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·9 de febrero de 2026
Sporting apenas venceu no Dragão três vezes neste século: «É um estádio marcante»

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·9 de febrero de 2026

A jornada 21 da Liga Betclic termina esta segunda-feira e logo com um jogo enorme. Afinal, falamos de um Clássico, entre FC Porto e Sporting, que pode relançar as contas do título, ou «fechá-las» - mesmo faltando bastante campeonato.
Os dragões têm vantagem, de momento, de quatro pontos. Podem terminar a jornada com sete pontos de conforto, com os mesmos quatro, ou com apenas um. Para que esse último cenário aconteça, o Sporting tem de vencer no Estádio do Dragão. Parece simples? O histórico diz outra coisa.
É que olhando para todos os duelos entre as duas equipas com o FC Porto a jogar na condição de visitado, o Sporting venceu apenas três neste século. Se abrangermos um pouco mais, são apenas cinco vitórias nos últimos 50 (!) anos. Por isso mesmo, o zerozero chegou à fala com Paulo Bento, antigo jogador e treinador dos leões, e um dos pouco técnicos a conseguir sair vitorioso do Dragão nesse período.
«Eu creio que a principal dificuldade de lá jogar tem a ver com a capacidade do FC Porto. Se formos olhar um bocadinho para as equipas do FC Porto desse tempo, vemos equipas que foram lideradas por José Mourinho, Co Adriaanse, o ciclo de Jesualdo Ferreira, depois o ciclo do Sérgio Conceição. Já com algum desinvestimento em relação ao passado, no caso do Sérgio, mas são equipas sempre fortes.»
«É um estádio marcante, como é evidente. Para quem vai jogar lá, sente naturalmente esse ambiente, como o FC Porto sentirá quando vai a Alvalade ou à Luz. Se calhar de maneira diferente, mas também o sentirá. Creio que o fator casa tem sempre alguma influência e obviamente a qualidade do plantel e equipas do FC Porto era tremenda, não é? Era desafiante preparar aqueles jogos», começa por dizer-nos.
Atualmente, Paulo Bento está livre no mercado, depois de ter terminado funções de selecionador dos Emirados Árabes Unidos no ano passado. Mas, antes, marcou uma era no Sporting, primeiro como jogador, depois como treinador. Foi técnico dos leões entre 2005 e 2010 e batalhou duramente contra um FC Porto que dominou o arranque do século em Portugal.
«As dificuldades de treinar um clube grande estão sempre presentes, independentemente dos contextos, independentemente dos momentos. Poderá haver contextos que fazem com que o trabalho possa fluir de outra maneira. Mas dificuldades há sempre, pela dimensão do clube, pela obrigatoriedade de ganhar, independentemente das condições, e isso obviamente que sempre existe. Agora, não mais do que isso», considera.
«O Sporting é evidentemente uma das etapas mais marcantes da minha carreira. E não só porque foi ao princípio, não só porque foi longa, mas por tudo. Por tudo, porque se lograram algumas coisas importantes do meu ponto de vista. Porque o trato que recebi durante toda a minha estância em Alvalade, quer como jogador, quer como treinador, foi extraordinário.»
«E por isso foi um privilégio, um prazer e uma satisfação enorme ter representado o Sporting durante tanto tempo. Neste caso, falando mais concretamente como treinador, quem espera treinar um clube com a dimensão do Sporting e não ter dificuldades, está a viver num outro mundo, não está a viver num mundo real», aponta.
E será que Paulo Bento se lembra dessa vitória no Dragão? O técnico de 56 anos passa com distinção no teste.
«Ganhámos na temporada 2006/07, com um golo do Rodrigo Tello [0-1]. Era um jogo complicado. Naquela altura, quando fomos ao Dragão, estávamos a nove pontos do FC Porto, ganhámos e ficámos a seis. E acabámos por perder esse campeonato por um ponto. É um estádio obviamente difícil de ganhar, a história prova isso mesmo. Por diversos fatores, obviamente pelo potencial do FC Porto, que teve sempre grandes equipas. Naquele caso e naquele momento com uma hegemonia no campeonato português.»
«Obviamente, vi um ambiente difícil também, mas foi um estádio que durante esse tempo nos deu resultados razoáveis: perdemos para o campeonato na época 2007/08 por 1-0, empatámos em 2008/09 por 0-0, empatámos em 2005/06 por 1-1. Foi um estádio onde conseguimos, de alguma forma, alcançar bons resultados. Fomos eliminados nos penáltis da Taça de Portugal, depois de empatar 1-1 também. Foram momentos em que se competiu contra uma grande equipa, contra um grande clube e obviamente que não é um estádio fácil de se alcançar bons resultados», relembra.
