monica e do grupo ligado a Paulo Nobre. Mustafá argumentava que ampliar os mandatos concentrava poder demais nas mãos de quem já governava. Perdeu a votação por larga margem.

O paradoxo: Mustafá contra a mudança em 2018, a favor em 2025

A política tem memórias curtas — e conveniências longas. O mesmo Mustafá Contursi que liderou a resistência contra a ampliação dos mandatos em 2018 hoje é apontado como um dos apoiadores de Leila Pereira e, indiretamente, da possibilidade de uma nova mudança estatutária que beneficiaria a atual presidente.

A guinada revela algo sobre como o jogo político no Palmeiras funciona: as posições raramente são ideológicas. São estratégicas. Em 2018, Mustafá estava fora do poder e entendia que mandatos mais longos consolidariam ainda mais o grupo que havia derrotado. Em 2025, ele está alinhado ao grupo dominante — e a lógica se inverteu completamente.

Arnaldo Tirone, outro que votou contra a mudança em 2018, também migrou para o campo de Leila ao longo dos anos. O ex-adversário estatutário virou aliado político.

2025: o estatuto volta a ser campo de batalha

Em novembro de 2025, a discussão sobre uma nova mudança no estatuto do Palmeiras voltou à tona. Um grupo de conselheiros ligados à gestão atual começou a articular uma alteração que permitiria a Leila Pereira concorrer a um terceiro mandato consecutivo — o que, pela regra vigente, é proibido.

A discussão esquentou após a Libertadores de 2025. Com o clube no auge e Leila consolidada, apoiadores entenderam que seria o momento ideal para “garantir a continuidade”. Em dezembro de 2025, a presidente foi além: em reunião do Conselho Deliberativo, usou o exemplo do Real Madrid — cujo estatuto não impõe limite de mandatos ao presidente — como argumento para defender a mudança.

A reação interna foi mais fria do que o esperado. Mesmo aliados históricos de Leila manifestaram desconforto com a proposta. Segundo relatos apurados pela imprensa esportiva, a presidente chegou a ficar “pressionada e isolada” em uma das reuniões, diante da resistência de conselheiros da própria situação.

Para mudar o estatuto, a proposta precisaria do apoio de aproximadamente 144 votos no Conselho Deliberativo — o equivalente a 50% mais um dos conselheiros. Em seguida, a alteração ainda teria de ser ratificada pelos associados do clube em assembleia geral, o mesmo processo de 2018.

A oposição organizou resistência imediata. Grupos contrários à mudança chamaram a articulação de “golpe” e prometeram mobilizar conselheiros contra qualquer alteração que beneficiasse a presidente em exercício. O veterano conselheiro Genaro Marino, apontado como possível candidato da oposição em 2027, começou a se movimentar nos bastidores.

Os atores do tabuleiro atual

O cenário político no Palmeiras para os próximos dois anos envolve ao menos quatro grupos com interesses distintos:

O grupo de Leila: apoia a continuidade da presidente, seja por um terceiro mandato (via mudança estatutária) ou pela eleição de Everaldo Coelho, terceiro vice-presidente e nome mais próximo da mandatária, como seu sucessor para 2027. Everaldo tem cuidado de temas de marketing e relações institucionais do clube e vem sendo preparado como o principal herdeiro político da gestão.

O grupo de Buosi + Galiotte: Paulo Buosi, segundo vice-presidente responsável pela área de futebol, perdeu espaço na corrida sucessória para Everaldo. Segundo a ESPN, Buosi começou a articular uma aproximação com Maurício Galiotte — que deixou o clube em 2021 e permanece fora da administração, mas tem aliados no Conselho. Uma chapa Buosi-Galiotte seria uma divisão interna na própria situação.

A oposição organizada: sem um candidato consolidado, o grupo contrário a Leila tem em Genaro Marino o nome mais cotado. A oposição ainda ressente o resultado de 2024, quando Savério Orlandi recebeu apenas 858 votos contra 2.295 de Leila. Para 2027, a estratégia seria capitalizar sobre qualquer desgaste da gestão atual.

Os independentes do Conselho Deliberativo: o grupo mais difuso e, paradoxalmente, o mais decisivo. São os conselheiros sem comprometimento fixo com nenhuma das facções — e que definiram a votação de 2018 com maioria de 64%. Se houver nova votação sobre o estatuto, é com eles que o jogo será decidido.

