Jornal do Fla
·14 juillet 2026
As crianças já se divertiram. Agora é hora dos adultos reclamarem do Flamengo

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·14 juillet 2026

Roger de Rabutin, também conhecido como Conde de Bussy, teria dito certa vez que “a distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande”. Sendo ele um nobre francês que faleceu em 1693 e cujas principais atividades envolviam sequestrar viúvas e produzir obras satíricas sobre a corte, são mínimas as chances de que soubesse o quão bem estava descrevendo a saudade que o torcedor sente do seu clube durante a Copa do Mundo.
A verdade é que, se no começo havia um elemento quase terapêutico nessa pausa de meio de temporada, em que Rossi não poderia falhar porque não estava jogando e se Carrascal fosse expulso de maneira infantil o problema não seria nosso mas sim da população de um país vizinho, é bom saber que nesse fim de semana o Mundial de Seleções acaba e semana que vem vai ser possível ver novamente o Flamengo em campo.
Mas em que contexto chega esse Flamengo? Primeiro temos os nove atletas rubro-negros convocados para a própria Copa do Mundo, um recorde histórico para o clube e um leque tão amplo de jogadores que permite os mais variados status e as mais variadas trajetórias no torneio.
Léo Pereira? Nem entrou em campo, assim como Carrascal, com a diferença de que Léo Pereira nós não estávamos ansiosos para vender. Arrascaeta? Foi machucado e se recuperou apenas para se machucar de novo e voltar ainda em processo de recuperação. Alex Sandro e De la Cruz, que normalmente estão lesionados quando mais precisamos deles no Flamengo, não estavam lesionados, mas também não foram tão necessários em suas seleções.
Varela atuou mais, assim como Danilo, ainda que o uruguaio seja oficialmente um lateral e o brasileiro tenha sido obrigado a retornar para a posição onde não se considerava mais em condições de jogar – e tenha pago o preço dessa decisão de Ancelotti. Já Plata foi decisivo pelo Equador, com um grande jogo contra a Alemanha e Lucas Paquetá, apesar do desempenho de regular para bom na seleção brasileira, foi vítima da histeria antipaquetista que chegou a comemorar a lesão do único meia brasileiro que ousava jogar de forma vertical.
E quem não foi pra Copa? Na excursão dos comandados de Léo Jardim por Portugal, que levou a conquista do Troféu Algarve, o tipo de taça que certos clubes em algumas décadas fingiriam que foi um Mundial Interclubes, também tivemos alguns destaques. Samuel Lino e Emerson Royal foram decisivos, Johnny apareceu como opção para a lateral esquerda e Wallace Yan pode estar se livrando da maldição pós-Copa do Mundo de Clubes, numa excursão que pode ter sido muito importante para o futuro aproveitamento de crias da base, com espaço até mesmo para Lorran fazer um gol.
Mas o que isso significa para o resto da temporada? Significa, em linhas gerais, que continuamos precisando de reforços. Wallace Yan está em busca de reabilitação mas Pedro segue sem um reserva. Alex Sandro continua disponível para poucos jogos e Ayrton Lucas não é confiável. E, mesmo que tenha sofrido uma lobotomia completa ao som de Shakira na concentração colombiana, Carrascal ainda não é o reserva que precisamos para Arrascaeta.
E pra quem não lembra, a situação não é nada boa. Sete pontos de distância do líder no Brasileirão, eliminado da Copa do Brasil e com um duelo complicado pelo Cruzeiro pelas oitavas da Libertadores, o Flamengo já gastou qualquer margem, gordura ou espaço pra hesitação durante o primeiro semestre. O planejamento da temporada começou ruim, decisões absurdas foram tomadas, chegamos em julho num contexto muito diferente do esperado ou mesmo do razoável. O que era pra ser uma temporada de Brasil na Copa de 1970 rapidamente ganhou artes de campanha do país em 2026.
Só que existe sim tempo pra que as coisas voltem aos eixos. O Brasileirão ainda é possível, a Libertadores é uma realidade, desde que sejam feitos os ajustes necessários num elenco que tem imenso potencial – mas também visíveis carências – e Leonardo Jardim consiga oferecer ao clube uma regularidade que ele ainda não alcançou sob seu comando.
Porque Copa do Mundo é bonito, é importante, mas o que vem a partir da próxima quarta-feira é o que realmente importa e não queremos passar com o Flamengo o nível de raiva que passamos com a seleção brasileira.
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