Enquanto esteve no comando do Sporting, Paulo Bento conquistou duas Taças de Portugal e duas Supertaças. O campeonato foi escapando: 4º lugar em 2009/10 - Paulo Bento não acabou a temporada -, 2º lugar em 2008/09, 2º em 2007/08, 2º em 2006/07 e 2º em 2005/06.
O que faltou então para o desejado título?
«Faltou-nos em algum momento sermos melhores, sermos um bocadinho mais competentes, mas acima de tudo saber que estávamos a lutar contra duas equipas que eram duas equipas fortes, muito fortes, equipas que tinham uma capacidade e determinados aspetos que nós não tínhamos, mas que nos levou sempre a dar o melhor e o máximo que podíamos, cometendo aqui e ali alguns erros que se calhar fizeram com que não conseguíssemos chegar a esse objetivo.»
«Mas, obviamente, tinha claro, e continuo a ter claro, que as diferenças em termos de condições entre os outros dois candidatos ao título e nós eram tremendas. Tentámos diminuí-las com trabalho, organização, competitividade. Se calhar, em alguns momentos, não conseguimos totalmente esse objetivo», afirma Paulo Bento.
Pensar em Paulo Bento é pensar, quase sempre, em Sporting. Afinal, falamos de alguém que comandou, como treinador, o clube em 194 jogos, entre todas as competições, e representou o clube, como jogador, em 125 jogos, também entre todas as provas. Paulo Bento sente carinho pelos leões, mas também sente que é recíproco.
«Ainda hoje me sinto respeitado pelos sportinguistas. E isso para mim é o mais importante. Acima de tudo é gratificante sentir o respeito das pessoas. Depois as análises, aquilo que as pessoas pensam do trabalho que realizámos, obviamente pode mudar de pessoa para pessoa e isso é completamente respeitável. E temos que entender, porque é o que o futebol monta, diferentes opiniões.»
«Para mim o mais importante que ficou foi o ter feito tudo em consciência em prol do clube e daqueles que, para quem trabalhava e por quem trabalhava, o caso dos jogadores. Completamente de consciência tranquila. Foram momentos extraordinários, com dificuldades, com momentos menos positivos, que se ultrapassaram sem qualquer tipo de problema. Fica esse carinho e o gosto pelo clube e a certeza de que sou uma pessoa respeitada pelo trajeto que tive durante praticamente uma década entre o jogador e treinador», confessa.
Muito mudou no Sporting atual em relação ao da época em que Paulo Bento era treinador, à altura presidido por Soares Franco e, na sua última época, por José Eduardo Bettencourt. O antigo selecionador nacional vê com bons olhos a evolução dos de Alvalade nos últimos anos.
«Creio que está numa grande fase agora, eu diria que nos últimos cinco anos, onde conquistou três campeonatos. Era algo que não acontecia há muitos anos, a própria questão de ser bicampeão não acontecia há muitos e muitos anos. Obviamente houve uma transformação de há uns anos a esta parte, em muitos e vários aspetos, não é?»
«Creio que é hoje, comparativamente, e é sempre difícil comparar, é hoje um clube mais estável e até mesmo no próprio aspeto social daquilo que rodeia o clube, por certas determinadas decisões que se tomaram, para bem do clube, e que acaba por proteger quem tem de jogar, quem tem de competir. Depois disso, alicerçado nessas vitórias, em termos de campeonato, trouxeram alguma consistência ao Sporting. É um clube que, pelo trabalho que está a ser desenvolvido em termos de melhoria de infraestruturas, tem uma estabilidade diferente», começa por dizer.
«Eu tive essa estabilidade. Não falo em termos individuais, falo em termos individuais, em termos gerais. O Sporting hoje é um clube, que é normal que assim seja também, fruto de decisões importantes que se tomaram pelo Presidente em determinado momento, com alguma acalmia e segurança àquilo que é o mais importante para as equipas. E isso acabou por se revelar extremamente importante na consistência e na estabilidade que o Sporting tem neste momento, independentemente daquilo que possa acontecer.»
Paulo Bento acaba a elogiar a «consciência e estabilidade» diferentes do Sporting atual.
«Eu tive muita instabilidade, não porque o clube vivesse uma paz social como vive hoje, mas sim por uma crença muito grande das pessoas que mandavam no clube naquela altura, no que estávamos a desenvolver», conclui.









































