Central do Timão
·28 de julio de 2026
Técnica do Corinthians Feminino justifica improvisações nas laterais e responde sobre críticas ao seu trabalho

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·28 de julio de 2026

O Corinthians enfrentou, na manhã do último domingo (26), o Vitória, no Estádio do Canindé, em compromisso válido pela 13ª rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026, e bateu as adversários por 4 x 0. Os gols das Brabas foram anotados por Vic Albuquerque (duas vezes), Ariel Godoi e Belén Aquino. O resultado fez com que o Alvinegro recuperasse a liderança da competição nacional com 31 pontos somados – 10 vitórias, um empate e duas derrotas – 35 gols marcados e 13 sofridos.
Instantes após o apito final, a técnica do Corinthians Feminino, Emily Lima, concedeu uma entrevista coletiva à imprensa e comentou sobre as críticas ao seu trabalho ao ser questionada sobre as comparações com os seus antecessores no comando das Brabas – Arthur Elias e Lucas Piccinato. Além disso, explicou a saída da volante Ana Vitória ainda no primeiro tempo, revelou que o clube não deve fazer grandes loucuras nesta janela de transferências, retornos das zagueiras Thais Regina e Agustina e detalhou as improvisações que vem realizando nas laterais esquerda e direita do Timão.

Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians
Confira abaixo as respostas de Emily Lima na entrevista coletiva após o triunfo sobre o Vitória pelo Brasileirão Feminino:
Críticas ao seu trabalho no Corinthians
“Eu acredito no meu trabalho. Eu sou uma pessoa muito honesta, muito clara, trabalhadora pra cacete. Eu não me preocupo do que ele fez no passado. São épocas diferentes, elencos diferentes. Eu preciso fazer o meu trabalho dentro do Corinthians. Se ele vai ser vitorioso ou não, a gente nunca sabe. Mas eu vou entregar o meu 100% para o Corinthians, como eu entreguei para a Seleção Peruana, para o Equador, para o Santos, para o Juventus, para o São José. Eu não posso mudar o meu jeito de pensar e ser, porque lá atrás tiveram vencedores em outras épocas e tudo mais, em outros contextos. Eu posso até perguntar e me arriscar para algum de vocês, se vocês lembram do Corinthians quando ele passa a ser Corinthians. Ou quem que fez a final da Copa do Brasil em 2016 com o Corinthians Audax.”
“Vocês sabem quem foi? Não vão saber. Porque é muito fácil falar de futebol feminino hoje. Hoje é muito fácil falar. Eu quero ver falar de 16 lá. Quero ver falar dos meus números lá de 16, lá do número do anterior treinador, do Arthur, lá em 2016. É isso que eu quero que vocês façam. Não ter memória curta e pegar momentos só de agora. Eu acredito no meu trabalho desde quando o Juventus me deu a oportunidade e abriu portas para eu transitar de atleta para treinadora. A gente fez um trabalho muito complicado, muito difícil, mas ali me lançou para hoje eu estar aqui. Então vou ir muito osso até chegar no Corinthians, e chego no Corinthians numa situação não tão boa financeiramente. E tenho que tirar o melhor dessas meninas e o melhor do Corinthians. Mas o principal para mim sempre é entregar o máximo para a instituição onde eu trabalho e quando sair, deixar o departamento o melhor que eu encontro.”
Retornos de Thais Regina e Agustina
“É sempre bom para o grupo, para nós, para elas. Acho que todas trabalham para estar dentro do campo, estar relacionadas, estarem jogando, então a gente ficou bastante feliz pelo retorno das duas, foi um retorno bem complexo, são situações diferentes, mas é bem complexa a situação da recuperação das duas atletas, tanto da Regina como da Agustina. São meninas muito trabalhadoras, mereciam estar aqui hoje e elas vêm trabalhando para estar nos próximos jogos, a gente já conta com elas aptas para as próximas partidas e espero que elas continuem nessa pegada que elas vêm tendo, dessa vontade de estar no jogo, estar jogando, e isso é bom para a gente porque acaba deixando o setor. Um pouco mais competitiva entre elas e devido a algumas lesões, alguns controles de carga que a gente vai precisar fazer durante o ano, acho que é um reforço bem significativo para nós.”
