Respeito às individualidades e dedicação aos estudos: como Bia Vaz foi de meio-campista à treinadora | OneFootball

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·8 de julio de 2026

Respeito às individualidades e dedicação aos estudos: como Bia Vaz foi de meio-campista à treinadora

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Para definir as melhores táticas e explorar as habilidades da equipe em jogo, o técnico tem, antes de tudo, que conhecer o perfil de cada um dos seus jogadores. Não por acaso, os treinadores são chamados de professores. Como mestres, identificam as vulnerabilidades e potencializam as qualidades, dentro e fora de campo.

Da infância na Zona Norte de São Paulo, passando pelo futebol profissional como jogadora até assumir a função de técnica, os caminhos percorridos por Beatriz Vaz e Silva traçaram a visão que ela tem hoje sobre liderança.


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“Lidar com pessoas é sempre difícil, porque a gente tem que respeitar o outro. Geralmente, primeiro vêm os julgamentos. A gente olha o outro com os nossos olhos e o que de bonito ou não a gente tem para oferecer. O tempo vai nos mostrando que lidar com as pessoas é muito sobre respeitar quem elas são e entender como nós somos também, porque temos muitas limitações”, reconhece.

Infância no esporte

Com olhos atentos, Bia mais escuta do que fala. Até nos momentos tensos de jogo, é nas anotações - em papel - que ela dá forma e organiza o raciocínio antes de instruir as atletas. A tríade esporte, estudos e pessoas esteve presente desde cedo. Ainda criança, ela teve uma vivência esportiva diversa graças ao seu Nô, Claudionor Pereira da Silva, e ao bairro onde morava.

“Meu pai sempre gostou muito de jogar e me levava para tudo quanto é lugar. E a Vila Amélia é um bairro super arborizado, a gente jogava a bola o dia inteiro no final da rua. E tinha joguinhos de rua, pião, bolinha de gude, pipa, vôlei, basquete. E, nesse paralelo, meu pai me colocou no karatê”, conta.

Sem saber definir o momento em que a brincadeira de rua virou coisa séria, ela recorda que, por volta dos 12 anos, deixou de lado o tatame para priorizar a bola. O professor da escola Luiz não só permitiu que ela praticasse as modalidades coletivas, como também a incentivou a procurar um clube e cursar educação física, anos mais tarde.

Clubes e títulos

“Um aluno que fazia educação física com o Luiz, o Carlinhos, era o treinador do Macabi, que tinha um time só para meninas. Aí eu fiz um teste na Juventus, já estava com uns 15 anos. E lá eu conheço a Magali, que é uma referência quando a gente pensa em futebol feminino em São Paulo”, lembra.

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Com a Ferroviária, Bia Vaz conquistou o Campeonato Brasileiro de 2014Créditos: Tetê Viviani

Da agremiação da Mooca, a meio-campista passou pelo Itanhaém, Mackenzie (onde concluiu a faculdade de educação física), Foz Cataratas, Ferroviária, São José, Flamengo e Osasco Audax. No caminho, teve duas experiências no exterior - uma para estudar e a outra para jogar uma temporada no Boston Breaks. Além das convocações com a Seleção Brasileira e títulos nacionais e internacionais.

Com os clubes, ganhou o Campeonato Brasileiro Feminino de 2014 e 2016, a Copa do Brasil Feminina de 2011 e 2014 e o Paulista Feminino de 2013. E, na Amarelinha entre 2013 e 2016, foi campeã da Copa América Feminina de 2014.

Amadurecimento e transição de carreira

Apesar das dificuldades de adaptação nos Estados Unidos e da frustração, ela avalia o período como importante para crescimento pessoal e profissional. “O Boston Breaks foi muito desafiador, porque o jogo era muito vertical e eu tinha saído de um jogo parecido com o de rua e do futsal, de combinação e pegar na bola o tempo inteiro. Na época, essa lógica do jogo não estava tão clara assim e me esforcei pouco para me adaptar àquela realidade. Acho que é um pouco de maturidade”, reconhece.

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Bia também enaltece as convocações para a Seleção Brasileira, as quais define como experiências além do futebol: “Sabe quando você vive um sonho? As suas companheiras são referências, as pessoas que trabalham com você também são gigantescas e a experiência é coletiva, você fica bastante tempo um com o outro e aquilo te faz crescer”.

Mesmo não jogando tanto com a camisa do Brasil, ir para as competições e fazer parte do grupo a fortaleceu e a fez entender e respeitar as as colegas de equipe e as decisões dos treinadores. Diferentemente da escolha despretensiosa pelo futebol profissional na adolescência, a transição de carreira para técnica foi mais pensada.

Aos 31 anos, o corpo, a mente e as motivações para se manter em campo eram outros. Ela já tinha tirado a licença B, voltada para o comando de categorias até o Sub-20, e contava com o apoio de integrantes da comissão da Seleção Feminina, como Vadão e Fabrício Maia.

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Próximo desafio da Seleção Sub-15 é a Liga Evolução Conmebol, em setembroCréditos: Luciana Vermell/CBF

“Eles tiveram muita paciência comigo no dia a dia. E as atletas entenderam meu momento de mudança de cargo e foram super receptivas e acolhedoras, me dando o suporte para eu me sentir mais segura dentro daquilo que eu estava fazendo”, agradece.

Antes de voltar à Seleção Brasileira Feminina como auxiliar técnica da Sub-17, com Rilany Silva, e técnica da Sub-15, no início deste ano, ela comandou o Sub-20 do Corinthians por duas temporadas, 2024 e 2025. Ao lado de Rilany, conquistou o Sul-americano Sub-17 e terá como próximos desafios a Liga Evolução Sub-15 da Conmebol, em setembro no Paraguai, e a Copa do Mundo Sub-17, em outubro no Marrocos.

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