Jornal do Fla
·12 juin 2026
Da Raça aos EUA: Lula detalha missão de levar pressão à arquibancada da Seleção Brasileira com o MVA

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·12 juin 2026

A ‘frieza’ das arquibancadas da Seleção Brasileira deve acabar. É o que promete o Movimento Verde e Amarelo (MVA), que leva para a Copa do Mundo integrantes e lideranças de diferentes torcidas organizadas de clubes brasileiros para fazer uma festa histórica nos EUA, em 2026, começando pelo jogo de sábado (13), contra o Marrocos.
Representando o Flamengo, Lula da Raça, como é conhecido popularmente, sendo uma das principais lideranças do Maior Movimento de Torcidas do Brasil, vai estar na Copa do Mundo para apoiar o Brasil e fazer o MVA ainda mais forte.
O Jornal do Fla conversou com torcedor, que vai trocar a Raça Rubro-Negra e o Flamengo pela Seleção Brasileira enquanto ela estiver em solo americano. Ao conversar com a reportagem, ele detalha o desafio de liderar esse choque cultural. A ‘trégua’ com os rivais vem em tom de honra por representar o Brasil.
“Não vejo problema nenhum eu ser um cara da arquibancada do Flamengo e representar o Brasil. É uma questão de honra para cada um de nós. Eu sirvo à Seleção Brasileira estando no MVA. Toda competição que tiver o Brasil envolvido e eu puder estar lá com o MVA, é uma honra para mim. Me sinto muito honrado por ter recebido esse convite, e não é só para o Lula, é para qualquer torcedor que entenda sua importância na arquibancada e que pode agregar à arquibancada brasileira”, afirma.
Lula diz que haverá muito respeito entre os torcedores de diferentes clubes, e que isso se torna secundário ao longo da Copa do Mundo em busca do sonhado Hexa.
“Não tenho problema nenhum em estar do meu lado são-paulino, corintiano, santista, Goiás, Vila Nova, Atlético-MG, Cruzeiro, Inter, Grêmio, nossos rivais do Rio… Me sinto honrado em representar o meu país e estar ao lado de companheiros que entendem que a rivalidade de quarta e domingo ficam lá”, avisa.
Lula reconhece que os valores para acompanhar o Brasil dificultam uma massa que cante o tempo todo, e o grande desafio do MVA será contagiar os torcedores presentes.
“Esse foi o maior desafio que resolvi assumir. Sabemos que os esportes que envolvem o Brasil não são baratos. O público que vai acompanhar o Brasil em qualquer modalidade esportiva, a gente chama de frio, não tem aquela pegada de arquibancada, o sangue nos olhos, aquela coisa da gente cantar pela paixão ao clube”, comenta, antes de continuar:
“Mas o legal é que esse público acaba te codificando, e quando isso acontece e você continua dando sua vida na arquibancada, esse público sabe que quem está ali é um cara que ama arquibancada, gosta de fazer, e automaticamente a gente vai contagiando esse público. Eles vão vendo a gente e o torcedor vai entrando nessa atmosfera, de forma ainda um pouco tímida. Sabíamos desses desafios, e o homem que não é movido por desafio, ele perdeu o sentido da vida. A gente já está vendo bastante resultado. Não vai acontecer tão rápido, tem que ser gradativo, para não crescer de uma vez e no primeiro problema começa a cair e deixa de existir”.
Apesar de uma união em prol do Brasil, Lula explica que a rivalidade não se apaga.
“Os companheiros que estão chegando agora, vai ter aquela distância. Mesmo estando na mesma arquibancada, não quer dizer que vou ter que abraçar o cara que torce para um clube 100% rival do meu. Não preciso estar do lado dele, nem ele do meu. Simplesmente precisamos cantar e empurrar a Seleção Brasileira para a vitória para que a gente leve essa Seleção até a final. O propósito é esse, e não confraternizar as Torcidas Organizadas. A questão não é a gente se unir, é unir em prol do Brasil, estar na arquibancada cantando Brasil. Isso está muito bem alinhado. Não vai haver problema nenhum”, garante.