Clube deve investir pouco nesta janela de transferências
“A gente está com uma dificuldade muito grande financeiramente. Hoje, por hoje, esse elenco é o que nós temos e é com ele que a gente vai até o final do ano. Infelizmente, eu chego em um momento do Corinthians em que eu não consigo fazer muita coisa. A gente até tinha estudado nomes e posições para que a gente pudesse trazer para esse segundo semestre. Mas a gente vai ter que continuar adaptando alguém (Ivana Fuso) com a Gi (Fernandes), mais uma vez, em uma posição que não é a dela, e Juliette e Tamires nessa disputa entre as duas.”
“Eu acho que, no setor defensivo, a gente se fortalece com a chegada agora da (Thaís) Regina e da Agustina… No setor de meio de campo, acho que a gente é recheada de coisas muito boas. E, para o ataque, a gente gostaria também de trazer mais uma peça, mas, infelizmente, não surgiu nada de novo. A gente continua brigando, continua tentando. Vamos tentar até o último dia em que a janela fecha. E, quem sabe, a gente consiga trazer pelo menos um reforço, e que esse reforço, hoje, seja para a fase mais ofensiva, para o setor mais ofensivo.”
Substituição de Ana Vitória pouco antes dos 30 minutos do primeiro tempo
“Mais prevenção. A Ana sentiu e pediu para a gente (para sair). Na verdade, ela já vinha tendo esse incômodo. E hoje, provavelmente, em um dos sprints para atacar ali em profundidade, ela sentiu. A gente não viu a necessidade de seguir nessa situação, sabendo das atletas que a gente tem no elenco.”
Quantidade de desfalques
“A gente tem um perfil, eu e o meu staff técnico, de preservar muito o lado humano da pessoa. A gente não pode colocar em risco, a todo tempo, a atleta. (Os desfalques) Não nos preocupam, porque a gente tem um elenco de 30 jogadoras e a gente tem que tirar o melhor dessas 30 jogadoras. É claro que cada uma tem a sua escala, vamos dizer assim, que ela gerou dentro da vida dela como jogadora. Então, há jogadoras que estão na seleção, pelos seus méritos; jogadoras que ainda não estão, mas podem estar; jogadoras que não estão por opção técnica. Dentro desse perfil, por que colocar nossas jogadoras em risco, sendo que a gente tem jogadoras que podem suprir de outra forma? Então, não nos preocupa, porque não são lesões que levem muito tempo, caso aconteçam. O controle de carga pode ser neste jogo, no próximo, e no terceiro já não. Pode ser que jogadoras que atuaram neste jogo não estejam contra o Palmeiras, por opção técnica ou por lesão. A gente nunca sabe. A gente nunca consegue ter o controle disso. A gente sempre vai ter o controle do pós.”
“Essas que não atuaram hoje já fizeram seus treinamentos lá no CT, às 7h30. Como a gente vai chegar com o relatório médico delas? Estão aptas para o jogo? Não estão aptas para o jogo? Qual vai ser o volume de treinamento dessas jogadoras que fizeram o trabalho de força hoje e não o estímulo de campo? Então, é esperar um pouco o que vai acontecer dentro desse relatório médico e tomar a melhor decisão, que, muitas vezes, não é a decisão que vocês tomariam, nem a do torcedor. O objetivo é buscar o melhor elenco para o jogo contra o Palmeiras, porque a gente precisa dos três pontos lá no Paulista.”
