Jogada10
·3 de febrero de 2026
Seedorf cobra mais ações contra o racismo e avalia o Brasil na Copa: “Abaixem as expectativas”

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·3 de febrero de 2026

O ex-jogador Clarence Seedorf, multicampeão e principal embaixador da World Legends Cup, falou sobre temas sensíveis e o futuro do futebol brasileiro durante o lançamento do torneio, nesta segunda-feira (2), em Copacabana. O craque holandês, que marcou época no Botafogo, foi enfático ao cobrar medidas mais duras no combate ao racismo e não poupou elogios à escolha de Carlo Ancelotti para comandar a Seleção Brasileira.
Questionado sobre a luta antirracista e o papel de atletas como Vinícius Júnior, Seedorf defendeu que o peso não pode recair apenas sobre as vítimas. Para ele, as instituições precisam assumir o protagonismo com punições severas.
“Eu acho que é uma batalha que todo mundo tem que fazer junto, não é uma coisa que singularmente a gente pode fazer. Não tem que ter tolerância para nada, para essas coisas. Eu acho que as instituições especialmente são as primeiras que têm que atuar. Os jogadores geralmente são ativos, mas no final alguém tem que tomar decisões, tomar medidas para que as pessoas que estão se comportando de maneira racista não entrem mais no estádio”, afirmou.
Seedorf também valorizou os passos recentes da Fifa, mas pediu maior divulgação e envolvimento local. “Qualquer coisa que aconteça tem que ter uma consequência. Não pode ser tudo em cima dos jogadores. A Fifa criou essa entidade focada só sobre racismo e discriminação. É uma coisa séria, vai ajudar, mas não para aí. Precisa envolver instituições locais também”, completou.
Com a experiência de ter sido treinado por Ancelotti durante oito anos no Milan, Seedorf vê o italiano como a escolha ideal para o Brasil. Ele destacou a capacidade do técnico de gerir egos e criar ambientes vencedores.
“A relação é muito forte, muito positiva. Ele se mostrou ser o melhor treinador do mundo pela capacidade de criar grupos muito competitivos, sempre. Com grandes clubes, com grandes jogadores. A sua capacidade de lidar com grandes jogadores, grandes egos, foi sempre excepcional. Acho que o fato de ele vir para o Brasil significa que ele tem muita motivação”, analisou.
No entanto, o ex-meia alertou que o treinador não fará milagres sozinho:
“Magia não existe, mas eu acho que para o Brasil ele é um cara que vai saber lidar com esse grupo. Criar as condições emocionais equilibradas para poder fazer grandes coisas. Mas no final também os jogadores têm que dar a sua parte. Os líderes do time vão ter que tomar também a responsabilidade para que a sua maneira de trabalhar possa funcionar.”

Seedorf ao lado de Romário durante o lançamento do World Legends Cup – Foto: Cadu Costa / Jogada10
Seedorf também opinou sobre o momento técnico da Seleção e a saída precoce de joias como Endrick e Rayan para a Europa. Sobre a Amarelinha, ele sugeriu que baixar a expectativa pode ser saudável.
“Abaixem as expectativas. Eu acho que uma seleção qualquer, que passa por muitos anos sem competir em alto nível, tem que ganhar esse entusiasmo, tem que mostrar os fatos que você pode esperar de novo. Eu acho que nesse momento o Brasil ainda não mostrou que o pessoal tem que ter expectativas, mas isso não significa que o Brasil não tem potencial para sempre ser campeão”, disse.
Sobre os jovens talentos, Seedorf vê com cautela o êxodo precoce, defendendo a maturação no país.
“A minha visão é que tem alguns que estão prontos para ir e jogar logo. Mas a maioria precisa amadurecer. E tem outra coisa: eu acho que o Brasileirão cresceu de nível ultimamente. Não precisa sair cedo para ficar no banco, para ficar jogando no segundo time lá na Europa. É muito pessoal, mas geralmente é bom amadurecer aqui no país, onde já conhece todo mundo, se afirmar em alto nível e depois dar o passo”, finalizou o ídolo.








































