Zerozero
·12 de enero de 2026
Schettine de saída, Hemir e Yan Lincoln na linha de sucessão: Moreirense terá de se reinventar

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·12 de enero de 2026

Como já tem sido apanágio no clube, o Moreirense perdeu a sua maior referência ofensiva em janeiro. Guilherme Schettine esta de saída para o futebol chinês e segue o caminho de outros avançados que se destacaram em Moreira de Cónegos.
Na temporada passada foram Madson e Gabrielzinho, há duas épocas foi André Luis, goleador máximo da equipa naquela temporada, à semelhança do compatriota Schettine.
O avançado brasileiro - uma das peças mais influentes da equipa na primeira metade da época - despede-se de Moreira de Cónegos e deixa um vazio difícil de preencher. São nove golos esta temporada, juntando aos seis que já marcou na temporada passada. Números difíceis de igualar.
Os números ajudam a explicar a sua importância para os cónegos, mas não contam toda a história. O brasileiro era muitas vezes o primeiro defesa e demonstrava qualidade para ligar os ataques e combinar com os colegas.
A proposta vinda da China surgiu como uma oportunidade difícil de recusar. O jogador estava em final de contrato com os cónegos e poderia sair a custo zero no final da temporada, conseguindo assim o clube tirar rendimento financeiro depois deste ter dado também rendimento desportivo. Para o Moreirense, é mais um teste à sua capacidade de se reinventar a meio da época.
Sem Schettine, o ataque do Moreirense entra inevitavelmente numa fase de reajuste. É neste contexto que surgem Luís Hemir e Yan Lincoln como soluções naturais.
Os dois jovens avançados vêm de contextos muito diferentes e vão agora ter uma oportunidade de ouro para se mostrarem a Vasco Botelho da Costa e, quiçá, conquistarem o seu espaço no onze.
Na ausência de Schettine, Hemir foi o escolhido para começar o jogo com o Tondela como referência de ataque. O avançado de 22 anos não fez um jogo brilhante - como toda a equipa, a bem da verdade - e acabou substituído aos 69’ minutos.
Com características diferentes das de Schettine, Hemir oferece maior frescura, intensidade e vontade de atacar o espaço, embora ainda careça de maturidade competitiva ao mais alto nível. É um jogador muito alto mas não parece tão bom quanto Schettine no jogo aéreo.
A sua integração tem sido progressiva, visto que chegou apenas no último dia de mercado, e a saída do brasileiro pode acelerar esse processo.
Quem entrou para o seu lugar foi Yan Lincoln. O avançado brasileiro de 23 anos vem de um contexto diferente de Hemir - chegou da Liga 3, vem de um nível mais baixo e está em crescendo - e parece menos preparado para ser opção neste Moreirense. É um avançado esforçado e batalhador, não sendo um prodígio técnico.
A adaptação do brasileiro passa também por uma maior consistência defensiva e por decisões mais rápidas, algo que o patamar mais alto do futebol português já não perdoa. Diante do Tondela, falhou um passe aos 90+3’ que poderia ter deitado tudo a perder, valeu Caio Secco.
Vasco Botelho da Costa abordou o assunto na conferência de imprensa e apontou para a qualidade do grupo na sua totalidade:
«Não é algo que tenha grandes dados para avançar, está entregue à administração. Se olharmos ao nosso plantel e virmos os jogadores que jogam hoje e os que jogavam há cinco semanas atrás há muitas diferenças, o que significa que há muita qualidade. Estou satisfeito com o que fazemos, o Moreirense é um clube que o mercado é sempre importante, o nosso objetivo é a evolução da equipa».
A transferência de Schettine acaba por simbolizar a realidade dos clubes médios do futebol português: valorizar e saber vender como ponto principal. Cabe agora ao Moreirense transformar uma perda relevante num novo capítulo de crescimento, confiando que Luís Hemir e Yan Lincoln possam aparecer. O mercado está aberto e o Moreirense deve seguir atento a oportunidades de negócio.









