Lições da eliminação contra a Ferroviária nas oitavas de final da Copa do Brasil Feminina e motivação a mais dos adversários para ganharem do Corinthians
“A gente não pode aceitar perder para nós mesmas. Não tinha no mérito, nunca desde adversários, mas eu acho que a fala foi muito em cima de virar página e seguir trabalhando. Não tem o que a gente fazer se não for trabalhar. A gente tem que buscar trabalhar cada vez mais p ara que a gente possa chegar no jogo e conseguir resolver os problemas da melhor forma possível. Se a gente está mexida com uma derrota, em uma desclassificação, a gente não anda para frente. Então foi muito pós-jogo da Copa do Brasil olhar para frente, trabalhar, já foi, não dá para mudar, não deixar acontecer. Então a gente deixou acontecer, não tem como mudar. Mas eu tenho como mudar o que vem pela frente. Como eu posso mudar? Tendo atitude, trabalhando, esforçando mais ainda, mais do que já faz, porque o futebol feminino mudou demais. Então o Corinthians sempre é um motivador para toda a equipe. Toda a equipe quer ganhar do Corinthians, as vezes não quer nem ganhar o título, mas eles precisam ganhar do Corinthians. Então são coisas que a gente tem que levar em consideração, que todo jogo. Para a gente é um pouco difícil.”
As eliminações/derrotas acabam pesando mais para as jogadoras do Corinthians – na pergunta, o exemplo de Vic Albuquerque foi citado
“Provavelmente. Vamos falar da Vic (Albuquerque). É uma jogadora que inicia o projeto muito vencedor. E aí eu não falo nem de eu nem ele (Arthur Elias) estar aqui. Eu acho que o antes dele ou depois dele, o Corinthians tem que pensar em vencer sempre. A gente tem que tentar fazer com que elas entendam que elas não podem aceitar qualquer rejeitado. Elas têm que aceitar sempre a vitória. E para aceitar sempre a vitória, você precisa trabalhar para isso. Você não vai ganhar de qualquer forma. Você tem que trabalhar para ganhar. Então, acho que essas líderes não podem se acostumar com isso. E onde que a gente pode mudar isso? Dentro dos treinamentos, cobrança. Tem personalidade da cobrança entre elas, nós com elas, elas com a gente. Eu acho que é todo mundo pensar que nós estamos no Corinthians e que a gente precisa dar sequência nessa história, porque a história foi feita por outras pessoas, por outros grupos, por outras jogadoras. Agora é a vez da nossa história.”
“O que a gente quer dentro da nossa história? Eu quero dentro da história do Corinthians continuar com o patamar lá em cima. Então, para isso, a gente precisa trabalhar muito e trabalhar com a cabeça de muitos atletas, no modo geral, porque se troca muito elenco todos os anos. Então, bem, meninas de equipes onde não estavam tão acostumadas a ganhar, vêm jogadoras de fora, é adaptação. Então, assim, é fazer com que elas entendam o que é vestir a camisa do Corinthians, o que é representar o Corinthians. Então, na nossa chegada, a gente já sabia como dar sequência nessa história bonita que é o Corinthians. Eu já enfrentei o Corinthians várias vezes em todas as competições. A gente sabe qual é a importância do jogo contra o Corinthians, o que fortalece dentro do grupo quando você chega no Corinthians. O que você pode fazer após ganhar o Corinthians.”
“O Corinthians é uma referência ainda e a gente tem que tentar e precisamos fazer conquistas. Continue acontecendo naturalmente com graus de dificuldade a cada ano que passa muito diferente do que quando inicia o projeto. Mas é isso, é fazer com que o clube entenda a importância de manter isso porque é difícil você chegar onde chegou. Mas como manter isso? Então é continuar contratando, continuar renovando quem a gente acredita que tem que renovar, buscar, fazer com que o elenco esteja sempre no topo. E para isso a gente precisa da ajuda sempre da parte do clube instituição.”
