Coluna do Fla
·16 juillet 2026
Dirigente do Flamengo provoca Abel Ferreira, do Palmeiras: “Deve toda carreira ao Brasil”

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·16 juillet 2026

Flamengo e Palmeiras são os maiores rivais do futebol brasileiro nos últimos dez anos. Em entrevista, o diretor de futebol rubro-negro José Boto colocou mais um ‘molho’ nessa disputa. Para o português, Abel Ferreira deve muito ao futebol brasileiro e não pode entrar na mesma prateleira de Leonardo Jardim, do Mengão.
— Eu nunca trabalhei com o Abel. Ele faz um sucesso muito grande no Brasil e acho que ele deve toda a sua carreira ao Brasil. Ou seja, é daqueles treinadores que o Brasil fez dele treinador. O Abel treinou o Braga… Não estou dizendo que foi mal ou bem. Depois, treinou o PAOK (GRE) e saiu de lá para o Palmeiras —, iniciou José Boto.
— E toda a carreira dele de sucesso, que ele (de fato) tem, foi construída no Brasil. Todos os outros treinadores (portugueses) que já passaram pelo Brasil, Jorge Jesus, o Leonardo agora, construíram (suas) carreiras antes de chegar ao Brasil —, acrescentou o português, em entrevista à ESPN.
Questionado se o Flamengo e o Palmeiras, de Abel Ferreira, vão seguir dominando as principais competições, José Boto acredita que sim. No entanto, o português aposta que um futuro adversário do Mengão pode pintar como terceira força: o Cruzeiro, adversário nas oitavas da Libertadores, em agosto.
— Olhando de uma forma realista, em não acontecendo nada de muito extraordinário naquilo que é o desenho do futebol do Brasil neste momento, acho que durante bastante anos, vai ser (a hegemonia) entre esses dois (Flamengo e Palmeiras). Muito provavelmente, o Cruzeiro pode ser um outsider em algumas situações —, pontuou Boto.
Acredita que o Filipe Luís pode vir a ser o grande expoente do Brasil na Europa? Um exemplo a ser seguido? “Ele pode… Ele pode. Agora, indo um pouquinho mais fundo na sua questão, o Filipe é mais fruto dele próprio – do estudo e do interesse dele, de toda a sua carreira também na Europa, sempre muito interessado -, do que propriamente um estandarte, uma bandeira dos técnicos brasileiros. Acho que não se pode colocar as coisas assim. Dizer “agora, temos aqui o Filipe, que vai ter sucesso, porque a escola brasileira de treinadores está outra vez tendo sucesso”. Acho que seria ruim até para o próprio Brasil – que tem, em minha opinião, de fazer uma reflexão profunda sobre muitas coisas – associar o sucesso do Filipe Luís, ou o possível sucesso dele na Europa, que esperamos que ele venha a ter, a algo que tenha muito a ver com aquilo que seria a evolução dos técnicos brasileiros”. Quais as diferenças entre o Filipe Luís e o Leonardo Jardim na hora de trabalhar com o mercado? “É sempre diferente. Trabalhar com o De Zerbi é diferente de trabalhar com o Luís Castro. Trabalhar com o (Paulo) Fonseca é diferente de trabalhar com o Leonardo Jardim. Os treinadores têm os seus modelos de jogo e os seus modelos de jogadores. Há treinadores que dão muita importância a um fator, enquanto outros treinadores dão menos importância a esse fator e valorizam outros fatores”. O que o Leonardo valoriza mais então…? “Deixe-me terminar, porque acho que é importante que as pessoas percebam isso. Às vezes, a experiência de mercado que você tem, de estar envolvido no mercado… E, no caso do Filipe, ele não tinha muita. O Leonardo tem muito mais experiência. São muitos anos de futebol. E (ele) tem muito mais experiência de perceber, às vezes, como é que o mercado funciona. Porque, às vezes, o que é difícil no trabalho com um treinador é ele não perceber que o mercado não funciona assim, você não compra um jogador por 10 e, passado um mês, esse jogador não joga, e você não consegue vendê-lo por 10. Isso não existe. Quando você tem mais experiência, sabe que isso não pode acontecer. Você vai perder dinheiro, quando você quer vender um jogador que você comprou há pouco tempo e ele não é utilizado. São essas pequenas nuances que fazem também a diferença entre trabalhar com um e trabalhar com o outro. Não é melhor, nem pior. É diferente. De todos os novos treinadores que eu tive ao longo de minha carreira, deste lado aqui, todos eles (são) diferentes. Todos, todos”. O Leonardo Jardim está entre os cinco melhores portugueses da atualidade? “Podem ir buscar uma entrevista que eu dei em janeiro. Eu considero o Leonardo um dos melhores treinadores portugueses, sem ser o (José) Mourinho. E com fatos. Não é que eu gosto mais do Leonardo, que eu gosto mais do Paulo Fonseca, que eu gosto mais do Luís Castro, que são pessoas com quem já trabalhei. São os fatos, são os resultados. E você não tem nenhum outro treinador português, a não ser o Mourinho, que tenha ganhado um campeonato nas Big Five. Tem o Mourinho, que já andou muito lá, e depois tem o Leonardo. Só esse fato já faz dele um treinador com um currículo diferente de todos os outros. Não quer dizer que, daqui alguns anos, isso não vá acontecer, que não vá haver outros treinadores bons que vão ganhar. Eu considero (que) o Leonardo, seguramente, (está) no top 3 de treinadores portugueses nos últimos 10, 15 anos”.







































