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·25 mai 2026

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1958

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O momento tão esperado pelo povo brasileiro veio em 1958. 20 anos após o terceiro lugar na Copa de 1938 e oito após a decepção do Maracanazzo, o Brasil enfim era campeão da Copa do Mundo. Um time forte, que contava com um menino de 17 anos que entrou ao longo da competição e não saiu mais da história do futebol.

Antes das glórias, é preciso recordar o caminho que o Brasil percorreu até a Suécia. Afinal, Vicente Feola assumiu o comando da equipe, promovendo uma mudança importante. Um dos atacantes agora precisaria recompor o meio e os laterais ficariam mais presos à defesa, o que basicamente originou o 4-3-3.


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No ciclo, campanha ruim no Sul-Americano de 1955, terminando apenas na quarta colocação. Já no ano seguinte, derrota para a Argentina na final. Entretanto, nas Eliminatórias, confronto duro com o Peru. Empate em 1 a 1 em Lima. No jogo da volta, Didi, de falta, carimbou a classificação brasileira para a Copa.

A Seleção iniciou a preparação cerca de dois meses antes do torneio, em Araxá, no interior mineiro. Inicialmente, o elenco era composto por 31 atletas. Depois de amistosos contra Flamengo e Corinthians e as vitórias contra o Paraguai, por 5 a 0, e Bulgária, por 3 a 0, houve os cortes e Feola fechou a lista com 22 jogadores.

Entre os convocados, o goleiro Castilho, o lateral Nilton Santos, o zagueiro Mauro Santos e o meia Didi estavam na Copa de 54. Inclusive, os dois primeiros também disputaram a edição de 50, se tornando os primeiros a disputarem três Mundiais. Antes da estreia na Suécia, a Seleção realizou dois amistosos: 4 a 0 contra Fiorentina e Internazionale. A delegação, liderada por Paulo Machado de Carvalho, tinha uma grande comitiva, que contava com dentista e psicólogo.

Fase de grupos

Feola decidiu iniciar a Copa com Pelé e Garrincha no banco, assim como Djalma Santos, Pepe e Vavá. Na estreia contra a Áustria, Mazzola abriu o marcador na reta final do primeiro tempo, após passe de Didi. No segundo tempo, Nilton Santos ignorou as ordens para ficar na defesa, arrancou pela esquerda, tabelou com Mazzola, invadiu a área e chutou na saída do goleiro para marcar o segundo. Por fim, a parceria do primeiro gol se repetiu e Mazzola marcou o terceiro. Com o jogo tranquilo, o treinador acabou dormindo no banco de reservas e acordou mandando o time acordar, sendo recordado pelos jogadores que o placar já estava 3 a 0.

Entretanto, a tranquilidade não apareceu na segunda partida. O Brasil parou na defesa inglesa e não tinha muita criatividade no ataque, mesmo com a entrada de Vavá no time. Nos minutos finais, De Sordi ainda se jogou na área para evitar um gol inglês, que decretaria a derrota brasileira. Por fim, a Seleção protagonizou o primeiro empate sem gols da história das Copas.

Após o jogo difícil, Feola colocou Garrincha, Pelé e Zito no time titular para encarar a União Soviética, então medalhista de ouro nas Olimpíadas de 56. Entretanto, a força ofensiva fez a diferença. Com duas bolas na trave logo no início do jogo, o Brasil abriu o placar com Vavá, aos três minutos. Na segunda etapa, o atacante apareceu mais uma vez para marcar o segundo e fechar o marcador. A atuação chamou a atenção da imprensa internacional, que declarava essa a melhor performance brasileira na história dos Mundiais. Vittorio Pozzo, técnico bicampeão do torneio com a Itália em 34 e 38, afirmou que ninguém conseguiria parar o Brasil neste nível.

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Pelé iniciou a Copa no banco e terminou como artilheiro – Foto: Arquivo/CBF

O brilho do Rei

Nas quartas de final, o adversário seria o País de Gales, que participou do torneio de última hora e eliminou a vice-campeã Hungria na fase de grupos. Para a partida, Feola promoveu o retorno de Mazzola no lugar de Vavá. Inclusive, o atacante do Palmeiras teve a grande oportunidade do primeiro tempo, mandando uma bola na trave. Com a dificuldade do confronto, apareceu a magia de um menino de 17 anos. Aos 21 minutos do segundo tempo, Pelé recebeu na área, deu um lençol no zagueiro Mel Charles, a bola pingou e ele finalizou firme para marcar, se tornando o mais jovem a marcar, até hoje, no torneio. Mazzola ainda chegou a marcar de bicicleta, mas o lance foi anulado. Vitória magra e classificação brasileira com o primeiro brilho do Rei na competição.

