Central do Timão
·19 mars 2026
Colaboradoras do Corinthians registram denúncias de assédio no Parque São Jorge e Neo Química Arena

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Ao longo das últimas semanas, duas funcionárias que prestam serviços ao Corinthians apresentaram denúncias de casos de assédios por funcionários do clube. A primeira denúncia veio de uma uma bombeira que havia sido contratada para trabalhar na Neo Química Arena. A outra, por sua vez, partiu de uma funcionária do Parque São Jorge. Esta última fez acusações através de uma denúncia interna. Já a bombeira detalhou os acontecimentos através de um processo trabalhista.
Nos próximos dias, o Alvinegro deve oficializar o afastamento dos dois funcionários, um deles do Parque São Jorge e o outro da Neo Química Arena. Como citado, ambos estão ligados à acusações de assédio sexual e moral. A decisão será deliberada pelos departamentos administrativos dos dois locais após reunião interna.

Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
A Central do Timão obteve acesso aos documentos de ambas as denúncias. O caso ocorrido no Parque São Jorge foi denunciado internamente no final de fevereiro de 2026 e passou a ser alvo de sindicância logo após o Corinthians tomar ciência dos fatos. Os episódios da Neo Química Arena aconteceram entre 2024 e 2025. Em outubro do ano passado, foi mencionado como parte de um processo trabalhista iniciado pela bombeira, que não se tornou público por estar em segredo de justiça.
A denúncia de assédio na Neo Química Arena
O caso de assédio no estádio foi denunciado através de um processo trabalhista, movido por uma bombeira contratada para trabalhar na Neo Química Arena em maio de 2024. A autora detalha, na ação – petição inicial registrada em outubro de 2025 – que possui contrato trabalhista com uma empresa que presta serviços ao Alvinegro e que, consequentemente, não possui vínculo empregatício com o Corinthians.
No processo trabalhista, revela que trabalhou informalmente por um período de dez meses, sendo registrada apenas em março de 2025. Inicialmente, exercia a função de bombeira freelancer e, posteriormente, passou a ser coordenadora da equipe de bombeiras, limpeza e recepção da Arena. Na ação, também cita jornadas exaustivas de trabalho – 80 horas semanais. Além disso, afirma que, em dias de jogos, chegava a permanecer por 16 horas no local de trabalho, não tendo as horas extras pelo serviço compensadas com folgas.
Ainda relata que, mesmo em situações de descanso, precisava ficar disponível para os seus superiores. A bombeira diz que o assédio começou a ser sofrido dois meses depois de iniciar seu serviço na Neo Química Arena, citando como o autor outro coordenador de bombeiras do mesmo posto de trabalho. A vítima comenta que o autor buscava situações de pretexto para se encontrar com ela e, com isso, buscava agarrá-la e, em certa ocasião, chegando a prendê-lá no banheiro.
Em todas as situações, a bombeira rejeitou as tentativas de abuso e reagiu recusando as investidas. Ela, inclusive, deixava claro que era casada e tinha família. A vítima ainda revela que denunciou a situação aos seus chefes, mas estes não teriam feito nada e ainda disseram para que a situação fosse levada como forma de ‘brincadeira’, já que o contrato de prestação de serviço da sua empresa precisava ser mantido com o Corinthians.
O responsável pelo assédio, conforme revelações da vítima, chegou a reagir e ameaçou demiti-la se insistisse em seguir denunciado os abusos. Além disso, ela ainda afirma que sofreu pressões psicológicas, já que o autor ressaltava ter contatos de dentro do Corinthians que poderiam fazer com que ela fosse demitida da sua função.
Temendo perder o emprego, a bombeira resolveu se silenciar diante dos abusos Porém, com a evolução drástica dos assédios, em março de 2025, voltou a relatar as situações envolvendo o mesmo autor aos seus superiores. Na ação, é citado que o funcionário em questão foi demitido por outros motivos, que não o assédio com a bombeira. Um mês depois, o mesmo indivíduo, dessa vez, foi contratado pelo Corinthians como pessoa jurídica e retornando ao mesmo posto de trabalho da vítima.
Os advogados da vítima ressaltam que, com o retorno do mesmo funcionário à Neo Química Arena, as ameaças e outras situações não previstas em contrato retornaram. Os episódios em questão geraram impactos na saúda da bombeira, que acabou desenvolvendo aspectos como insônia, crises de ansiedade, princípio de depressão e relação familiar desgastada. Em junho do ano passado, mês em que a vítima apresentou as denúncias contra o colaborador em boletim de ocorrência, o Corinthians remanejou a funcionária de setor.
