Portal dos Dragões
·25 juillet 2026
A reflexão de João Brandão: “Esta nova geração tem muita pressa”

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João Brandão, treinador da equipa B do FC Porto, considera que uma cultura de vitória desempenha um papel determinante na formação dos jovens jogadores dos dragões. O técnico destacou ainda os princípios que entende serem «inegociáveis» para todos os que representam o clube.
Em declarações ao 351.º episódio do podcast The Pitch Invaders, da Footure, o treinador explicou que a equipa secundária deve reproduzir o nível de exigência existente no plantel principal. «É fundamental criarmos um ambiente e um cenário que seja muito próximo daquilo que é a equipa A», afirmou, defendendo que essa aproximação depende de «existir a exigência de ganhar». Entre os princípios essenciais, apontou a «resiliência, a forma como nos superamos diariamente e a forma como sabemos que temos de fazer o dobro dos outros para ter o mesmo resultado».
Brandão valorizou também o trabalho desenvolvido pela Direção de André Villas-Boas. «Acima de tudo, o presidente trouxe uma visão. Além dessa visão, o presidente trouxe aquilo que é uma organização e uma estrutura que permite que os jogadores tenham todas as condições para desenvolver o seu jogo», afirmou. Como evidência do caminho percorrido, recordou os resultados da temporada anterior: «Os resultados estão à vista, na última época conseguimos que todas as equipas de futebol do FC Porto fossem vencedoras.»
O técnico portista referiu-se igualmente às exigências específicas de disputar a Liga 2 com uma equipa B. Trata-se, na sua perspetiva, de uma realidade competitiva pouco habitual e particularmente exigente. «Competimos num campeonato profissional e podemos descer de divisão. É o mesmo que imaginarmos uma equipa de sub-20 a competir na Série B do Brasil», explicou.
Na entrevista, João Brandão falou ainda da relação profunda que mantém com o FC Porto. «A minha paixão pelo futebol e pelo FC Porto vem de berço, literalmente», confessou. O treinador revelou que o pai esteve ligado ao futebol durante 50 anos e que, desde muito cedo, viveu o ambiente de «o balneário desde muito novo». Percebendo que não tinha «muito jeito para a prática do jogo», decidiu seguir a via técnica, iniciando a carreira de treinador aos 20 anos.
Quanto ao tipo de jogador que procura, foi taxativo: «Paixão e competência são fundamentais». Ainda assim, deixou críticas à forma como encara o futebol a nova geração, que «tem muita pressa e vive muito das expetativas, do amanhã, valorizam pouco o hoje». Ao treinador cabe «fazer perceber o contexto e a realidade», transmitindo confiança aos jovens e integrando-os no processo, para que entendam a finalidade de cada tarefa.
O trabalho na equipa B passa, assim, por desenvolver a resiliência e a capacidade de superação dos jogadores, preparando-os para dificuldades que muitos enfrentam pela primeira vez. É um nível em que a exigência é elevada e o interesse coletivo se sobrepõe ao individual. «A equipa está sempre em primeiro lugar», sublinha-se, reforçando uma das principais referências do clube.
Entre os «valores inegociáveis» para quem veste a camisola do FC Porto estão a resistência perante as dificuldades e a convicção de que «temos de fazer o dobro dos outros para ter o mesmo resultado». O sentimento de pertença ao clube, à cidade e à região Norte assume igualmente um papel central. A formação pretende criar jogadores preparados física e mentalmente para assumirem o protagonismo e procurarem sempre a vitória, seja qual for o adversário.
«Temos feito crescer os nossos jogadores para um jogo mais agressivo, mais vertiginoso e sem deixar respirar os adversários».
A redução da idade média da equipa B resulta diretamente da estratégia definida para o futuro. Num mercado «cada vez mais agressivo», a formação secundária passou a funcionar também como espaço de observação e desenvolvimento de talentos de 16 e 17 anos. O objetivo é proporcionar-lhes «o contexto ideal e o tempo necessário para conseguirem render futuramente na equipa A».
O treinador admite, porém, que esta política implica «dores de crescimento na capacidade competitiva da equipa». Apesar disso, a Direção mantém a aposta no projeto e a convicção de que o caminho deve ser seguido, sobretudo «nas derrotas e nos momentos em que se colocam dúvidas sobre este projeto».
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