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·10 de marzo de 2026
Presidente do Corinthians promete pedir impeachment de Tuma, que rebate acusações

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·10 de marzo de 2026

Por André Costa e Tiago Salazar
O conflito entre Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior ganhou um novo capítulo nesta terça-feira. Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, o presidente do Corinthians prometeu solicitar o impeachment do presidente do Conselho Deliberativo.
“Eu vou solicitar [impeachment de Romeu]. Vou solicitar. O cara chegar para um presidente do Corinthians, com 35 milhões de adeptos, e falar o que ele falou? Tenho que fazer alguma coisa, se não sou covarde. Ele tenta interferir na gestão de uma forma que eu não estava deixando acontecer, mas o cara chegar no seu ouvido e falar alto: ‘Ou faz ou vou te f… ?’. Vou fazer uma representação na Ética. Ele não falou para fazer? Então, vou fazer”, afirmou Osmar Stabile.
A reportagem da Gazeta Esportiva também procurou Romeu Tuma Júnior. Ele coloca o tema da reforma estatutária do clube acima de qualquer discussão pessoal, diz estar com a consciência tranquila e não teme perder o cargo.
“Que fato pode ser maior que uma reforma estatutária depois de 20 anos e mais 2 anos ininterruptos de trabalho sobre isso e na situação que o clube está?”, indagou Tuma.
“Se por retaliação o custo tiver que ser a perda de qualquer cargo, estou disposto a pagar. Estou com a consciência tranquila. Não tenho apego a cargo, apenas cumpro minhas promessas. A missão que eu recebi desde o início do meu mandato foi a de conduzir uma reforma modernizadora do estatuto. Tenho um compromisso com cada pessoa que compareceu às audiências e apresentou propostas. Mas, acima de tudo, um compromisso com a torcida, que exige de nós um Corinthians moderno e democrático. Nenhum fato é maior que essa verdade”, acrescentou.

(Foto: Evander Portilho/ Ag. Corinthians)
Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior ofuscaram a votação da reforma do estatuto do Corinthians com um bate-boca que ferveu o Parque São Jorge na última segunda-feira.
A discussão ocorreu logo no início da reunião no auditório da sede social do clube. Stabile fez graves acusações contra Romeu, que se defendeu e alegou ter provas que o presidente estaria mentindo. O entrevero foi o estopim para um grande tumulto entre conselheiros, com direito a troca de ofensas e até empurrões.
Stabile acusa Tuma de tentar interferir na gestão executiva do clube. Segundo Osmar, a gota d’água foi na última sexta-feira, em conversa entre eles. O presidente alega ter sido ameaçado por Romeu.
De acordo com o dirigente, Romeu teria se dirigido a ele durante o jantar e dito: “Ou você faz o que eu quero, ou eu vou te f…”.
O motivo do conflito é a suposta contratação de Aldair Borges para integrar a equipe de seguranças do Parque São Jorge. O profissional foi citado em um inquérito da Polícia Civil como responsável por esconder as grades e liberar acesso de pessoas não autorizadas ao clube no dia 20 de janeiro de 2025. Na ocasião, houve uma grande confusão após uma reunião do Conselho que votaria o impeachment do então presidente Augusto Melo.
À Gazeta Esportiva, Stabile voltou a negar que o profissional tenha sido recontratado. Ele diz que Aldair esteve no Parque São Jorge para pedir emprego alegando estar passando por uma situação financeira complicada, mas não foi admitido.
“Teve um cara chegando lá para pedir para voltar e foi rejeitado, falou que estava passando por uma situação difícil, mas não foi e nem seria contratado, porque teve a situação dele na invasão. Tem uma foto que vazou, sem querer, e o Tuma caiu na conversa fiada, ele caiu na mentira e foi tirar satisfação comigo”, afirmou Osmar.
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Romeu Tuma Júnior, por sua vez, garante ter provas de que a diretoria executiva recontratou não apenas um, mas dois profissionais envolvidos no episódio. Ele também nega qualquer ameaça a Stabile.
“Estou tranquilo e aguardando qualquer tipo de representação que seja oferecida contra mim. Inclusive, já requisitei ao presidente da Comissão de Ética, Leonardo Pantaleão, que realize apuração de todos os fatos, recuperando as imagens de câmeras de segurança, além de disponibilizar o Boletim de Ocorrência que registrei no dia do ocorrido. Ele contratou não um, mas dois seguranças envolvidos no episódio, e depois do alerta que fiz na sexta-feira, sabendo que a repercussão interna seria desastrosa, ele mandou os caras embora. Nunca o ameacei, somente o alertei, e no foro adequado iremos provar quem foi ameaçado naquele episódio”, disse o presidente do CD à reportagem.

