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·17 janvier 2026

Conselho aprova impeachment e afasta Julio Casares da presidência do São Paulo

Image de l'article :Conselho aprova impeachment e afasta Julio Casares da presidência do São Paulo

Julio Casares foi afastado da presidência do São Paulo nesta sexta-feira.

O Conselho Deliberativo do clube se reuniu no salão nobre do Morumbis e aprovou o impeachment do mandatário, que teve o nome envolvido em escândalos policiais recentes. Foram 188 votos a favor da destituição e 45 contra, além de dois votos em branco. Com a saída de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume o cargo de forma temporária.


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Ao todo, 235 conselheiros compareceram à reunião, alcançando o quórum mínimo. O clima do encontro foi cordial. Inicialmente, Casares e seus advogados se defenderam perante o Conselho. Em seguida, os signatários do pedido de impeachment também argumentaram.

Do lado de fora, entretanto, houve muita pressão. Torcedores do São Paulo protestaram com faixas e fogos de artifício nos arredores do Morumbis pedindo o impeachment de Julio Casares.

A pressão sobre Casares cresceu com o desenrolar dos últimos fatos. Diante das polêmicas divulgadas na imprensa e os casos investigados pela Polícia Civil, torcedores fizeram fortes manifestações e protestos contra o presidente. Principais organizadas do São Paulo, a Independente e a Dragões da Real exigiram a renúncia antes mesmo da votação de impeachment ser marcada.

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Julio Casares em reunião do Conselho Deliberativo (Foto: Divulgação/São Paulo FC)

Nos últimos dias, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, havia atendido a um pedido da defesa de Casares, o que tornaria a votação 100% presencial e com quórum de 75% para aprovação. Contudo, a oposição são-paulina entrou na Justiça e conseguiu tornar a reunião híbrida, com necessidade de dois terços dos votos para que a destituição fosse aprovada.

O São Paulo recorreu da decisão, mas a Justiça negou o recurso e manteve a liminar ativa. Nesse meio tempo, Casares perdeu apoio da própria situação e de pares próximos.

Quem assume?

Com o afastamento de Julio Casares, quem assume de maneira imediata é o vice-presidente da atual gestão, segundo consta no Estatuto Social do clube. Neste caso, o sucessor imediato é o vice Harry Massis Júnior, que está no cargo desde 2021.

Conforme o Estatuto do São Paulo, Massis Jr. ficará no clube até o término do mandato do presidente afastado. Ou seja, ele comandará o Tricolor até o fim de 2026.

Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, o profissional já exerceu diferentes funções no Tricolor. Entre 2001 e 2002, por exemplo, atuou como diretor adjunto de futebol. Também já foi diretor adjunto adminstrativo entre 1992 e 1993.

Próximos passos

Agora, Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, terá de definir uma data para a Assembleia Geral dos Sócios, que é a última instância do processo de destituição e conta com a participação dos associados do clube.

Casares permanecerá afastado de suas funções até a divulgação do resultado final da Assembleia Geral. Se os sócios endossarem que ele deve deixar o cargo, o mandatário será definitivamente destituído. Por outro lado, se os associados forem contra o impeachment, ele retorna à cadeira presidencial normalmente.

Se Julio Casares for definitivamente destituído da presidência após a Assembleia Geral dos Sócios, perderá o restante do mandato, que iria até o fim de 2026. No entanto, ele se manteria como associado do clube e estaria apto a concorrer a qualquer outro cargo em uma eleição futura.

Entenda a crise

A crise política no São Paulo teve início ainda em 2025 com um “racha” entre Julio Casares e Carlos Belmonte, antigo diretor de futebol, devido a questões de sucessão política. A situação ficou insustentável após a goleada de 6 a 0 para o Fluminense, que culminou nas saídas de Belmonte e dos diretores Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi.

A pressão sobre Casares começou a crescer a partir do dia 16 de dezembro, com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil também passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares. Diante de tal cenário, o grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou um pedido de impeachment do mandatário, com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.

Já na última terça-feira, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário alegaram que não há qualquer tipo de irregularidade.

Já na última quinta-feira, um dia antes da votação de impeachment, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.

Para coletar informações, o órgão listou uma série de nomes e entidades que podem ser convocados para prestar informações e esclarecimentos. Na lista, além de Julio Casares, presidente do São Paulo, e membros da diretoria do clube, estão Samir Xaud, presidente da CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF).

Gestão Casares

Casares foi eleito presidente do São Paulo pela primeira vez em dezembro de 2020, comandando o clube no triênio 2021-2023. Pertencente à chapa Juntos pelo São Paulo, com Harry Massis Jr. como vice, ele recebeu 155 votos contra 78 da chapa Resgate Tricolor, encabeçada por Roberto Natel.

Já em 2023, o dirigente foi candidato único e se reelegeu presidente do São Paulo para o triênio 2024-2026. Foram 194 votos a favor do mandatário, com 30 em branco e dez nulos.

Durante o período à frente do clube, Casares conquistou três títulos: o Campeonato Paulista (2021), a Copa do Brasil (2023) e a Supercopa do Brasil (2024).

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