Papo na Colina
·16 de abril de 2026
Vasco se aproxima de acordo por SAF, mas esbarra em exigências da Conmebol

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·16 de abril de 2026

O Vasco vive dias decisivos nos bastidores para a conclusão da venda da sua SAF. Embora o clima interno seja de grande otimismo e as conversas com o empresário Marcos Lamacchia estejam em estágio muito avançado, um novo alerta surgiu no horizonte. A tendência de um desfecho positivo e a assinatura iminente do memorando de entendimento dividem as atenções com um obstáculo jurídico importante que vem sendo ignorado por parte da imprensa esportiva.
A principal questão envolve as rígidas regras internacionais e o chamado fair play financeiro. O possível comprador do futebol cruz-maltino é enteado de Leila Pereira, a atual presidente do Palmeiras. Essa ligação direta, já que ele é filho do marido da mandatária, acende um alerta gravíssimo sobre a multipropriedade no esporte. Mesmo que a operação seja validada pelas agências reguladoras no Brasil, os dois times fatalmente disputarão os mesmos torneios, como o Campeonato Brasileiro ou as competições organizadas pela Conmebol.
De acordo com o professor José Humberto, do canal Direito Empresarial, o problema vai muito além do controle formal previsto na legislação brasileira. As entidades esportivas de fora do país, como a Fifa, analisam o conceito fundamental de “influência real”. Isso significa que, mesmo sem ligações jurídicas diretas e evidentes entre as empresas, o capital altamente concentrado dentro do mesmo núcleo familiar pode configurar um enorme conflito de interesses. Existe o fundado temor de que essa relação estreita gere suspeitas frequentes sobre favorecimento esportivo ou transferências fora dos padrões de mercado.
Para que o negócio com o investidor avance sem o risco real de ser barrado por concorrentes ou duramente punido no exterior, a agência reguladora brasileira precisará impor limites estritos e inéditos. A operação dificilmente será aprovada sem grandes restrições legais. A expectativa do mercado financeiro é que o acordo exija condicionantes bastante pesadas, como um modelo corporativo de “blind trust” ou uma longa quarentena de gestão, impedindo que o empresário assuma o controle total enquanto a sua madrasta estiver sentada na cadeira da presidência da forte equipe rival.

Marcos Lamacchia e Pedrinho – Fotos: Reprodução
Enquanto o departamento jurídico analisa minuciosamente essas complexas travas internacionais, a diretoria do Vasco tenta manter a tranquilidade para fechar os últimos detalhes do vultoso contrato. O memorando de entendimento está muito próximo de ser assinado pelas partes, garantindo exclusividade total nas negociações. Internamente, existe a promessa firme de realizar uma apresentação grandiosa e didática do novo projeto esportivo, com um cuidado todo especial em manter a transparência absoluta com a torcida ao longo de todo o longo processo de transição administrativa.
É de extrema importância ressaltar que a assinatura desse documento preliminar de forma alguma sacramenta a venda definitiva. Após o acordo inicial, o contrato vinculante ainda precisará percorrer um longo e tortuoso caminho burocrático na efervescente política do Vasco. O texto do documento terá que ser exaustivamente debatido e formalmente aprovado pelo conselho deliberativo, referendado pelo quadro histórico de beneméritos e, por fim, submetido aos associados na Assembleia Geral Extraordinária (AGE), garantindo que os sócios do clube tenham a soberana palavra final sobre o futuro da agremiação no Brasileirão.
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