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·16 janvier 2026
Entenda como será a votação do impeachment de Julio Casares no São Paulo

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·16 janvier 2026

Nesta sexta-feira, o Conselho Deliberativo do São Paulo irá votar o impeachment do presidente Julio Casares. Neste sentido, a Gazeta Esportiva separou tudo que você precisa saber sobre o encontro que pode afastar temporariamente o mandatário tricolor.
Os conselheiros do São Paulo se reunirão para votar o impeachment de Casares nas dependências do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbis. A primeira chamada está prevista para às 18h30 (de Brasília), enquanto a segunda acontece às 19h.
A votação será realizada de maneira híbrida. Principal organizada do São Paulo, a torcida Independente convocou os torcedores para um protesto antes da reunião. A tendência, portanto, é que a segurança nas redondezas do estádio seja reforçada.
“A convocação é pela SOBREVIVÊNCIA do São Paulo FC antes mesmo da temporada começar. O cenário é de caos institucional e precisamos nos reagrupar enquanto torcida do SPFC, esquecer diferenças e ideologias, focarmos somente no que importa nesse momento: A moralidade!
Pra isso, temos que derrubar essa gestão que traiu tanto a nós quanto a vocês. Dia 16 de janeiro será a votação no Conselho Deliberativo, sobre o impeachment da gestão Casares, a partir das 18h30.
17h marcaremos o início da nossa mobilização. Vá ao Morumbi, vamos mostrar a força do nosso povo mais uma vez. Não nos tornamos o mais popular por acaso. Fizemos acontecer a torcida que conduz e chegou a hora de provar, outra vez, o que somos capazes de fazer JUNTOS, organizados e comuns.
Conselheiros, o recado é claro. Votem pelo impeachment e mais, está na hora de pensarem seriamente em derrubar os cargos vitalícios. Sejam são-paulinos!“, publicou a organizada.

Foto: Divulgação/São Paulo
A votação no Conselho será totalmente secreta e já passou por mudanças desde o início do processo. Inicialmente, o pleito seria realizado de maneira 100% presencial e, para a aprovação do impeachment de Casares, com base no artigo 112 do Estatuto Social do clube, seriam necessários dois terços dos conselheiros — ou seja, 171 dos 254 membros aptos.
No último dia 8 de janeiro, por sua vez, a defesa de Julio Casares levou a Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, uma interpretação baseada no artigo 58, que indica que seriam necessários 75% dos votos dos conselheiros para que a destituição fosse acatada (191 dos 254 membros). O pedido de mudança foi aceito pelo mandatário do CD, que concedeu coletiva de imprensa e justificou as alterações.
Diante deste cenário, um grupo de conselheiros foi à Justiça e entrou com uma ação visando promover mudanças no quórum necessário para a aprovação do impeachment e também no formato da reunião. Em decisão proferida pela 3º Vara Cível do Butantã, a liminar foi aceita e determinou que o pleito será realizado de forma híbrida, com votos presenciais ou virtuais.
Além disso, a juíza responsável pela decisão também entendeu que é preciso ter 75% dos conselheiros (191 conselheiros) para que a reunião aconteça, mas o impeachment pode ser aprovado mediante os votos favoráveis de dois terços dos conselheiros (171), como seria antes do CD aceitar o pedido da defesa de Casares. O São Paulo tentou recorrer, mas a liminar foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Caso o Conselho do São Paulo aprove o impeachment de Casares, o presidente será afastado imediatamente do cargo, que será assumido por Harry Massis Júnior, primeiro vice-presidente do clube. Em contrapartida, se a destituição não passar no CD, o caso será encerrado.
Se o Conselho Deliberativo der parecer positivo quanto ao impeachment de Casares, Olten Ayres, presidente do órgão, terá de definir uma data para a Assembleia Geral dos Sócios, que é a última instância do processo de destituição e conta com a participação dos associados do clube.
Nesse cenário, Casares permaneceria afastado de suas funções até a divulgação do resultado final da Assembleia Geral. Se os sócios endossarem que ele deve deixar o cargo, o mandatário será definitivamente destituído. Por outro lado, se os associados forem contra a destituição, ele retorna à cadeira presidencial normalmente.
Caso Casares seja definitivamente destituído da presidência após a Assembleia Geral dos Sócios, perderá o restante do mandato, que iria até o fim de 2026. No entanto, ele se manteria como associado do clube e estaria apto a concorrer a qualquer outro cargo em uma eleição futura.
Com o possível impeachment de um presidente, quem assume de maneira imediata é o vice-presidente da atual gestão, segundo consta no Estatuto Social do clube. Neste caso, com a eventual destituição de Julio Casares, o sucessor imediato é o vice Harry Massis Júnior, que está no cargo desde 2021.
Conforme o Estatuto do São Paulo, Massis Jr. ficaria no clube até o término do mandato do presidente que foi destituído. Ou seja, o novo presidente comandaria o Tricolor até o fim de 2026.
Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, o profissional já exerceu diferentes funções no Tricolor. Entre 2001 e 2002, por exemplo, atuou como diretor adjunto de futebol. Também já foi diretor adjunto adminstrativo entre 1992 e 1993.

