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·8 de junio de 2026
Operação Prova Limpa: Adriano Quintanilha e inspetor da PJ vão ser julgados em outubro

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Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) e Adriano Quintanilha, antigo responsável máximo da W52-FC Porto, vão começar a ser julgados em outubro por alegadamente terem arquitetado um plano para impedir que o empresário fosse implicado no esquema de doping da equipa de ciclismo.
A informação foi avançada hoje à agência Lusa por fonte judicial, que acrescentou que o arranque do julgamento está marcado para as 10:00 de 7 de outubro, no Tribunal de Felgueiras, em julgamento singular, no distrito do Porto.
Em setembro de 2025, o Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel pronunciou os arguidos, ou seja, decidiu levá-los a julgamento nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP), depois de ambos terem pedido a abertura de instrução.
A acusação do MP, divulgada pela Lusa, refere que Adriano Sousa, mais conhecido como Adriano Quintanilha, e o inspetor da PJ “decidiram criar” um Código de Conduta falso, com o objetivo de demonstrar que Quintanilha e a Associação Calvário Várzea, que esteve na origem da W52-FC Porto e da qual era presidente, desconheciam o esquema de doping investigado no processo Prova Limpa.
Esse documento foi depois entregue aos ciclistas e ao então diretor desportivo da equipa, Nuno Ribeiro, para ser assinado, com a finalidade de afastar Adriano Quintanilha e a Associação “da então indiciada conduta do diretor desportivo da equipa e dos seus ciclistas”.
A investigação teve origem nas buscas realizadas em abril de 2022, no âmbito da Operação Prova Limpa.
“O arguido Adriano Sousa, alarmado com as consequências penais e disciplinares que aquelas condutas acarretariam para si e para a Associação sua representada, decidiu delinear um plano que visasse eximi-lo, a si e à Associação, de qualquer eventual responsabilidade dos factos em investigação naquele processo”, refere a acusação.
Segundo o MP, o empresário, de 73 anos, contactou então “o seu amigo, que sabia ser inspetor da Polícia Judiciária, a exercer funções na Diretoria do Norte, e que sabia partilhar consigo o mesmo sentimento de apego à equipa W52-FC Porto e ao ciclismo”.
O inspetor da PJ, de 57 anos, “ciente do pretendido pelo arguido, decidiu criar e executar, em conjunto com este, um plano que permitisse alcançar os fins visados” pelo amigo.
Nesse contexto, os dois arguidos “decidiram criar um documento que visasse atestar que Adriano Quintanilha e a Associação “desconheciam as práticas que estavam em investigação” no processo Prova Limpa “e que por isso nenhuma responsabilidade penal, contraordenacional ou disciplinar lhes podia ser assacada”.
Assim, “na concretização do plano delineado e com o propósito de diminuírem as repercussões negativas da existência do processo” para a associação e para Adriano Quintanilha, os dois arguidos “decidiram criar um Código de Conduta com data anterior a abril de 2022”, mês em que ocorreram as buscas e apreensões da Operação Prova Limpa.
“Decidiram ainda os dois arguidos, que desse documento constariam, em particular, cláusulas cujo conteúdo atestasse que qualquer comportamento do diretor desportivo e dos ciclistas que fosse violador das regras antidopagem teria sido tomado à revelia, contraindicação e com o total desconhecimento da Associação e, consequentemente, do seu presidente, o aqui arguido Adriano Sousa”, sustenta o MP.
Na posse do documento, datado de janeiro de 2022, os dois arguidos, “sempre em comunhão de intenções, decidiram entregá-lo ao diretor desportivo, Nuno Ribeiro, e aos ciclistas da equipa, em particular os que haviam sido visados nas buscas, para que estes o assinassem, bem sabendo que a data aposta no documento não correspondia à data da elaboração e da assinatura do referido documento”.
Segundo o MP, para convencer Nuno Ribeiro e os ciclistas a assinar o documento, Adriano Quintanilha alegou que “estariam a proteger a equipa de ciclismo, a sua participação enquanto ciclistas da W52-FC Porto e o seu trabalho”.
A acusação afirma ainda que um dos ciclistas só assinou o documento porque foi ameaçado por Quintanilha de que não receberia o ordenado.
A Calvário Várzea, Adriano Quintanilha e o inspetor da PJ estão acusados de falsificação de documento. Quintanilha responde ainda por coação, enquanto o inspetor está igualmente acusado de favorecimento pessoal.
No processo principal da W52-FC Porto, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro foram condenados a penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão pelo esquema de doping, tendo ambos recorrido.







































