O jogador com fama de Europa, o zagueiro “perdido” e a dura realidade de Richard no Inter
O Inter vai entrando num momento em que o bastidor também passa a ser quase tão importante quanto o campo. E a entrevista do Pezzolano numa rádio uruguaia ajudou a abrir várias frentes de discussão sobre o momento colorado, especialmente quando ele falou de Rochet, de Alan Rodríguez e até de questões ligadas ao mercado da próxima janela.
Sobre o Rochet, a leitura que veio de fora é positiva. Pezzolano afirmou que o goleiro deve chegar tranquilo para a Copa do Mundo, já recuperado. Isso, por si só, já ajuda a aliviar um pouco o cenário de um jogador que vinha sendo tema de preocupação no Beira-Rio. Em relação ao Uruguai, o treinador também mostrou torcida por uma renovação de Bielsa, ainda que todo mundo saiba que ele próprio é um nome fortíssimo no país e que, em algum momento, sempre vai aparecer nessa conversa sobre seleção uruguaia.
Mas o ponto que mais chamou atenção foi Alan Rodríguez. Pezzolano falou com muita convicção sobre o jogador, elogiando bastante o nível técnico dele e tratando o uruguaio como um cara com potencial até para o futebol europeu. Isso chama atenção porque não é elogio vazio. É um treinador que claramente gosta do atleta e que já tinha identificado o Alan como um motor importante do time na pré-temporada. O problema é que essa história do Alan Rodríguez vive esbarrando no mesmo ponto: lesão.
E aí o cenário começa a ficar pesado para o Inter. Porque, de novo, o jogador volta ao departamento médico e, internamente, já existe uma leitura de que talvez não haja recuperação total do investimento feito. O clube pagou caro por ele, houve toda a burocracia de garantia bancária, parceiro para viabilizar a operação e tudo mais. Só que agora a informação é de que o Inter já cogita liberá-lo na metade do ano, possivelmente até por empréstimo. Se isso realmente acontecer, não seria exatamente uma surpresa. O potencial existe, mas as lesões estão pesando demais.
Outro caso que vai ficando cada vez mais claro é o do Richard. O volante foi contratado para ser uma espécie de sucessor do Fernando, mas não respondeu dentro de campo. E agora, o empresário dele falou publicamente que o jogador está treinando separado e que a expectativa para uma transferência não é boa. A fala chama atenção porque escancara algo que o Inter tenta evitar admitir de forma mais direta: o jogador não deu certo e acabou encostado.
Tem ainda um detalhe jurídico aí. Quando o empresário registra publicamente que o atleta está treinando separado, isso não é apenas uma observação inocente. Esse tipo de situação pode virar problema futuro para o clube, dependendo de como tudo for conduzido. Ao mesmo tempo, também é verdade que o Richard não conseguiu jogar nem perto do que se imaginava, recebe um salário alto e não despertou interesse de clubes que realmente pagariam algo próximo do que ele ganha hoje. No fim, virou um caso ruim para todo mundo.
No meio disso, Villagra continua sendo um dos poucos pontos de referência no meio-campo colorado. Os números ajudam a mostrar isso. O Inter teve um aproveitamento bem mais forte quando ele esteve em campo, e isso reforça a sensação de que ele virou peça importante para dar equilíbrio ao time. Mesmo sem ser o nome mais chamativo do elenco, é um jogador que vem sustentando boa parte da organização no setor central.
E o próximo jogo já traz outra notícia relevante. Ramon, lateral-esquerdo contratado pelo Inter, deve ser repassado ao Vitória. A cláusula já foi exercida e a tendência é de que o clube baiano fique com o jogador mediante pagamento de multa. Para o Inter, pelo menos, existe a sensação de que o prejuízo vai sendo reduzido. Ele custou caro, não entregou o que se esperava, mas agora ao menos entra alguma receita para aliviar a operação.
Por outro lado, uma notícia menos animadora envolve a defesa. Diego Carlos, que vinha sendo observado como opção para o sistema defensivo, deve permanecer na Europa. O Como pretende exercer a compra, o que praticamente tira o jogador da lista colorada. E isso pesa porque o Inter procura zagueiro no mercado e já começa a ver algumas alternativas escapando.
Nesse cenário, Joaquim, atualmente no Tigres, surge como uma opção mais plausível. As conversas existiram, o clube ouviu o staff do jogador e o nome segue no radar. Só que não houve avanço suficiente para cravar qualquer coisa. O que se percebe é que o Inter está tateando o mercado, tentando entender quem realmente pode chegar e quem é apenas possibilidade distante.
A frase de Abel, falando em boas novidades para a janela, mostra justamente isso. O clube trabalha, conversa, monitora e tenta abrir caminhos. Mas ainda está naquela fase de sondagem, de alinhamento e de estudo. Ou seja, o Inter sabe que precisa agir, principalmente pensando no meio e na defesa, mas ainda não transformou interesse em solução concreta.