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·29 mai 2026

Casa Pia e o regresso a casa: o futuro de Pina Manique volta à mesa

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Depois de assegurar a continuidade na Primeira Liga frente ao Torreense, o Casa Pia deixou no ar um cenário que acompanha o clube praticamente desde o regresso ao principal escalão: a possibilidade de voltar finalmente a Pina Manique, ao seu próprio estádio.

Num momento de celebração pela manutenção, Álvaro Pacheco admitiu que «vai haver novidades para breve» relativamente ao futuro do clube e reforçou a importância de o Casa Pia voltar a jogar num estádio próprio. Uma declaração curta, mas suficiente para reabrir um tema que se tornou novamente relevante no contexto português atual. 


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Nesse sentido, puxemos a cassete atrás e olhemos para todo o percurso percorrido pela equipa lisboeta até aqui, no que diz respeito a esta matéria, que pode agora conhecer finalmente uma nova versão. 

De Pina Manique para Rio Maior

A história começa em 2022, quando o Casa Pia regressou à Primeira Liga várias décadas depois. O feito desportivo trouxe, no entanto, um problema imediato visto que o Estádio Pina Manique não cumpria os requisitos de licenciamento exigidos pela Liga Portugal.

O recinto histórico do clube, inaugurado em 1954 e com capacidade para cerca de 2500 espectadores, apresentava várias limitações estruturais. Entre elas, insuficiências ao nível da iluminação, segurança, acessos, zonas técnicas, áreas de imprensa e capacidade mínima exigida para transmissões televisivas e organização de jogos profissionais.

Sem margem para adaptar o estádio em tempo útil, o Casa Pia viu-se obrigado a abandonar temporariamente a sua casa. Primeiro, instalou-se no Estádio Nacional do Jamor, durante a temporada 2022/23. O Jamor surgiu como a alternativa mais imediata e viável, até pela proximidade geográfica relativamente a Lisboa. Ainda assim, rapidamente se percebeu que dificilmente seria uma solução sustentável a médio prazo.

Desde logo, existiam questões relacionadas com a operacionalidade do recinto. O Estádio Nacional é um espaço histórico e emblemático, mas apresenta várias limitações para utilização regular num contexto moderno de Primeira Liga. O relvado foi alvo de críticas em diversos momentos, a gestão do recinto é mais complexa devido à dependência estatal e o próprio modelo de utilização não permitia ao Casa Pia ter um verdadeiro controlo sobre o espaço.

Além disso, o clube procurava uma solução onde pudesse criar maior estabilidade e personalização. Em Rio Maior, o Casa Pia encontrou precisamente isso: um estádio mais pequeno, mais funcional, mais fácil de operar diariamente e onde conseguiu adaptar espaços comerciais, zonas de adeptos e áreas internas à sua realidade. A parceria com a autarquia local e com a Desmor também facilitou esse processo.

Nesse sentido, e com o passar do tempo, Rio Maior deixou de ser apenas um recurso temporário. O clube investiu em melhorias estruturais, recebeu inclusive distinções da Liga Portugal pelas intervenções efetuadas e foi consolidando ali uma espécie de «casa emprestada». Ainda assim, nunca deixou de existir a perceção de distância entre a equipa e a sua identidade original. Porque, apesar da estabilidade na Primeir Liga, o Casa Pia continuava longe de casa.

O que falta para o regresso a Pina Manique?

O processo revelou-se muito mais complexo do que inicialmente previsto. Desde logo pela localização do estádio, inserido junto ao Parque Florestal de Monsanto, uma zona urbanisticamente sensível que exige múltiplos pareceres ambientais e camarários.

Ao mesmo tempo, a dimensão financeira da operação também ajudou a atrasar o avanço do projeto. A ideia nunca passou por uma simples remodelação, mas sim pela construção praticamente integral de um novo estádio capaz de cumprir critérios da Liga Portugal e da UEFA.

Ainda assim, nos últimos dois anos existiram avanços importantes. Em fevereiro de 2024, o projeto de arquitetura do novo Estádio Pina Manique foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Lisboa. O plano prevê um recinto moderno, enquadrado nos critérios UEFA Categoria 4, com capacidade entre cinco e oito mil espectadores, novas áreas técnicas, zonas corporativas e infraestruturas adaptadas ao futebol profissional.

Na altura, a própria direção do clube admitia a intenção de demolir integralmente o atual estádio assim que o financiamento estivesse assegurado. O investimento estimado ronda os 15 milhões de euros.

Até este mês, contudo, ainda não existia confirmação pública do arranque efetivo das obras profundas. Daí que as palavras recentes de Álvaro Pacheco ganhem agora especial relevância.

A alavanca de um projeto e de um clube

O eventual regresso a Pina Manique além de representar uma mudança geográfica e um regresso às origens poderá também representar uma alteração estrutural no projeto do Casa Pia.

Ao longo destes anos, a deslocação para Rio Maior trouxe impactos evidentes na dificuldade em aproximar adeptos, no ambiente pálido nos jogos, na quebra da identidade do clube e, principalmente, na difícil logistica que, tal como treinador indica, pode prejudicar muito o sucesso desportivo. Afinal, jogar a mais de 80 quilómetros de Lisboa nunca permitiu ao clube criar uma verdadeira rotina de Primeira Liga, como um clube ambicioso supostamente devia ter.

Nesse sentido, voltar a Pina Manique poderá significar um ponto de viragem importante no crescimento do Casa Pia. Não apenas pela dimensão emocional do regresso à «casa mãe», mas também pelo potencial de consolidação desportiva, comercial e institucional que um estádio próprio oferece.

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