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·16 février 2026

Benfica 5, Real Madrid 2: o dia em que José Mourinho foi goleado na Luz

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Cinco golos ao Real Madrid são sempre um acontecimento. Mesmo em jogos de pré-época. Talvez por isso o Benfica-Real Madrid da Eusébio Cup de 2012, terminado com um inesperado 5-2, continue a resistir ao tempo.

Anos depois, os caminhos de águias e merengues voltam a cruzar-se - agora com José Mourinho do lado encarnado, numa inversão simbólica que ajuda a explicar a pertinência deste desenterrar de memória.


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Foi a partir desse cruzamento entre passado e presente que o zerozero decidiu voltar a essa tarde/noite. Para perceber o que realmente representou aquele 5-2, ouvimos quem o viveu por dentro: Artur Moraes, guarda-redes titular do Benfica nesse jogo, e Luisinho, que entrou nos minutos finais.

*Artigo originalmente publicado a 28 de janeiro, antes do jogo entre águias e merengues na fase de liga da Liga dos Campeões

«Estávamos habituados a vê-los pela televisão»

O contexto era de pré-época, mas o cenário e o adversário afastavam qualquer ideia de banalidade. A Eusébio Cup - ainda o King era vivo -, disputada no Estádio da Luz, colocava frente a frente Benfica e Real Madrid, um colosso europeu treinado por José Mourinho e recheado de nomes que dispensavam apresentações, mesmo sem Cristiano Ronaldo.

A ausência do capitão da seleção portuguesa foi sentida, admitem os protagonistas, mas não esvaziou o espetáculo. Kaká, Di María, Higuaín, Varane e Benzema davam peso ao encontro e ajudavam a transformar uma noite de julho num teste sério. «Foi um jogo com grandes jogadores dos dois lados. Foi uma grande festa», recorda Artur Moraes, titular na baliza encarnada durante os 90 minutos.

Para o guarda-redes brasileiro, a ausência de Cristiano Ronaldo retirou até um duelo especial ao jogo. «Pelo espetáculo, teria sido importante que ele estivesse presente. Para mim, como guarda-redes, seria especial enfrentá-lo, tentar defender os seus remates», admite.

Luisinho, que entraria já perto do fim, vivia o jogo com outros olhos. Recém-chegado ao Benfica, sentiu de forma particular o impacto do momento: «Representar logo o Benfica, e ainda por cima contra o Real Madrid, foi uma emoção enorme. Estávamos habituados a vê-los na televisão e de repente estavam ali, a um metro de nós.»

O Benfica adiantou-se cedo no marcador, o Real respondeu com dois golos rápidos e a incerteza instalou-se por breves instantes. O que se seguiu foi uma exibição que fugiu ao guião habitual destes encontros de verão: intensidade, eficácia e uma sucessão de golos que acabariam por fixar o resultado em 5-2. 

Mesmo sem algumas das suas maiores figuras, o Real Madrid não foi encarado como um adversário menor. «Não estava o Ronaldo e gostávamos que estivesse, mas os craques estavam lá na mesma», reforça Luisinho. Do lado do Benfica, a resposta foi à altura do palco, num jogo que rapidamente ultrapassou o estatuto de particular.

Para Artur Moraes, mais do que o marcador, ficou a sensação de controlo e maturidade competitiva: «Jogámos muito bem. Foi daqueles jogos em que sentimos que a equipa respondeu em todos os momentos.»

O troféu foi entregue, a pré-época seguiu o seu curso, mas aquela noite ficou guardada. Não apenas pelo resultado, mas pela forma como o Benfica se apresentou diante de um dos clubes mais poderosos do mundo - e pelo facto de, sem o saber, estar ali a escrever o último capítulo de um confronto que só muitos anos depois voltaria a ganhar atualidade.

A «semana dura» que apagou o triplete do Benfica

O triunfo sobre o Real Madrid não foi vivido, dentro do balneário, como um acaso de verão. Pelo contrário, encaixava numa perceção que já existia antes do apito inicial: a de que o Benfica estava a construir algo sólido, com bases lançadas e ambição de fazer algo especial.

Artur Moraes lembra que, apesar de ser início de época, a equipa já apresentava sinais de maturidade. «Independentemente do jogo com o Real, nós já sentíamos que tínhamos uma grande equipa», sublinha. A continuidade no comando técnico, o entrosamento crescente e a qualidade individual ajudavam a explicar essa confiança: «Havia a noção da responsabilidade que era jogar no Benfica. Sabíamos que vinha aí uma época forte

Essa ideia é reforçada por Luisinho, que olha para o 5-2 como um reflexo fiel do que viria a ser a temporada. «Esse jogo foi o espelho de 95 por cento da época do Benfica». Em casa, sobretudo, a equipa impunha um ritmo elevado desde cedo: «Muitas vezes, ao intervalo, os jogos já estavam praticamente resolvidos.»

A força coletiva era uma das imagens de marca daquele grupo. Mais do que individualidades, havia identidade, intensidade e exigência interna trabalhadas por Jorge Jesus. «Queríamos jogar, fazer golos, não deixar o adversário jogar», resume o lateral.

O percurso confirmou essa sensação inicial, ainda que com um desfecho cruel. O Benfica discutiu o campeonato até à última jornada e chegou às finais da Taça de Portugal e da Liga Europa. O que podia ter sido um triplete transformou-se numa sequência de desilusões concentradas na reta final da temporada.

«Foi uma semana dura», reconhece Artur Moraes. Ainda assim, a leitura não se altera: «Podia ter sido um ano histórico.»

Luisinho acompanha essa visão e recusa reduzir a época aos troféus perdidos: «O Benfica esteve inserido em tudo. Foi às finais de tudo, mas faltou aquela pontinha de sorte nos momentos decisivos.»

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