Na semifinal, a adversária seria a França, do artilheiro Just Fontaine, que já havia marcado oito vezes na competição, além do astro Raymond Kopa. Vavá havia retornado ao time titular e abriu o marcador logo aos dois minutos, aproveitando falha da marcação. Sete minutos depois, Fontaine teve uma bela troca de passes com Kopa, recebeu nas costas da defesa e deixou tudo igual. Só que, ainda no primeiro tempo, Didi mandou uma bomba de fora da área e marcou o segundo gol brasileiro. Garrincha ainda chegou a marcar o terceiro, anulado por impedimento.

No segundo tempo, Pelé apareceu mais uma vez com maestria. Após boa jogada de Zagallo, o camisa 10 aproveitou falha da defesa e bateu no canto para marcar o terceiro. Doze minutos depois, Garrincha deixou a marcação para trás pela direita, tocou para Vavá, que foi travado pela defesa. Porém, na sobra, o Rei transformou o placar em goleada. Por fim, Pelé recebeu de Didi, dominou no peito e chutou no cantinho, em mais um gol antológico, seu terceiro na partida e o quinto do Brasil. Piantoni até descontou para a França, mas nada que apagasse a grande atuação brasileira, que ganhava mais destaque no mundo.

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Brasileiros fizeram a festa em Estocolmo – Foto: Arquivo/CBF

A decisão

A final começou com um problema para o Brasil. Afinal, a Suécia, atuando em casa, iria jogar com seu uniforme principal, amarelo. A Seleção não tinha um segundo uniforme e, de última hora, a delegação decidiu usar o azul, em homenagem ao manto de Nossa Senhora Aparecida. Entretanto, as camisas azuis já haviam sido utilizadas em treinos. Com isso, novas peças foram compradas nos arredores de onde a equipe estava hospedada em Estocolmo e bordaram os escudos da CBD nas camisas.

Em campo, Djalma Santos assumiu a vaga no lugar de De Sordi, machucado. No começo do jogo, os brasileiros erraram muitos passes por não estarem acostumados a jogar de azul e Liedholm aproveitou para abrir o marcador para a Suécia. Porém, cinco minutos depois, Garrincha cruzou na área e Vavá apareceu para empatar. Pelé ainda teve uma grande oportunidade, mandando a bola na trave. Entretanto, Garrincha apareceu novamente, com outro cruzamento para o atacante do Vasco, que virou o placar.

No começo do segundo tempo, Pelé apareceu mais uma vez. Nilton Santos cruzou na área, o camisa 10 dominou no peito, deu um chapéu em Bengt Gustavsson e chutou, sem deixar a bola cair no chão, marcando outro gol antológico no torneio. A Seleção seguia jogando com autoridade e transformou o placar em goleada. Zagallo aproveitou bola desviada pela defesa, ganhou na dividida e marcou o quarto. Os suecos descontaram com Simonsson, que recebeu sozinho dentro da área. Porém, já nos acréscimos, Pelé recebeu cruzamento de Zagallo e cabeceou na canto, para fechar o marcador e decretar a final de Copa do Mundo com o maior número de gols da história.

Fim de jogo, festa brasileira em Estocolmo, com a consagração de um menino de 17 anos. Na comemoração, Bellini ergueu a taça, para todo mundo ver, eternizando um gesto copiado até hoje. No retorno ao país, a primeira parada foi o Recife, com um desfile debaixo de muita chuva. Depois na chegada ao Rio de Janeiro, a delegação foi recebida pelo presidente Juscelino Kubitschek e fez muita festa desfilando nas ruas da capital em um carro aberto.

Jogadores convocados

Goleiros: Castilho – Fluminense Gilmar – Corinthians

Laterais: Djalma Santos – Portuguesa Nilton Santos – Botafogo De Sordi – São Paulo Oreco – Corinthians

Zagueiros: Bellini – Vasco Zózimo – Bangu Orlando – Vasco Mauro Ramos – São Paulo

Meias: Dino Sani – São Paulo Didi – Botafogo Moacir – Flamengo Zito – Santos

Atacantes: Pelé – Santos Zagallo – Botafogo Garrincha – Botafogo Vavá – Vasco Joel – Flamengo Mazzola – Palmeiras Dida – Flamengo Pepe – Santos

Ficha técnica

Campeão: Brasil Vice-campeã: Suécia Final: Brasil 5 x 2 Suécia Artilheiro: Just Fontaine (França) – 13 gols Colocação do Brasil: 1º lugar Artilheiro do Brasil: Pelé – seis gols Resultados do Brasil: Brasil 3 x 0 Áustria | Brasil 0 x 0 Inglaterra | Brasil 2 x 0 União Soviética | Brasil 1 x 0 País de Gales | Brasil 5 x 2 França | Brasil 5 x 2 Suécia

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