Última Divisão
·11 de julio de 2026
SAF, dívidas e troca de comando: O que explica a crise do América-MG na Série B

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·11 de julio de 2026

O sinal de alerta está ligado no Horto! Com 16 rodadas disputadas até aqui na Série B de 2026, o América-MG já faz uma das piores campanhas de sua história na competição. Com uma vitória, três empates e 12 derrotas, o Coelhão está na lanterna isolada com apenas seis pontos conquistados.
Além disso, a equipe de Belo Horizonte tem o pior ataque do torneio, com 10 gols marcados e a terceira pior defesa, com 27 gols sofridos. Segundo o Departamento de Matemática da UFMG, o time tem 93,9% de chances de cair para a Série C. Se quiser escapar, terá de vencer mais da metade dos jogos restantes da temporada.
O que explica uma fase tão ruim de um clube acostumado a disputar o acesso na Série B? Para entender melhor, é preciso voltar algumas casas (ou melhor, alguns anos).
A raiz da crise financeira do América-MG — que hoje carrega uma dívida estimada em R$ 244 milhões — está ironicamente ligada aos seus anos de glória. Em 2022, o clube viveu seu auge ao disputar pela primeira vez a Copa Libertadores. Já em 2023, também como estreante, o Coelhão chegou às quartas de final da Copa Sul-Americana.
Antes disso, o América já tinha alcançado de forma inédita a semifinal da Copa do Brasil de 2020, eliminando Corinthians e Internacional, e caindo apenas para o Palmeiras. Portanto, era um claro momento de ascensão do clube, tido como um primo mais humilde da dupla Atlético-MG e Cruzeiro.
Com isso, a diretoria decidiu apostar alto para manter o nível competitivo, mas o retorno não se sustentou. Tanto que, ainda em 2023, o América-MG fez uma péssima campanha na Série A, terminando na lanterna e retornou à Série B.
Na Série B de 2024, a gestão manteve gastos altos na tentativa de um acesso imediato, mas terminou apenas em 8º lugar. Como admitiu o diretor de futebol Paulo Assis, o América demorou a entender a nova realidade orçamentária da segunda divisão, criando um efeito bola de neve nas finanças.
Para piorar, a mudança para o modelo de SAF (Sociedade Anônima do Futebol) está estagnada desde 2022. Isso muito por conta de um cabo de guerra político que se desenrola nos bastidores do clube, o que costuma afugentar os investidores.
No começo do ano, o fundo GPA Capital propôs a compra de 80% da SAF do América-MG por quase R$ 1 bilhão, sendo R$ 187 milhões para pagar as dívidas do clube e R$ 800 milhões para serem aportados em dez anos. O fundo seria gerido por Vinícius Diniz, que liderou as SAFs do Athletic-MG e do Santa Cruz.
O negócio não foi para frente, segundo Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão, por falta de transparência por parte da gestora. Porém, em junho de 2026, o presidente do Conselho Deliberativo, José Flávio Lanna Drummond, alegou que o negócio travou por forte resistência de Marcus Salum, que criou entraves na hora de finalizar o contrato.
“Olha, estou te falando que eles pediram, depois de tudo acertado, uma antecipação de R$ 20 milhões. Como que um fundo vai antecipar R$ 20 milhões para o América? Sem assinar um documento, sem ter o acesso lá dentro, como ele começará a pagar as dívidas?”, disse Drummond em entrevista.
Fora as brigas em torno da SAF, o Coelhão teve que lidar com duas saídas importantes de 2025 para 2026. Primeiro foi a do presidente da associação, Alencar da Silveira Jr., em setembro de 2025. Ele deixou o clube para assumir a função de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.
Já no final do mesmo ano, o CEO e presidente da SAF Dower Araújo também se desligou do América-MG. Em nota, ele disse que sua saída foi por motivos pessoais e para cuidar da saúde. Tanto Alencar quanto Dower estavam no clube desde meados da década de 2010.
Para seus lugares, Márcio Vidal passou a ocupar tanto as funções de presidente da SAF quanto do Conselho de Administração do América-MG.
Como é de praxe, o reflexo do caos institucional aparece nas quatro linhas. Só em 2026, três técnicos já comandaram o time.
O Coelhão começou o ano com Alberto Valentim, que estava no clube desde agosto de 2025. Ele havia chegado para salvar o clube do rebaixamento na Série B da temporada passada (e conseguiu). Ele até fez uma boa campanha no Campeonato Mineiro, caindo apenas na semifinal para o Atlético-MG. Mas, um jejum de 11 jogos sem vitórias e a queda na Copa do Brasil para o estreante Barra pesaram contra o treinador, que caiu após a quarta rodada da Série B.
Para seu lugar, o clube contratou Roger Silva. Só que, após 48 dias, ele acabou demitido com um retrospecto de duas vitórias (ambas pela Copa Sul-Sudeste), dois empates e seis derrotas.
Neste momento, quem está à frente do clube é Umberto Louzer, que tem a difícil missão de tirar o Coelhão do buraco. A boa notícia é que ele já conseguiu a primeira vitória na Série B, com um inesperado 3 a 0 sobre o Fortaleza em pleno Castelão.
Além disso, a diretoria corre contra o tempo para reformular o elenco e evitar o pior. Pelo menos cinco atletas foram contratados na atual janela de transferências, como o experiente zagueiro Manoel (ex-Fluminense). Por outro lado, oito jogadores deixaram o clube.
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