Central do Timão
·16 avril 2026
Denúncia do MP aponta apropriação indevida de R$ 3,4 milhões no Corinthians e inclui novo possível desvio

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O Ministério Público do Estado de São Paulo ofereceu denúncia criminal contra quatro pessoas por suposto envolvimento em um esquema de apropriação indébita de recursos do Sport Club Corinthians Paulista (SCCP), que teria ocorrido entre janeiro de 2018 e dezembro de 2023. O valor nominal do prejuízo apontado é de R$ 3.472.485,72, podendo ultrapassar R$ 7,3 milhões após atualização monetária.
De acordo com a peça acusatória, que consta em documento obtido pela Central do Timão, o principal denunciado é João Odair de Souza, conhecido como “Caveira”, que atuava como motorista, assessor e consultor de segurança nas gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.

Foto: Divulgação/Corinthians
Segundo o MP, ele teria se apropriado de valores recebidos a título de adiantamentos para custeio de serviços, especialmente relacionados à segurança, sem apresentar comprovação adequada da destinação dos recursos.
A investigação aponta que os valores eram transferidos de forma recorrente, muitas vezes com periodicidade mensal ou quinzenal, diretamente para contas vinculadas ao denunciado, tanto em seu CPF quanto em pessoa jurídica sob sua responsabilidade. Parte significativa desses depósitos foi realizada em nome da empresa JOS Serviços Expedientes Ltda., utilizada, segundo o MP, como canal de concentração dos recursos.
Apesar da vinculação dos valores a despesas específicas, como contratação de segurança para eventos e situações pontuais no clube, a denúncia destaca a ausência de documentos fiscais, contratos, recibos idôneos ou qualquer comprovação formal que sustentasse os gastos. Relatórios apresentados pelo investigado, baseados em despesas como alimentação, combustível e estacionamento, foram considerados insuficientes do ponto de vista jurídico e contábil.
Ainda segundo a acusação, a documentação interna do próprio clube indicou expressamente a inexistência de prestação de contas referente a valores milionários, identificados em planilhas com lacunas documentais.
Participação por omissão do setor financeiro
Além de João Odair, o MP também denunciou o então gerente financeiro Roberto Gavioli e os ex-diretores financeiros Matias Antonio Romano de Ávila e Wesley Lúcio Cavalcante Melo. Eles são acusados de participação no esquema por omissão, uma vez que, segundo a denúncia, ocupavam posições que exigiam controle, fiscalização e validação das despesas.
A acusação sustenta que os três tinham dever legal e estatutário de agir para evitar irregularidades, mas deixaram de exigir documentação comprobatória, autorizaram repasses sem lastro e não adotaram medidas para interromper o fluxo de pagamentos considerados suspeitos.
O MP afirma que a movimentação financeira do clube dependia da autorização desses gestores, inclusive com registros bancários que os apontam como responsáveis formais pelas contas. Nesse contexto, a denúncia argumenta que não há plausibilidade na alegação de desconhecimento das irregularidades.
A peça também aponta falhas estruturais na gestão financeira do clube durante o período investigado, com ausência de controles básicos, quebra da rastreabilidade dos recursos e descumprimento de normas estatutárias.
Em um dos trechos, o Ministério Público menciona a possibilidade de “cegueira deliberada” por parte dos gestores, caracterizada pela escolha consciente de não verificar irregularidades evidentes para evitar responsabilização.
Depoimentos colhidos durante a investigação indicam que decisões financeiras eram centralizadas, sem questionamentos, e que havia uma postura de não interferência para “não brecar a máquina”, o que, segundo o MP, contribuiu para a continuidade das irregularidades ao longo de cinco anos.
Os denunciados foram enquadrados no crime de apropriação indébita qualificada, com continuidade delitiva. No caso dos integrantes do setor financeiro, a imputação inclui ainda omissão penalmente relevante. O Ministério Público requer a abertura de ação penal, com a citação dos acusados, produção de provas e eventual condenação, além do ressarcimento de R$ 3,47 milhões ao clube, com a devida atualização monetária.
A peça também pleiteia a fixação de indenização por danos morais, estimada em ao menos 75% do prejuízo material no caso dos gestores financeiros, o bloqueio de bens dos denunciados para assegurar eventual reparação, a realização de perícia contábil para apuração precisa dos valores e a quebra dos sigilos bancário e fiscal, bem como a obtenção de relatórios do COAF sobre movimentações suspeitas.
Aditamento inclui novo possível desvio na gestão atual
Em aditamento à portaria inicial da investigação, o Ministério Público determinou a inclusão de novos fatos relacionados a um possível desvio de aproximadamente R$ 294 mil, identificado em auditoria referente ao período entre janeiro e julho de 2025.
Segundo o documento, os novos elementos envolvem indícios de utilização de notas fiscais inidôneas, adiantamentos irregulares e reembolsos inexistentes, em dinâmica considerada semelhante à já investigada nos anos anteriores .
O aditamento também amplia o rol de investigados, com a inclusão de nomes ligados à gestão mais recente do clube, entre eles um operador financeiro de Augusto Melo e outros envolvidos que ainda serão identificados ao longo da apuração.
O MP requisitou ao Corinthians o envio da auditoria que apontou a inconsistência contábil, a fim de aprofundar a investigação e verificar a conexão entre os fatos.
A denúncia integra um conjunto de investigações envolvendo a gestão financeira do clube e, segundo o próprio MP, este é o quarto caso em que o Corinthians figura como vítima em ações penais recentes. As investigações continuam, inclusive para apurar eventual participação de outros dirigentes e aprofundar os novos fatos incluídos no aditamento. A Justiça ainda deverá decidir sobre o recebimento da denúncia e o andamento do processo.
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