Zerozero
·28 juillet 2026
«Courtney Reum? Não foi por ele que perdemos, mas a situação não é digna do futebol profissional»

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·28 juillet 2026

O '4 Cantos do Mundo' é um podcast do jornalista Diogo Matos que se uniu ao zerozero. O conceito é relativamente simples: entrevistas a jogadores/ex-jogadores portugueses que tenham passado por pelo menos quatro países no estrangeiro. Mais do que o lado desportivo, queremos conhecer também a vertente social/cultural destas experiências. Assim, para além de poder contar com uma entrevista nova nos canais do podcast nos dias 10 e 26 de cada mês, pode também ler excertos das conversas no nosso portal.
Com passagens por Inglaterra, Espanha, Roménia, Catar e Bulgária (onde joga atualmente), Boubacar Hanne conta ainda com uma experiência ao serviço do Lank Vilaverdense, em 2023/24. Nessa época, o conjunto de Vila Verde passava por grandes dificuldades financeiras e, para as tentar ultrapassar, apostou em algo fora do comum. Courtney Reum, empresário norte-americano à data com 45 anos, decidiu investir no clube, mas com a condição de fazer pelo menos um jogo - o milionário só tinha jogado futebol a nível universitário no início do século XXI.
«Toda a gente acreditou até ao fim, estivemos a lutar pela permanência até à última jornada - penso mesmo que tínhamos equipa para nos conseguirmos salvar. Ainda assim, as coisas começaram a ficar mais difíceis ali a partir de janeiro, altura em que começou a haver rescisões e saídas. Salários em atraso? É difícil, especialmente para os colegas que têm filhos e família. Dificuldades? Penso que houve um ou dois colegas que, pontualmente, tiveram de ser ajudados com compras. Apesar de tudo isto, ninguém nos pode acusar de nada porque demos sempre o máximo», começou por dizer Boubacar Hanne, que recordou ainda a chegar de Courtney Reum à equipa:
«Claro que é difícil, mas esta situação surgiu para nos tentar ajudar. Em termos de dia a dia, o Courtney Reum sempre foi uma pessoa impecável, no tempo em que este connosco tentou treinar e participar nas coisas do dia a dia com o restante plantel. Era um jogador normal, tinha feito a sua preparação antes para tentar chegar o mais preparado possível. Claro que não era o ideal porque não era profissional, mas não foi por ele que saímos prejudicados ou perdemos.»
Curiosamente, o único jogo do norte-americano ao serviço do Lank Vilaverdense coincidiu com a descida de divisão do clube: em Coimbra, Reum entrou à passagem do minuto 86 e, após o apito final, celebrou com os amigos presentes na bancada o facto de se ter estreado como profissional.
«Já estávamos um bocado preparados para o que podia acontecer, portanto não foi um choque para ninguém. Ele entrou cinco/dez minutos e não foi por ele que perdemos. No entanto, claro que a situação não é digna do futebol profissional que conhecemos. Nem lá perto. Foi apenas a solução que as pessoas encontraram para tentarem ajudar o clube», rematou Boubacar Hanne.







































