A proposta de saída, a folha de R$ 30 milhões, otimismo com jogador e contatos para melhorar finanças
A entrevista do presidente Odorico Roman na Rádio Bandeirantes trouxe algumas pistas interessantes sobre o momento do Grêmio. E a primeira delas envolve uma possível saída do elenco.
Odorico admitiu que existe uma negociação em andamento por um jogador do grupo. Não revelou o nome, mas disse que a situação depende diretamente do aval do técnico Luís Castro. Ou seja, se o treinador disser não, o negócio simplesmente não acontece.
Nos bastidores, porém, a informação que circula é de que houve apenas uma consulta inicial. Nada avançou de fato. A tendência, neste momento, é que ninguém saia e que o grupo siga exatamente como está.
Se por um lado a direção tenta manter o elenco, por outro existe uma preocupação clara com as finanças.
O próprio presidente não escondeu que o clube convive hoje com duas folhas salariais. Existe a folha oficial do elenco atual e existe a chamada “folha paralela”, formada por jogadores que já saíram mas ainda recebem valores do clube.
Somando tudo, o custo mensal se aproxima de R$ 30 milhões.
Odorico não confirmou esse número de forma direta, mas também não fez nenhum movimento para desmentir. Pelo contrário. Admitiu que a folha paralela é alta e que o clube está buscando maneiras de equilibrar o orçamento para honrar esses compromissos.
No meio desse cenário financeiro delicado, existe um ponto que gera algum otimismo na Arena: a situação de Arthur.
Segundo o presidente, duas das três partes envolvidas querem que a negociação aconteça. O jogador e o Grêmio veem com bons olhos o retorno. O que falta agora é avançar na conversa com a Juventus.
Até aqui, os contatos preliminares com o clube italiano não indicaram grandes obstáculos. Existe até concorrência de outros clubes europeus, mas a avaliação interna é de que nada muito forte apareceu até o momento.
Por isso, a direção trabalha com certo otimismo. A estratégia agora é esperar o momento certo para avançar na negociação.
Outro ponto importante abordado pelo presidente envolve o plano de recuperação financeira do clube. Odorico falou abertamente em um prazo de aproximadamente 18 meses para estabilizar as contas.
E parte dessa estratégia passa por novos patrocinadores.
O Grêmio negocia atualmente com cerca de cinco empresas para ocupar espaços na camisa. A ideia é ter uma marca principal como patrocinador master e outras duas ocupando áreas secundárias do uniforme.
Existe também uma decisão estratégica nessa busca: evitar casas de apostas como patrocinador principal. A direção tenta fechar com uma grande empresa multinacional para o espaço mais nobre da camisa.
Se outras empresas que negociaram o master não fecharem o acordo, elas podem ser realocadas para outros espaços do uniforme.
Por fim, Odorico também falou sobre ligas e abriu a porta para uma possível mudança de bloco comercial no futebol brasileiro.
O presidente confirmou conversas com Alessandro Barcellos sobre a possibilidade de o Grêmio migrar para a Liga Forte União. Segundo ele, o clube avalia que pode estar “do lado errado da força” na atual configuração.
Hoje o Grêmio faz parte da Libra, mas existe insatisfação com a condução do projeto. Na visão da direção, a liga ainda cobra custos operacionais e jurídicos sem que o dinheiro efetivamente esteja entrando no caixa dos clubes.
Esse cenário ajuda a explicar por que o Grêmio estuda alternativas no mercado.