Improvisações nas laterais esquerda e direita
“A gente chega na Corinthians com uma lateral direito, uma lateral direito, num clube Corinthians, o mais vencedor da história, e duas laterais esquerda, Tamires, com 38 anos, e Juliette, que a gente já trabalha com, Juliette e no Santos, claro. Acho que é muito limitante, né? Você tem que quebrar a cabeça. Às vezes falam que os treinadores são pardais né? O treinador pardal. Mas o que a gente vai fazer? Se a gente machuca, o que eu faço? O treinador pardal vai ter que achar alguém pra poder, porque eu chego no clube já com essas coisas. Não foi eu que montei o elenco. Eu poderia ter montado alguma coisa diferente, de forma diferente. Eu já chego no clube com o elenco montado. Aí falam de a gente ser professora pardal. Eu preciso achar alguém com característica do que eu acredito que é força, velocidade e técnico. A Ivana é técnica, tem força e tem velocidade. Ela joga de 10, certo? Mas hoje nossa 10 no Corinthians é bem competitiva. Eu vou perder uma jogadora dessa? Não, vou tentar ganhar uma jogadora. Vamos adaptando ela ali. Vem crescendo, vem se adaptando. Tenho uma força de vontade tremenda de aprender, de querer fazer. Isso já é muito positivo para mim e para o elenco. Não que a Gi (Fernandes) não tenha, mas e se a Gi machuca? Eu não posso deixar ela numa zona de conforto. Só ela vai jogar? Não posso.”
“Vamos lá para a lateral esquerda. A Tamires ficou fora (contra a Ferroviária), como todo mundo sabe, eu tenho só a Juliete. Eu vou jogar dois jogos, eu fico Ferroviária, não tenho lateral esquerda. Se a Juliete machuca, o que eu faço? Vai lá a professora Pardal e inventa uma lateral esquerda. O que eu posso fazer? As ações da Rhai (Rhaizza) lá no Bahia, quando ela é contratada por aqui, porque chamou a atenção, ela joga muito pela esquerda, puxando pra perna boa dela. Falei com a minha assistente: ‘o que você acha?’ Vamos conversar com ela? ‘Vamos’. Conversamos com ela. A gente busca muito trabalho de profundidade, tanto com as laterais extremas e as atacantes. E a Rhai fez um bom treino ali. Nesse treino eu chamo Rhai O que você acha da gente te testar? Vamos provar de lateral esquerda? Ela diz: ‘Quero, estou pronta’. A boa vontade das meninas ajuda a gente a tomar decisão. (A Rhai) é uma menina que tem vontade, tem velocidade e pode atender tanto efetivamente como definitivamente por ser rápida. E foi isso. Foram conversas muito boas, muito saudáveis, as meninas aceitaram. Está sentindo uma aceitação muito grande, sabe da exposição que elas vão ter, mas já fala responsabilidade é nossa. Não tem problema nenhum. E é isso, acho que sempre a gente tem uma conversa e não precisa tomar decisão, porque a gente precisa saber se ela está disposta a isso. E eu acho que vai muito disso.”
100% no histórico do confronto diante do Vitória
O Corinthians, com o triunfo sobre o Vitória no último fim de semana, manteve o aproveitamento perfeito diante do time nordestino no histórico do confronto na modalidade. Agora, em três jogos, são três vitórias corinthianas, sendo 12 gols marcados e um sofrido.
Antes, os outros dois confrontos também haviam sido por Campeonatos Brasileiros – 2019 e 2020 – e ambos no Estádio Alfredo Schürig, Fazendinha.
No primeiro ano, triunfo das Brabas por 2 x 1. No segundo, por sua vez, goleada por 8 x 0
Números de Emily Lima no comando do Corinthians
Contratada na reta final de fevereiro para substituir Lucas Piccinato, a comandante das Brabas soma, até o momento, os seguintes números no comando da equipe: 13 vitórias, um empate e cinco derrotas – 70% de aproveitamento – 52 gols marcados (2.74 por partida) e 18 sofridos (0.95 por partida).
Próximo compromisso
Após golearem o Vitória, no Canindé, pelo Brasileirão Feminino, o Corinthians volta os seus focos para o Campeonato Paulista da modalidade. Na próxima quarta-feira (29), às 19h, visitarão o Palmeiras, na Arena Barueri, pela quinta rodada do estadual. Atualmente, o Alvinegro é o segundo colocado com sete pontos somados, dois atrás da líder Ferroviária, com nove.







