O tabuleiro político do Palmeiras — eleição presidencial de 2027

Fontes: ESPN Brasil · CNN Brasil · Portal do Palestra. Dados de abril de 2026. Cenários sujeitos a mudança até a eleição de dezembro de 2027.

O que a história do estatuto ensina sobre o Palmeiras

Há um padrão que se repete nas disputas estatutárias do Palmeiras. A primeira lição é que as regras sempre servem a quem as propõe. Galiotte não teria promovido a mudança de 2018 se não soubesse que seria o primeiro a se beneficiar dela. O mesmo princípio se aplica agora.

A segunda lição é que as alianças mudam, as disputas por poder não. O estatuto de 2018 foi aprovado com apoio de Leila e contra a resistência de Mustafá. Hoje, Mustafá apoia Leila. Os lados trocaram de campo sem que a disputa pelo controle do clube tivesse mudado um milímetro.

A terceira — e mais relevante — é que o Conselho Deliberativo é o verdadeiro poder do clube, mais do que o presidente eleito. É ele que valida ou veta qualquer mudança nas regras do jogo. A eleição presidencial é o ato final de um processo que começa muito antes, nos corredores do Deliberativo, nas articulações entre conselheiros, nas dívidas políticas que se acumulam ao longo de décadas.

Entender isso é entender o Palmeiras além dos títulos e das contratações. É entender por que um texto jurídico pode ser tão decisivo para o futuro do clube quanto qualquer resultado dentro de campo.

Análise Portal do Palestra

O Estatuto é o documento maior da Sociedade Esportiva Palmeiras. Foi criado para normalizar e deixar regras claras para todos os segmentos do clube.

As consecutivas alterações podem trazer alguns riscos, principalmente sobre confiança no documento principal. Portanto, qualquer tipo de mudança precisa ser pensado, discutido e muito bem analisado.

Perguntas frequentes

Por que o estatuto do Palmeiras foi alterado em 2018?

A principal mudança aprovada em maio de 2018 foi a extensão do mandato presidencial de dois para três anos, mantendo o direito a uma reeleição. A proposta estava parada no Conselho Deliberativo desde 2013 e foi aprovada com 143 votos a favor, 79 contra e 2 abstenções, em uma reunião com 224 conselheiros presentes — 64% dos votantes aprovaram a mudança. O presidente Maurício Galiotte havia prometido a reforma durante sua campanha eleitoral de 2016.

Quantos mandatos um presidente do Palmeiras pode cumprir?

Pelo estatuto atual, um presidente pode cumprir no máximo dois mandatos consecutivos de três anos cada — totalizando seis anos no cargo. Para concorrer novamente após esses dois mandatos, é necessário aguardar ao menos um ciclo eleitoral fora da presidência.

O que seria necessário para mudar o estatuto e permitir um terceiro mandato?

A alteração precisaria ser aprovada com maioria simples no Conselho Deliberativo do Palmeiras — aproximadamente 144 votos dos conselheiros. Após a aprovação no Conselho, a mudança ainda teria de ser ratificada pelos associados do clube em assembleia geral, repetindo o processo utilizado na mudança de 2018.

Quem é o principal candidato da oposição para 2027?

A oposição ainda não tem um candidato consolidado para a eleição presidencial de 2027. O conselheiro Genaro Marino, que atua no Deliberativo desde 1997 e foi vice-presidente durante a gestão Paulo Nobre, é apontado como o nome mais cotado pelo campo contrário à situação atual. Maurício Galiotte também aparece como possível candidato, dependendo de como se desenvolverem as articulações internas.

Quem é Everaldo Coelho e por que ele é importante?

Everaldo Coelho é o terceiro vice-presidente do Palmeiras na gestão de Leila Pereira, responsável pela área de marketing e relações institucionais do clube. Ele vem sendo posicionado pela presidente como seu principal candidato à sucessão em 2027, caso a mudança estatutária para um terceiro mandato não se concretize. É o nome da situação com mais visibilidade para a próxima eleição.

+ Siga-nos no X+ Siga-nos no TikTok+ Siga-nos no Instagram+ Inscreva-se no YouTube+ Inscreva-se no WhatsApp+ Entre no canal do Telegram+ Curta a página no FacebookVeja mais notícias do Palmeiras, acompanhe os jogos do Verdãohistória e títulos da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Veja também

Carregando notícias…

Ver detalles de la publicación