(Foto: André Costa/Gazeta Press)
Stabile também explicou por que decidiu expor a situação ao Conselho e questionou a forma como Romeu encerrou a votação da última segunda-feira. Após discutir com Osmar, Tuma decidiu suspender a reunião por dez minutos, mas pôs fim ao encontro e se retirou do auditório antes mesmo do prazo se esgotar.
“O fato é mais importante do que o momento. A reunião poderia ter continuado. Ninguém bateu em ninguém, discussão é comum em qualquer Conselho de qualquer clube. O mais importante, ele interrompeu a reunião por dez minutos e, com seis minutos, juntou tudo e foi embora, saiu pelo fundo. Ele poderia ter esperado os dez minutos. Eu atendi a torcida lá embaixo, subi e fui trabalhar. Não esperou os dez minutos”, pontuou o presidente do Corinthians.
“A reunião não acabou por causa disso. Ele se aproveitou desse momento. Tanto que os outros conselheiros ficaram lá. Tinha clima para continuar. Discussão é natural. Antigamente, era cadeirada. Hoje, ninguém bate em ninguém. Discussão é comum, isso acontece. Se você não tem estrutura para continuar, vai embora”, acrescentou.
Já Romeu Tuma Júnior alega que não havia necessidade de esperar os dez minutos para encerrar a reunião. Ele diz que não havia clima para retomar o encontro e relatou ameaças de outros conselheiros.
“Não há nenhuma necessidade de esperar os dez minutos. Aproximadamente aos sete minutos eu reabri a reunião, mas já estavam ocorrendo ameaças, intimidações a mim e a vários outros conselheiros. Não havia clima para continuidade da reunião. Aliás, eu suspendi a reunião porque o próprio presidente se apoderou do microfone como se ele fosse o presidente do Conselho e começou a chamar seus funcionários para falar sem qualquer obediência às regras institucionais. Ele desrespeitou completamente o Conselho”, afirmou Tuma.
“Lamento muito o que ele fez. Aliás, se o fato fosse mais importante do que o momento ou vice-versa, ele deveria ter me representado muito antes e ter usado a reunião apenas para comunicar o fato, informar que havia adotado as providências adequadas. Não sei, sinceramente, como o Osmar pode dormir em paz depois de me caluniar e difamar como fez ontem”, concluiu.

Conselheiros do Corinthians discutem no auditório do Parque São Jorge (Foto: André Costa/Gazeta Press)
Diante do caos que se instaurou na reunião do Conselho após a discussão entre Romeu e Stabile, Tuma encerrou o encontro e informou que a votação será levada diretamente para a Assembleia Geral dos sócios, em data ainda a ser definida.
Para isso, o presidente do CD se apega no artigo 45, inciso II, letra A do estatuto do clube, que prevê a possibilidade da reforma estatutária passar somente pela Assembleia Geral, desde que a necessidade da mesma seja reconhecida pelo Conselho. Veja o que diz o artigo:
“A Assembleia Geral reunir-se á:
II – Extraordinariamente, a qualquer tempo, para:
A – aprovar a alteração deste Estatuto, nos termos do Código Civil, quando expressamente convocada para esse fim, reconhecida, preliminarmente, pelo CD, a necessidade da alteração.”
O tema se arrasta desde o ano passado no Parque São Jorge. O novo estatuto deveria ser votado em dezembro de 2025, porém conselheiros decidiram adiar o processo para discutir melhor alguns dos termos do anteprojeto. A princípio, o desejo de Tuma era concluir o rito até o fim do último ano.
O novo estatuto, apresentado em outubro do ano passado, aborda tópicos relevantes como o direito de voto ao Fiel Torcedor e a transformação do Corinthians em SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
Foram realizadas dez audiências públicas para debater os principais itens do texto. Os encontros, vale dizer, tiveram baixo quórum. Desde 2024, a Comissão da Reforma do Estatuto trabalha no projeto, que foi desenvolvido a partir de discussões internas e conversas com movimentos organizados externos, como a Gaviões da Fiel.









































