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·29 juin 2026

Afinal, Ronaldo foi essencial ou excedentário? Um olhar sobre os números

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Figura maior de Portugal nos últimos anos, Cristiano Ronaldo teve, até ao momento, lugar cativo na frente de ataque da formação das quinas, na medida em que disputou todos os minutos dos três jogos da fase de grupos do Mundial 2026.

Durante esse período, o capitão do conjunto português anotou dois golos na expressiva vitória diante do Uzbequistão, mas ficou em branco nos empates registados frente à RD Congo e à Colômbia. À exceção do triunfo, os dois empates deram origem a várias críticas por partes dos adeptos e CR7 esteve no centro dessas atenções.


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Afinal, a insistência de Roberto Martínez em manter Ronaldo durante todo o período da fase de grupos, aos 41 anos, fez com que Gonçalo Ramos somasse apenas sete minutos nesta parte do torneio, ao passo que Gonçalo Guedes nem do banco saiu.

Face aos diversos comentários - principalmente negativos - sobre as prestações do avançado do Al-Nassr no Mundial, o zerozero decidiu olhar atentamente para os dados que pautam o trabalho produzido por Cristiano na fase de grupos da prova, para tentar perceber se o experiente ponta de lança foi essencial ou se esteve a mais na equipa portuguesa.

Comparações com Messi? Inevitáveis, mas injustas

Olhando a frio para as estatísticas que pautam as exibições de Cristiano Ronaldo no Mundial 2026 até ao momento, é possível retirar várias conclusões sobre o seu impacto e que forma influenciou - ou afetou - Portugal nesta secção da prova.

Ora, o experiente jogador, de 41 anos, somou um rating médio de 7.0 pontos, sendo este um número que o coloca como o sétimo melhor da turma lusa - é Bruno Fernandes quem lidera, com 7.6 pontos. Para efeitos de comparação, Lionel Messi registou uma média de 9.0 pontos face aos três jogos em que atuou até então.

Ronaldo é o melhor marcador de Portugal, tendo rubricado dois golos na vitória frente ao Uzbequistão. Ficou em branco nos outros dois encontros da fase de grupos, ao contrário de Messi, que marcou nos três embates e lidera a lista com seis tentos rubricados - dois a mais que Haaland, Mbappé, Dembélé e Vini Jr.

Em termos ofensivos, CR7 findou a ronda em questão com 2.52 xG [n.d.r: Expected Goals, ou seja, golos esperados], sendo este o terceiro melhor registo na competição - apenas atrás de Lionel Messi (2.84 xG) e Ismaila Sarr (3.02 xG). Além disso, Ronaldo é o único com 270 minutos na bagagem se olharmos para o top-9 deste lote.

Já no campo dos xGoT [n.d.r: Expected Goals on Target, ou seja, uma métrica que avalia a probabilidade de um remate enquadrado com a baliza terminar no fundo das redes], o número baixa ligeiramente - para 2.31 xGoT - e coloca Cristiano atrás de 7 jogadores.

Ainda no campo da criação de perigo, o capitão da turma portuguesa somou 13 remates - foi o quarto melhor, em igualdade com Harry Kane -, sendo que apenas seis - menos de metade - foram considerados tentativas à baliza contrária - quatro dos 13 foram para fora, enquanto três foram bloqueados por um opositor.

Por último, o ponta de lança das Quinas falhou quatro grandes oportunidades, situando-se no topo desta lista ao lado de Enner Valencia e Kylian Mbappé.

Dificuldades no jogo de ligação e nulidade no drible

Se nos afastarmos um pouco da concretização no último terço, conseguimos ver que Ronaldo apresenta, também, algumas dificuldades noutros setores e processos, tais como na fase associativa do jogo, bem como no momento de ultrapassar a oposição com recurso a dribles.

Aliás, e iniciando este subcapítulo pelo final do parágrafo anterior, Cristiano Ronaldo não concretizou qualquer drible até ao momento no Mundial 2026, uma vez que... nem sequer tentou. Para efeitos de comparação, quatro guarda-redes somaram pelo menos um drible na competição, sendo que o ex-Boavista Alireza Beiranvand registou três dribles conseguidos.

Olhando para outro aspeto do trabalho produzido pelo jogador que atua na Arábia Saudita, CR7 somou 94 toques na bola, sendo o 11.º jogador de uma lista portuguesa liderada por Vitinha - com 200 a mais que o capitão.

Sobre a fase de transição, Ronaldo tem 54 passes certos no currículo do Mundial - e dos quatro jogadores com 270 minutos disputados, fica apenas à frente de... Diogo Costa (50). Tem, assim, o pior registo de um jogador de campo se considerarmos o grupo que já somou, pelo menos, 150 minutos.

CR7 obriga defesas a atenção redobrada?

Um dos argumentos utilizados para a necessidade de manter Ronaldo no onze inicial - e até durante largos períodos da partida, mesmo quando o jogador de 41 anos já acusa a fadiga inerente à intensidade vivenciada numa grande prova - prende-se com o facto da presença do astro luso obrigar os defesas contrários a atenção redobrada.

Relativamente a esse argumento, o zerozero olhou para o número de faltas sofridas, sendo que Cristiano sofreu apenas três durante a fase de grupos da competição. Nuno Mendes lidera o lote em questão com nove.

Sobre os duelos frente à oposição, Cristiano Ronaldo somou 12 - é o 12.º jogador de Portugal no ranking de quem mais duelos registou -, sendo que sete foram ganhos e cinco foram perdidos. O ala Nuno Mendes volta a estar em destaque nesta lista, com 37 duelos - 18 ganhos, 19 perdidos.

Para fechar, Cris registou somente cinco passes no terço ofensivo e este é um número que o coloca no lado inferior da lista em questão - que tem Vitinha como líder, com 47.

São estes os principais dados que pautaram o trabalho desenvolvido por Ronaldo ao serviço de Portugal na fase de grupos do Mundial 2026. Números que criam uma narrativa factual e que dão lugar a opiniões distintas.

E para si, caro leitor? Ronaldo foi essencial ou excedentário nesta fase da prova?

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