Papo na Colina
·5 de marzo de 2026
Vasco vira alvo de análise rigorosa da agência de fair play em possível venda da SAF

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·5 de marzo de 2026

O avanço nas negociações envolvendo a Vasco SAF e o empresário Marcos Lamacchia entrou no radar das autoridades esportivas nacionais. A potencial venda da Vasco da Gama SAF passará por um escrutínio detalhado da recém-criada Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O órgão independente possui a missão de monitorar e aplicar as regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), o modelo de fair play financeiro inaugurado pela CBF na temporada de 2026. A atenção redobrada ocorre porque o comprador é filho de José Carlos Lamacchia e enteado de Leila Pereira, que exerce o cargo de presidente do Palmeiras com mandato vigente até dezembro de 2027.
A possibilidade de familiares de primeiro e segundo grau comandarem diferentes instituições no futebol nacional gerou um alerta nos bastidores. A CBF enviou um aviso informal aos dirigentes da Vasco SAF e do Palmeiras sobre o possível conflito de interesses envolvendo regulamentos de redes multiclubes, conforme noticiado pelo portal Uol. A regra veda o controle ou a influência significativa simultânea sobre mais de uma equipe. O regulamento entende como influência a capacidade de ditar políticas financeiras, deter vetos relevantes, nomear administradores ou possuir mais de 10% dos direitos de voto.
O presidente da ANRESF, Caio Resende, destrinchou o cenário sobre a avaliação de estruturas de poder no futebol e emendou o seu raciocínio com uma explicação técnica em entrevista ao portal ge:
“O que a gente percebe lá fora é que a análise desse tipo de caso pode se tornar muito complicada. É uma análise que a estrutura societária de cada clube, de que pessoas ou que grupos têm de fato poder decisório dentro de cada clube”.
O histórico recente do futebol internacional expõe as punições aplicadas em casos similares. A exclusão do León da Copa do Mundo de Clubes da Fifa ocorreu por conta de um conflito de administração com o Pachuca, equipe que pertence ao mesmo grupo e também disputaria o torneio internacional:
“O caso do Pachuca e do León é uma decisão de 40 páginas, em que se analisou o processo decisório. Acho que a agência, quando for provocada a se manifestar sobre esse tema, vai ter que fazer uma análise rigorosa da mesma forma. Teria que ter análise. Qualquer caso concreto, eu nem posso opinar porque eu posso ser instigado a votar sobre o tema numa decisão da agência.”

Caio Resende, da agência de regulação do fair play, prevê desafio para fiscalizar SAFs — Foto: Raphael Zarko
Para blindar o negócio, os executivos da Vasco da Gama SAF e Marcos Lamacchia estudam ferramentas jurídicas utilizadas em casos europeus, como a coexistência de Manchester City e Girona. As alternativas discutidas envolvem a suspensão temporária do direito de voto e veto do comprador enquanto Leila Pereira presidir o Palmeiras, a adoção do sistema de blind trust para transferir os ativos a um administrador independente, ou até mesmo o início da operação com uma fatia inferior a 10% da participação societária. O modelo de transição pode contar ainda com o presidente da associação, Pedrinho, atuando ativamente na governança.
O passo a passo da investigação exige total transparência e comunicação ágil entre as partes e o órgão regulador. O regulamento determina que qualquer alteração na estrutura societária precisa ser informada no prazo máximo de 30 dias:
“Uma pessoa não pode ser diretora esportiva de dois clubes ao mesmo tempo, por exemplo. Isso é bem objetivo. Eu, Caio, ser diretor esportivo de clube A e clube B, evidentemente isso cria série de implicações éticas que podem comprometer a integridade da competição. Então nesse aspecto é bastante objetivo. Mas outros aspectos, que vão envolver a estrutura societária, quem tem 10%, quem tem 20%, quem de fato opina, podem exigir análise mais elaborada. O que a gente percebe lá fora é que, como a estrutura dos multiclubes está se tornando muito complexa, às vezes é difícil analisar sob o ponto de vista societário: ‘Ah, o fundo tal é detentor de participação em outro fundo que detém um clube’. Mas ele tem poder decisório? Ele tem capacidade de comprometer? Essas situações podem levar a uma análise mais profunda da agência, sim. Todo dia 30 de abril, todos os clubes têm de informar toda estrutura societária. Informar o que chamamos das pessoas-chave da administração. Quem é o diretor financeiro, quem é o diretor de futebol, quem é o diretor jurídico, o presidente, o CEO, tudo isso tem que informar a cada 30 de abril” finalizou Caio Resende.

Pedrinho e Leila Pereira, presidente do Palmeiras – Foto: Reprodução Instagram
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