Central do Timão
·2 juin 2026
Advogado de Augusto Melo critica condução do processo e promete recorrer à Justiça

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·2 juin 2026

O Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou, na noite desta segunda-feira (1º), a expulsão de Augusto Melo do quadro associativo do clube. O ex-presidente foi julgado em processo relacionado aos acontecimentos de 31 de maio de 2025, quando houve uma tentativa de contestação da votação que havia aprovado seu impeachment.
Após a decisão, o advogado Ricardo Jorge conversou com a imprensa e comentou os argumentos apresentados pela defesa durante a sessão. Segundo ele, a estratégia adotada teve como foco questionamentos sobre a condução processual do caso e não sobre o mérito das acusações.

Foto: Reprodução / Yotube Central do Timão
Ao analisar o resultado da votação, o defensor afirmou que já esperava a decisão e classificou o procedimento como injusto, alegando ausência de produção de provas ao longo da apuração.
“A questão da defesa que apresentei hoje em relação ao ex-presidente Augusto Melo foi processual. Eu entendo que o Estatuto está ferindo diretamente o devido processo legal. Tanto que, antes de vir, eu já sabia qual seria o resultado. Já estava praticamente predestinado que ele seria desligado. Então, minha defesa foi paliativa. Vim aqui apenas para cumprir um ritual deles. Mas agora judicializamos a questão e ela seguirá para a Justiça. Eu considero isso injusto, porque não se consegue aferir qual foi a conduta dele nesse sentido, já que não houve produção de provas. É muito complicado.”
Na sequência, o advogado voltou a questionar a legalidade do procedimento adotado pelo clube e afirmou que houve falhas na aplicação das normas internas utilizadas durante a tramitação do caso.
“Para você ter uma ideia, existe um regulamento que eles utilizam para conduzir o processo administrativo, mas que, estatutariamente, não foi criado de forma legítima. Não há ata deste regulamento. A partir daí, surge uma série de aberrações jurídicas, em sentido amplo, constitucional e também do ponto de vista dos direitos do cidadão.
A Constituição determina que as associações tenham seus regimentos internos, mas também garante o contraditório, o devido processo legal e a imparcialidade. O que tivemos aqui foi um julgamento político, e foi isso que aconteceu. Acredito que essa decisão possa ser revista pela Justiça. Também saio daqui de cabeça erguida, com a sensação de que fiz um bom combate. Infelizmente, este é um sistema político. A Justiça ainda não se pronunciou sobre o caso.”
Antes da votação, a defesa de Augusto Melo havia protocolado um pedido liminar na Justiça para tentar suspender o julgamento. A solicitação, porém, não foi acolhida.
Questionado sobre a ação judicial, Ricardo Jorge explicou que o objetivo principal é buscar a anulação de todo o processo administrativo conduzido pelo clube.
“A liminar foi pedida para suspender o ato, mas o objeto principal da ação é a anulação do ato administrativo como um todo. É mais ou menos assim: quando um cidadão responde a uma ação penal, o Ministério Público apresenta uma denúncia, e a partir dela o processo é iniciado. Aqui deveria ser igual. No entanto, o relatório é genérico, fala em inúmeros crimes e inúmeras condutas, mas sem especificar. Não há como exercer o Estado Democrático de Direito sem uma acusação formal.”
O advogado também contestou a participação de integrantes do Conselho Deliberativo durante o andamento do processo, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
“Não, de forma alguma. Para você ter uma ideia, há conselheiros julgando outros conselheiros eleitos, sendo que eles próprios são suplentes desses cargos. Eu pergunto: em que sociedade alguém que tem interesse direto em assumir o cargo de outra pessoa pode julgá-la? Se a pessoa sair, ele assume. Como explicar isso?
O Pantaleão, por exemplo, disse que não poderia votar. E realmente não votou. Mas ele deliberou e despachou sobre o caso. No dia dos fatos, ele era advogado do Corinthians. Ou seja, era parte interessada, representava o clube. Como alguém nessa condição pode julgar outra pessoa ou presidir um procedimento sem comprometer a idoneidade, a imparcialidade e a busca pela verdade dos fatos? É essa a questão.”
A expulsão de Augusto Melo ocorreu após análise da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians. O caso teve origem nos desdobramentos da reunião realizada em 31 de maio de 2025, quando um grupo de conselheiros tentou invalidar a votação que aprovou o impeachment do então presidente do clube.







































