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JB Filho Repórter

·27 de julio de 2026

Os pontos positivos e negativos do retorno do Grêmio na Arena

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  • O Grêmio empatou em 1 a 1 com o Fluminense, na Arena, e ficou com aquele gosto estranho de quem poderia ter saído com algo melhor. Foi o primeiro jogo depois da parada em casa e, no fim das contas, a sensação é de que o resultado ficou no meio do caminho. Para mim, Fábio foi o melhor jogador em campo. O Grêmio, no primeiro tempo, ficou mais recuado, com menos posse de bola do que o Flu. Na segunda etapa, teve mais ousadia, foi mais para o ataque e criou boas chances, mas parou em defesas importantes do goleiro adversário, mesmo com mais de 40 anos.
  • Carlos Vinícius teve uma cabeçada, Tetê ficou cara a cara com o goleiro, Nardoni também apareceu com chance na pequena área, e Fábio foi insistindo em fazer grandes defesas. Ao mesmo tempo, o empate também deixa a sensação de que o Grêmio se safou, porque ainda não é um time que encha os olhos para jogar. Talvez isso nem vá acontecer. E, principalmente, o time saiu perdendo por 1 a 0 numa bobagem do Walter Kannemann. Não tem outra explicação para colocar.
  • Em certo momento, parecia que o Grêmio ia repetir a velha história de perder o psicológico, desandar e não reagir depois de sofrer um gol. Só que dessa vez teve reação. E isso também precisa ser colocado na avaliação. O time foi mais seguro, principalmente no primeiro tempo, e jogou mais recuado, com a ideia de primeiro não tomar gol e depois tentar sair. Isso gerou um efeito de mais segurança, como se o Luís Castro tivesse pensado: primeiro vou garantir o 0 a 0, depois eu saio. Não era algo que vinha acontecendo antes e, principalmente, não voltou a ser assim contra o Mirassol.
  • Acho que esse jogo pode até servir como um divisor de águas para essa questão. O Grêmio começou com uma linha de quatro defensores, dois laterais, dois zagueiros e um tripé no meio-campo. Noriega apareceu como primeiro volante, Villasanti pela direita e Nardoni pela esquerda. Mais à frente estavam Tetê de um lado, Amuzu do outro e Carlos Vinícius no ataque. Dá até para dizer que era um 4-1-4-1, porque o time se comportava de forma diferente com e sem a bola. O fato é que o Grêmio jogou mais seguro e mais recuado no primeiro tempo.
  • O primeiro gol do Fluminense, porém, nasceu de uma falha ridícula do Kannemann. O Grêmio tinha a partida controlada e o zagueiro, que até então vinha sendo um dos principais acertos do técnico Luís Castro, cometeu um pênalti bobo, com o braço aberto, sem necessidade nenhuma. Eu sei que muita gente vai dizer que o lance não deveria ter sido marcado, porque a bola talvez não fosse entrar e nem estava necessariamente indo em direção ao gol. Mas a regra diz que, com o braço aberto, a marcação tem que acontecer. Não tem muito o que discutir nesse ponto.
  • Ao mesmo tempo, o Grêmio não pode ignorar o lado positivo da partida. Depois de sair perdendo, o time foi atrás, criou várias chances e poderia até ter virado o jogo. O Carlos Vinícius teve uma cabeçada importante, o Tetê ficou cara a cara com Fábio após um passe maravilhoso do Amuzu e o Nardoni perdeu uma boa oportunidade dentro da área. Foram pelo menos três milagres do goleiro adversário, o que mostra que o Grêmio produziu. Não dá para ignorar isso na avaliação.
  • Talvez o grande ganho do jogo tenha sido a confirmação de que alguns jogadores começam a entrar no time de vez. Villasanti, por exemplo, não sai mais do meio-campo. O treinador enxerga nele muita movimentação, ajuda na marcação, participação na criação e chegada ao ataque. O mesmo vale para Nardoni, que começa a mostrar algum sinal de que pode ser um jogador interessante no futuro, se entrosando melhor com a equipe. Ainda não é aquele jogador de 10 milhões de dólares que foi comprado, mas já existe alguma coisa ali.
  • Outra novidade importante foi Marlon, que foi titular e foi muito bem. Plenamente recuperado, já aparece como opção para seguir na equipe. Pedro Gabriel entrou na segunda etapa e até participou de uma boa jogada pela esquerda, mas Marlon, neste momento, deve ser titular.
  • Só que o empate veio mesmo por conta da luz e da estrela de um estreante: Diego Caito. O lateral-direito, que era do Goiás, custou R$ 5 milhões ao Grêmio e entrou já jogando para frente, com personalidade. Ele escapou da falta, driblou um marcador, cruzou a bola, que bateu no zagueiro do Fluminense, encobriu Fábio e terminou no gol do empate. Teve sorte de principiante, claro, mas também teve personalidade de quem não sente a camisa e foi recompensado logo na estreia.
  • E aí entra também Jovane Cabral, que fez sua primeira partida e participou da jogada do gol com uma inversão de jogo. Começa-se a ver, pelo menos, alguma coisa desses novos reforços. Talvez o Luís Castro tenha encontrado um caminho para melhorar o time, porque houve evolução em campo e também no banco de reservas. Há pouco tempo, a sensação era de um elenco muito mais limitado e sem respostas.
  • Por isso, o empate tem gosto agridoce. Tem o lado amargo de empatar em casa, o que é ruim para a tabela e mantém o Grêmio perto da zona de rebaixamento. Mas também tem o lado positivo de ter jogado melhor, ter reagido depois de sair atrás e ter feito o goleiro adversário ser o melhor em campo. Para um time que vinha de um período de parada e ainda procura mais segurança, isso já é alguma coisa.
  • A arbitragem também gerou reclamações dos dois lados. O Fluminense reclamou bastante de cartões e de algumas faltas marcadas no começo da partida. O Grêmio, por sua vez, também tem razões para reclamar, principalmente no lance do pênalti de Kannemann e em outras inversões de marcação. Eu só deixo a arbitragem como último tópico porque sempre tento dar a ela o peso que merece, sem transformá-la no centro da análise. Todo mundo reclama da arbitragem no futebol brasileiro. No futebol mundial também. Basta ver a Copa do Mundo para perceber isso.
  • No fim, o sentimento é de um empate com sensação dupla: frustração por não vencer em casa, mas também algum alívio por ver o Grêmio competir melhor, criar chances e mostrar que alguns reforços podem, de fato, ajudar o time na sequência da temporada.
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