No mês seguinte do registro do Boletim de Ocorrência, isto é, em julho, a funcionária foi diagnosticada com Síndrome de Burnout e Transtorno de Adaptação com Humor Misto Ansioso e Depressivo. Ela, inclusive, foi recomendada por um médico para que se afastasse do trabalho por 120 dias. No entanto, a empresa para qual trabalha não aceitou emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), não sendo possível, desta forma, de tirar o período de licença do seu emprego e, também, proibida de ter acesso ao benefício do INSS. Além disso, a empregadora tentou demitir a vítima, mas esta se recusou a assinar o aviso prévio.
No processo trabalhista, a bombeira pede a rescisão indireta, ressaltando as más condições do seu ambiente de trabalho, incluindo os episódios de assédio sexual e moral, além de a toxicidade do local e cargas de trabalho em excesso. Datado de outubro de 2025, o valor da causa da ação é de R$ 326 mil e, neste momento, não há informações sobre o andamento do caso nas últimas semana.
A denúncia de assédio no Parque São Jorge
Na sede social do Corinthians, Parque São Jorge, uma mulher alega ter sido vítima de assédio moral e sexual de um segurança do Parque São Jorge. A vítima, que chefia a área de controle de acesso do local no período da noite, afirma que foi importunada sexualmente por David Prado Nunes. Em boletim de ocorrência registrado no último dia 28 de fevereiro, no 52º Distrito Policial, a mulher cita que, por duas vezes, o autor forçou contato físico e beijos sem o seu consentimento. Internamento, a denúncia foi feito através de uma carta no dia 26 de fevereiro.
David Prado Nunes foi procurado pela reportagem do portal Sportinsider, mas não respondeu o portal até o momento da publicação da matéria. O Corinthians, por sua vez, afirma que abriu um processo de “sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos.” Depois da formalização da denúncia, a Polícia Civil iniciou um inquérito para investigar o caso.
Em nota à reportagem da Sportinsider, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou: “O caso citado é investigado por meio de inquérito policial no 52º Distrito Policial (Parque São Jorge). Diligências estão em andamento para o total esclarecimento dos fatos.”
Acusação de omissão por parte do Corinthians no caso
A advogada da funcionária do Parque São Jorge, Camila Gonsalez, disse em entrevista ao portal Sportinsider que, além dos episódios de assédio sexual, a vítima também passou a ser alvo de perseguição profissional. A defesa da vítima ainda afirma que a situação pode se enquadrar em intimidação sistemática e assédio moral no local de trabalho.
Além disso, a denúncia também cita uma suposta omissão de dirigentes do Corinthians. No dia 5 de março, a funcionária enviou uma notificação extrajudicial enviada ao departamento jurídico do Alvinegro e afirma que buscou comunicação com o setor de de Recursos Humanos para denunciar os crimes de David Prado Nunes, mas a área teria se recusado a formalizar os fatos e, por consequência, tomar medidas em relação ao caso. A mulher classifica o episódio como um “desincentivo” à denúncia.
“Disseram abertamente que o canal de denúncia é meramente institucional e que a queixa dela seria apenas “mais uma em um milhão”, sem qualquer garantia de que seria efetivamente apurada ou respondida”, diz a advogado da vítima à Sportinsider. A defesa da funcionária chegou a citar Fábio Soares, diretor administrativo do Corinthians, e acusou o dirigente de proteger o autor do episódio de assédio. A magistrada entende que Fábio manteve tolerância excessiva diante dos fatos apresentados.
A Sportinsider procurou o diretor através do Corinthians e enviou uma mensagem para o seu contato telefônico, mas não teve resposta. Na notificação extrajudicial datada do dia 5 de março, a vítima, representada por sua advogada, solicita que medidas legais e administrativas sejam tomadas para apurar a conduta do acusado e a possível omissão por parte dos gestores do Alvinegro.
À reportagem do veículo, o Corinthians se manifestou: “Ao tomar conhecimento do caso mencionado, foi instaurada uma sindicância interna para a apuração rigorosa dos fatos. O Corinthians reforça que trata com absoluta seriedade qualquer relato dessa natureza e que todas as ocorrências são analisadas com responsabilidade, garantindo o devido processo de investigação.”
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