Portal dos Dragões
·21 de junio de 2026
Villas-Boas: “Não há agentes preferenciais, deixou de haver”

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André Villas-Boas deixou uma mensagem firme sobre dois temas delicados da vida do FC Porto: a relação com os agentes e a construção do futuro centro de alto rendimento em Gaia. Numa intervenção pautada pelo pragmatismo, o presidente explicou a evolução do mercado, recusou a existência de intermediários com estatuto especial e reconheceu os entraves financeiros que estão a atrasar uma infraestrutura considerada essencial para a formação. No fundamental, resumiu tudo numa resposta seca: “Não, deixou de haver.”
Num momento em que o clube procura equilibrar o presente e o futuro, André Villas-Boas apresentou uma visão sem romantismo e assente no realismo. Entre a instabilidade crescente do mercado de representação e a necessidade de financiar uma obra de grande dimensão, a mensagem foi clara: o FC Porto está a adaptar-se a um futebol em mudança, sem atalhos nem privilégios.
Questionado sobre a política actual do FC Porto em relação aos agentes, Villas-Boas respondeu com uma leitura abrangente das transformações do sector. Mais do que se limitar à prática do clube, enquadrou um ecossistema em mutação, onde as relações ficaram mais fluidas e os interesses mais dispersos.
“O FC Porto trabalha com todos. E isso é outro dos grandes fenómenos em mutação no futebol atualmente. Porque os jogadores passam a transitar entre agências. Ou seja, a relação de compromisso, de amor, daquele que primeiro te identificou e que te vai levar até ao fim da tua carreira, deixou de existir. Os jogadores são assediados por outros agentes com compensações, para virem para as suas agências, porque também esses fazem o seu próprio “scout” relativamente ao potencial talento e ao que eles podem render futuramente. Houve um corte de uma relação umbilical com aquele agente que descobriu o talento e ficou até ao fim da carreira. Os jogadores agora são assediados por outros agentes e vemos por isso muitos câmbios. Esse é o primeiro fenómeno.”, afirmou. “O segundo, é que os fundos começaram a comprar as agências de jogadores. Portanto, há basicamente um, dois, três fundos que dominam praticamente 20 agências de futebolistas. E esse é o novo veículo pelo qual poderemos ver ainda mudanças mais dinâmicas e específicas entre clubes, pelos interesses de determinados fundos em colocar determinados jogadores em determinados clubes. Portanto, tudo novas problemáticas e novos fenómenos.”
O cenário descrito é o de um mercado menos emocional, mais fragmentado e exposto a novas formas de influência. Ao enquadrar este contexto, Villas-Boas deixou entender que a posição do FC Porto resulta menos de uma opção ideológica e mais da necessidade de lidar com uma realidade que já não segue as antigas fidelidades.
Perante a pergunta directa sobre a existência de agentes preferenciais, o presidente foi curto e taxativo, reduzindo a questão ao essencial da relação contratual entre jogador e representante.
“Não, deixou de haver. É o representante do atleta, basicamente.”
A resposta afasta qualquer ideia de hierarquias informais ou canais privilegiados. Na leitura deixada por Villas-Boas, o clube lida com a realidade concreta de cada atleta, sem colocar agentes num patamar de preferência.
Da estrutura do mercado passou-se para a infraestrutura que o FC Porto quer erguer em Gaia. Ao falar sobre a formação e sobre o centro de alto rendimento, Villas-Boas juntou ambição e prudência, reconhecendo a dimensão do projecto e o peso financeiro que lhe está associado.
“É processo longo e difícil, sobretudo pela falta de capacidade económica do FC Porto de autossustentar o projeto. O nosso desafio é escolher o veículo financeiro para construir o centro de treino. O FC Porto fez duas coisas. Uma, pagou com o seu próprio capital a compra do terreno, detendo a propriedade do Centro de Alto Rendimento. Pagou também do seu bolso a movimentação de terras, que tem nove meses pela frente, fruto da inclinação que está associada ao terreno. Construir um centro de treinos daquela dimensão terá um custo a situar-se entre os 40 a 50 milhões de euros, fruto também do aumento dos custos.”
O presidente sublinhou ainda que o calendário da obra está longe de ser cómodo. A ambição mantém-se, mas o ritmo é ditado pela necessidade de encontrar a fórmula financeira adequada.
“Dificilmente. Estamos em campo para escolher esse veículo financeiro para avançar para a sua construção. Mas, é uma problemática grande para nós.”
Mais do que uma promessa, ficou um reconhecimento de limites. O FC Porto já avançou até onde lhe foi possível fazê-lo sozinho, mas o passo seguinte exige outra escala de resposta, o que ajuda a perceber por que razão o projecto continua a ser apresentado como prioridade sem ser tratado como uma certeza imediata.
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