Unidos, sim, mas rivais, também. A intenção é apoiar a Seleção Brasileira, mas o respeito pela rivalidade ainda vai existir. No entanto, os torcedores organizados já se uniram em outras oportunidades para defender a continuidade dessas associações.
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“O legal é que dentro da rivalidade de quarta e domingo, na arquibancada, estarão as lideranças torcendo para o Brasil. Isso é muito comum acontecer. Todas as vezes que o Ministério Público, ou algum juiz, se levanta para tentar calar e cercear a nossa voz, impedir nossos trabalhos na arquibancada, a gente acaba se unindo para combater essa ação draconiana por parte das nossas autoridades. É uma prova de que quando há um bem comum, a gente se une, sim. É muito sobre Brasil. Acabou o jogo, Brasil ganhou, cada um vai beber onde quer, confraternizar onde quer, ninguém é obrigado a estar junto. É respeitar a rivalidade, sim, pois a rivalidade não é sobre nós que estamos na arquibancada, mas sobre as instituições, e temos que respeitar. É algo que vem ao longo do tempo e isso mostra que a gente sabe viver, sim, em sociedade, se respeitando, mas sem abrir mão da rivalidade”, afirma.
Além de Lula, há outros integrantes da Raça Rubro-Negra envolvidos.
“Terão outros integrantes da Raça. Ricardo, da CaliFla, embaixada da Califórnia, Gabriel, que frequentava a Fla USA New England, gigante em Boston, que infelizmente deixou de existir. Estaremos juntos na arquibancada, vamos nos confraternizar entre nós mesmos. Tenho outros amigos no MVA, estou indo para meu quarto ano aqui. Tenho amigos que torcem para outros clubes e somos amigos independente da nossa paixão clubista. Estamos no dia a dia, conversamos muito, fazemos parte do comitê”, explica.
Na grande mídia, saíram informações de que os torcedores do MVA estariam sendo bancados pela CBF e patrocinadores para torcer pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Lula da Raça nega as informações.
De acordo com o flamenguista, o que aconteceu foi o acesso aos ingressos com um valor promocional. Os torcedores puderam comprar ingressos para os jogos do Brasil por 60 dólares, ou seja, algo em torno de R$ 305.
“O legal de unir as lideranças é unir na arquibancada. Em uma conversa com a CBF, conseguimos comprar os ingressos na categoria popular. Todos compraram esses ingressos, diferentemente das informações que saíram dizendo que a CBF está bancando, ou patrocinador está bancando. Muito pelo contrário, todos compramos nossos ingressos, num valor diferente, de 60 dólares por jogo”, conta.
A bagagem musical também está sendo ampliada, e o voo aos EUA foi muito importante para isso. Em mais de nove horas dentro do avião, os torcedores brasileiros puderam lapidar músicas e confeccionar novas canções para a Copa do Mundo.
“Estamos trabalhando, sim, algumas canções. Inclusive agora no voo, vindo para os EUA. Vamos trazer algumas canções de arquibancada, já, de algumas torcidas. Trabalhamos algumas canções. Aperfeiçoamos no voo, voo longo, 9h40, dá para nascer muita canção. Vai ter muita coisa nova, coisa boa, outras que já estão na boca do torcedor, vai ter muita batucada, o povo de torcida organizada tocando. Está tudo muito alinhado, estamos prontos e confiantes do que vamos fazer”, promete.
A expectativa agora está voltada para a estreia do Brasil, e os torcedores vão acompanhar as novidades do MVA na Copa do Mundo.
“Vamos representar nosso torcedor que ficou no Brasil e está espalhado pelo mundo. O que não vai faltar é muita dedicação, responsabilidade, comprometimento. Vamos fazer arquibancada de verdade. Estou muito animado para sábado, para mostrar que viemos para fazer arquibancada do jeito que o torcedor gosta, genuinamente brasileira”, conclui.
O Brasil enfrenta o Marrocos às 19h (de Brasília) deste sábado (13). O Grupo C conta ainda com jogos contra Haiti e Escócia, na sexta (19) e na quarta-feira (24).
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