A <i>promessa dos Açores</i> que marcou mais do que ninguém em janeiro: «Passar o natal na ilha fez-me bem» | OneFootball

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·19 février 2026

A <i>promessa dos Açores</i> que marcou mais do que ninguém em janeiro: «Passar o natal na ilha fez-me bem»

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Uma mistura de dialetos certeira ou, por outras palavras, um goleador açoriano no Alentejo. Em janeiro, o ranking de artilheiros em Portugal, foi liderado por António Carreiro, avançado natural de Ponta Delgada que atua em Évora pela equipa B do Lusitano GC.

Três jogos em 14 dias foram o suficiente para Carreiro chegar aos nove golos. Com apenas 21 anos, o avançado mudou-se para o continente para perseguir o sonho de ser profissional e janeiro pode ter sido o primeiro grande sinal de que a aposta está a resultar.


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Os números excecionais não passaram despercebidos ao radar do zerozero. Com um sotaque característico, o jovem «abriu o livro» para explicar quem é, realmente, António Carreiro.

O ponto de viragem natalício

Sete golos (!) na receção ao São Manços, uma passagem em branco no empate frente ao Monte Trigo e dois remates certeiros na vitória caseira frente ao Juventude Évora B. Eis os números, em janeiro, da verdadeira fénix de 2026.

Para isto, a explicação foi simples: o natal é sinónimo de família e de energias repostas. A pausa das competições pode trazer uma «nova vida» aos atletas e para Carreiro não foi exceção.

«O avançado vive de golos e o meu início de época não foi fácil. Na pausa do natal fui à ilha ter com a minha família e isso fez-me bem. Voltei de uma forma diferente, pensei que a partir daquele momento ia encarar as coisas de uma forma mais positiva», revelou ao nosso portal, em entrevista, indo mais longe:

«Parecia fácil fazer sete golos num jogo, mas mais ninguém o fez e eu valorizei isso. Os meus colegas sabiam que precisava de confiança, então cruzavam para eu conseguir marcar mais. Depois do terceiro e do quarto só queria mais. Para mim, um golo é um golo, seja contra que adversário for.»

A competir como sénior desde 2023, o ponta de lança tinha apontado dez golos neste escalão até à entrada deste ano. Ora, apesar dos números anormais alcançados em janeiro, o jovem não estava ciente da proeza que alcançara.

«Não sabia mesmo. Inclusive, quando recebi a mensagem e pedido para seguir [no Instagram] do zerozero, pensei que fosse uma página falsa. Fiquei, naturalmente, muito contente e ambiciono voltar a ser distinguido», vincou.

Milita na equipa secundária do Lusitano GC, terceiro classificado da AF Évora Divisão Elite, mas tem, obviamente, a «mira apontada» à presença assídua na equipa A, que compete na Liga 3:

«Já fui chamado [à equipa principal] algumas vezes para treinar e é um privilégio. Fico muito agradecido pelas oportunidades porque consigo lidar com jogadores de outro patamar onde ambiciono chegar.»

Chegou este ano ao continente para «perseguir um sonho de criança»

O Santa Clara foi o clube a que chamou «casa» durante toda a formação. No entanto, com o passar dos anos no arquipélago foi percebendo que a visibilidade era difícil de alcançar. Foi então que, aos 20 anos, decidiu «voar» e chegou a Castelo Branco para representar o Sertanense, onde iniciou a época.

«Vim à procura de um futuro diferente no continente. Aqui somos vistos com mais facilidade, não estamos rodeados pelo mar. Custa olhar para trás e ver que não estou onde pensava que iria estar, mas tento levar sempre como exemplo os jogadores que vieram de baixo e conseguiram chegar a profissional», confidenciou, recordando ainda alguns episódios do seu passado:

«Na transição de iniciado para juvenil ia ter oportunidade de jogar nos nacionais, mas apareceu a COVID-19. Perdi uma altura importante para a visibilidade, numa idade ideal para dar o salto para outro tipo de formações. O meu sonho sempre foi chegar à equipa principal do Santa Clara, mas o futebol é incerto, como sabemos. Quando lá estava na formação era tratado como 'a promessa dos Açores', mas não aconteceu.»

O sentimento de pertença ao arquipélago e o profissionalismo levam a que Cristiano Ronaldo e Pedro Pauleta sejam as referências no futebol.

«Tento ser o mais profissional possível no dia a dia. Vou sempre ao ginásio, treino todos os dias e tento descansar nos tempos livres. Não sou de sair à noite, sou muito concentrado. Na formação [no Santa Clara] tinha colegas que, na véspera do jogo, iam sair. Eu nunca fui disso, preferia ficar em casa com a família», referiu.

Matrícula na universidade congelada

Entrou no curso de Turismo no ensino superior, mas rapidamente percebeu que não era o futuro que ambicionava. Com o desporto a «correr nas veias», Carreiro procurou a felicidade e deixou os estudos em stand-by

«Congelei a matrícula na universidade para vir este ano para o continente e arriscar um futuro no futebol. Fiz o primeiro ano em Turismo, mas não continuei para o segundo. O curso que realmente pretendo tirar é Desporto», diz-nos.

«Já tinha sido aceite [em Desporto] em Rio Maior, mas não pretendia vir naquela altura [2023] para o continente. Era muito ligado à minha ilha e tive oportunidade de estar no Campeonato de Portugal [ao serviço do Rabo de Peixe].»

E mesmo que não esconde a ambição de lutar pelo futuro com a bola no pé, Carreiro faz questão de demonstrar estar ciente da importância de não deixar de lado a caneta:

«Não me quero desligar completamente dos estudos. É muito importante conciliá-los com o futebol. Como ambiciono ficar no continente ou conseguir uma proposta melhor para fora, gostaria de voltar à universidade. Para o ano pretendo entrar em Desporto, porque é preciso ter sempre um plano B.» 

Apesar da juventude, o avançado relembra os momentos de formação, quando o futebol não era sinónimo de responsabilidade. Para isso, não esqueceu os miúdos que dão os primeiros passos no desporto-rei e lançou o repto.

«Levem o futebol com leveza, aproveitem ao máximo. A vida no futebol passa rápido, por isso divirtam-se todos os dias. Neste momento sou sénior e, às vezes, tenho saudades do tempo em que era infantil e não tinha preocupações. Na altura era só um miúdo que queria marcar golos e ganhar jogos», finalizou.

*com Tiago Baltazar

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