Zerozero
·25 de febrero de 2026
Promessa em Madrid, flop na Luz: «Dei uma entrevista e aquilo caiu mal no Benfica»

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·25 de febrero de 2026

Jorge López Marco, apenas Tote no mundo do futebol, chegou as águias na temporada 1999/2000, proveniente do Real Madrid. No total, realizou 11 encontros pelas águias, marcando três golos.
Elogiavam-lhe o pé esquerdo, a capacidade técnica, mas na Luz pouco ou nada mostrou. O treinador Jupp Heynckes deu-lhe apenas uma titularidade no campeonato (Rio Ave, 1-0) - ironicamente, na última aparição em Portugal - e nunca o viu como opção real.
Na sua chegada a Lisboa, Tote era visto como um verdadeiro craque. Uma grave lesão no joelho direito comprometeu, ainda mais, a ligação ao Benfica. Sem surpresa, o empréstimo durou só uma temporada.
O esquerdino voltou ao Real Madrid, fez ainda sete jogos na época seguinte pelos blancos, antes de abraçar em definitivo o rótulo de promessa adiada.
Em dia de Real Madrid-Benfica, decisivo para a vida dos clubes na Liga dos Campeões, o zerozero esteve à conversa com o antigo avançado, de forma a recordar os tempos vividos em Lisboa e a lançar este duelo ibérico.
Tote surgiu nos escalões de formação do Real Madrid e chegou à equipa principal, mas com pouco tempo de jogo. Foi então emprestado ao Benfica, à procura dos minutos necessários para se afirmar no futebol europeu.
«Eu tinha feito a minha estreia no Real Madrid na equipa principal, tinha-me estreado no final da época. Depois fui convocado para vários jogos. Eu tinha vontade de jogar no Real Madrid, mas era muito difícil», começou por dizer.
«Tive a possibilidade de ir para o Valladolid, mas acabou por surgir o Benfica e gostei muito da experiência. Era também jogar na Europa e decidi ir para Lisboa com muita vontade, com o sonho de triunfar e de fazer as coisas bem feitas.»
Contudo, era a primeira vez que o jogador saía de casa, o que dificultou a adaptação: «No início, custou-me, foi a primeira vez que saí de casa, de Madrid, de estar com a minha família para ir sozinho.»
Naquela altura, os encarnados contavam com inúmeros jogadores conhecidos a nível europeu, atletas consagrados, concorrência intensa e a pressão típica de um clube como o Benfica. Tote recordou alguns nomes do plantel:
«Antes de ir, estudei um pouco e vi com quem ia estar. Um deles também tinha muita, fama porque era um avançado que marcava golos. Estavam o João Vieira Pinto, o Maniche, o Calado, o Hugo Porfírio e o Jorge Cadete, que já tinha jogado em Espanha. Conhecia-os, de ouvir falar deles. O João Pinto portou-se muito bem e, quando cheguei, recebeu-me maravilhosamente. Os treinos agradavam-me bastante, pela qualidade que tinham», declarou.
O avançado deixou mais elogios a João Pinto: «Nessa altura já era um jogador mais consolidado, a jogar na seleção principal e a titular no Benfica. Era um jogador muito bom. O jogador português costuma ser técnico e ele era um médio-ofensivo muito habilidoso, com a cabeça sempre levantada. A verdade é que me surpreendeu bastante.»
No momento em que o avançado começava a ganhar minutos no plantel do Benfica, surgiu um contratempo: uma lesão no joelho direito afastou Tote dos relvados.
«Quando melhor me estava a sentir, disseram-me que ia começar a jogar a titular. No primeiro jogo em que fui titular em casa, rompi os ligamentos do joelho. Estive vários meses de baixa, com uma joelheira com arames, era complicado, e praticamente o ano acabou ali para mim. Já estávamos em maio, quando recuperei», confessou.
Tote relembrou também o seu principal desentendimento com o treinador Jupp Heynckes:
«Estava bem até ao jogo de Vigo, para a Taça UEFA, em que sofremos sete golos, se não me engano (7-0). Eu fiquei no banco. Entretanto, dei uma entrevista e aquilo saiu em grande nos jornais em Portugal. E isso caiu mal [a Heynckes]. Inicialmente, a nossa relação era boa, mas depois ficou má. Depois tive uma discussão com ele, mas quando parecia que as coisas estavam novamente a compor-se, lesionei-me.»
«Tive azar, mas isso não tira que a experiência tenha sido maravilhosa, em todos os sentidos», concluiu.
O Benfica procura vencer os blancos, para poder sonhar com a passagem aos oitavos de final da Champions League, Tote comentou a abordagem do Benfica ao duelo europeu com o Real Madrid no primeiro encontro:
«Não foi o Benfica das semanas anteriores, porque nesse jogo de 4-2 ao Benfica só lhe servia ganhar. Então, numa eliminatória de 180 minutos, vais mais com o travão puxado e não me agradou tanto como da primeira vez», disse, acrescentando a seguinte ideia:
«Agora é diferente, agora tem de ir ganhar, outro resultado não lhe serve e imagino que vá ser ousado. E o Madrid não está bem, por mais que jogue no Bernabéu, o que é sempre uma vantagem. Mas futebolisticamente não está bem. O Benfica tem as suas possibilidades.»
E que probabilidades reais terá o Benfica?
«Não vai ser fácil, porque no fim, por muito mal que esteja o Real Madrid, eles não deixam de ser o Madrid e em casa há uma história que se tem de respeitar. Mas sim, o Benfica tem argumentos. Já o fez uma vez, pode fazê-lo outra vez.»
Tote, uma promessa adiada em Madrid e um flop com atenuantes na Luz.









