Harry Massis Júnior, vice-presidente do São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram @massisjunior)
A gestão de Julio Casares no São Paulo vive seu período de maior turbulência. Diante dos recentes escândalos divulgados pela imprensa e das investigações abertas pela Polícia Civil, o grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou o pedido de impeachment do presidente com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.
O grupo político reuniu 57 assinaturas de conselheiros. Além disso, os opositores divulgaram que deste montante, 13 são atores políticos considerados da situação. Ou seja, antigos aliados de Julio Casares estão mudando de lado no tabuleiro político tricolor.
A pressão política sobre Casares começou a crescer no dia 16 de dezembro de 2025, com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis, feita pelo ge. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso.
Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, o UOL revelou que a Polícia Civil também investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, quando se iniciou a gestão Casares. Foi após este escândalo que o grupo de conselheiros da oposição decidiu protocolar o pedido de impeachment do mandatário tricolor.
Já no último dia 6 de janeiro deste ano, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.
Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões. Diante deste cenário, a Polícia Civil passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube, segundo revelado pelo Fantástico. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.
Já na última quinta-feira, um dia antes da votação de impeachment, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.
Para coletar informações, o órgão listou uma série de nomes e entidades que podem ser convocados para prestar informações e esclarecimentos. Na lista, além de Julio Casares, presidente do São Paulo, e membros da diretoria do clube, estão Samir Xaud, presidente da CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF).
Após os escândalos, as principais organizadas do São Paulo — Independente e Dragões da Real — se manifestaram pela primeira vez, de forma contundente, exigindo a renúncia de Julio Casares.
“NOTA OFICIAL: RENÚNCIA JÁ. RESPEITEM O SPFC!
A coisa é séria, é SPFC e por isso a Torcida Independente aguardou inquérito policial e judicialmente o andamento das denúncias sobre a gestão Júlio Casares e cia, porque não poderíamos errar o posicionamento por achismos ou falta de provas. Eis que o tempo mostrou uma verdade cretina, covarde e canalha daquele que dizia ser o ‘presidente da arquibancada’.
Nunca confunda torcedor, apoiar o São Paulo como sempre apoiamos com passar pano pra diretoria ou pior, fazer parte de esquemas. A prática institucional do São Paulo com as torcidas organizadas existe desde a fundação da primeira TO do clube, bem como esteve presente nas diretorias que conquistaram os 3 Mundiais, com dirigentes honestos que marcaram época.
Pra nós é justo. Afinal, são TODOS os jogos no Morumbi, pelo Brasil e pelo continente, representando a torcida do São Paulo FC. O apoio incondicional ao TIME em meio a gestões desastrosas, salvou o SPFC de cair e levou o nosso time aos títulos que voltaram. Quanto a derrubar cartolagem, precisávamos de provas. Agora elas existem. Mas não somos nós que derrubamos, que fique claro.
Hoje fazemos voz com todos que querem FORA CASARES mas ele só sai por RENÚNCIA espontânea ou por impeachment do Conselho. Lembramos, 1/3 de conselheiros são suficientes pra manter o cara no poder. Apontaremos Conselheiro por Conselheiro se for necessário.
Mara Casares, Douglas Schwarztmann, a Justiça, o Ministério Publico, a Polícia, estão no circuito. Exigimos que quaisquer outros conselheiros envolvidos em escândalo também sejam expostos.
BASTA de circo! O time já está treinando, sem dinheiro, sem reforços de peso. Nem diretoria de futebol está nomeada. O navio está à deriva. A RESPONSABILIZACAO DE TODOS e que a Justiça prevaleça! Não aceitaremos menos do que isso“, escreveu a Independente.
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As questões políticas do São Paulo parecem estar afetando o elenco profissional dentro de campo. O Tricolor paulista perdeu para o Mirassol na estreia do Campeonato Paulista, por 3 a 0, e já se viu em maus lençóis após a mudança no formato do Estadual. O técnico Hernán Crespo comentou a necessidade de blindar os atletas dos problemas nos bastidores, mas reconheceu a situação complicada.
“É um momento delicado. Acredito na Justiça. A Polícia está trabalhando e ainda não tem um culpado, então eu acompanho com confiança, pensando que, até que se prove o contrário, todo mundo é inocente. Todo mundo está tentando ajudar, colocando a cara e trabalhando todo dia para melhorar a situação. O grupo de atletas tem que estar blindado, é um problema que tem que ficar fora. É difícil? Muito difícil”, disse.
Após a vitória sobre o São Bernardo, Crespo evitou comentar sobre a crise política, mas afirmou que torce por um desfecho rápido da situação.
“Temos que ficar fora das situações políticas, mas condiciona sim, claro que condiciona. O mercado, se ficam, se saem. Todo mundo precisa que o São Paulo seja claro para poder construir, com base sólida para poder construir um clube ainda maior. Como falei outro dia, o São Paulo é maior que todos nós juntos. A coisa mais importante é isso: estar unidos, trabalhar, e o que tem para acontecer, que aconteça. Estamos focados aqui, no que podemos controlar, estamos fazendo, que é o jogo, treinador. O que quer que aconteça, espero que se resolva rapidamente, para o bem do São Paulo”, comentou o treinador.









































