Central do Timão
·1 juin 2026
Entenda por que Augusto Melo pode ser expulso do Corinthians nesta segunda-feira

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·1 juin 2026

Por Larissa Beppler e Henrique Vigliotti | Redação da Central do Timão
O Conselho Deliberativo do Corinthians realiza nesta segunda-feira (1º) uma nova sessão decisiva para os rumos políticos do clube. Na pauta está a apreciação do pedido de exclusão do ex-presidente Augusto Melo do quadro associativo, medida que, se aprovada, aumentará a sequência de desligamentos envolvendo ex-dirigentes da instituição em um curto espaço de tempo.
A análise ocorre pouco mais de dois anos após Augusto assumir a presidência do Timão e está diretamente relacionada aos acontecimentos registrados em 31 de maio de 2025, quando o então dirigente afastado tentou reassumir o comando do clube no Parque São Jorge. O episódio mobilizou aliados, gerou tensão interna e aprofundou a crise política que já se desenrolava nos bastidores corinthianos.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
A movimentação configurou uma tentativa de desconsiderar os efeitos do processo de impeachment que havia retirado Augusto da presidência dias antes. Na ocasião, a conselheira Maria Angela de Sousa Ocampos anunciou que havia assumido a presidência do Conselho Deliberativo e declarou inválidas decisões tomadas pelo então presidente do órgão Romeu Tuma Júnior, incluindo a votação que resultou no afastamento do dirigente.
Com base nessa interpretação, Augusto Melo e seus apoiadores defenderam que o impeachment não possuía mais validade e que ele estaria apto a retornar ao cargo. Entretanto, a iniciativa não foi reconhecida pela direção que conduzia o clube naquele momento. Osmar Stabile, então presidente interino, recusou-se a deixar o cargo e reafirmou a legitimidade da sucessão ocorrida após o afastamento do antecessor.
O episódio terminou sem alteração no comando do Corinthians, mas desencadeou novos procedimentos internos. Além de Augusto Melo, outros conselheiros envolvidos na ação serão julgados nesta segunda-feira. Entre eles estão Maria Angela de Sousa Ocampos, 1ª secretária do Conselho, e os membros da Comissão de Ética e Disciplina Mario Mello Junior, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé.
A Central do Timão teve acesso aos pareceres elaborados pela Comissão de Ética nos processos referentes a cada um dos casos investigados. Em todas as situações, o órgão recomendou a aplicação da pena de desligamento dos envolvidos. Os acusados já apresentaram recurso ao Conselho Deliberativo, que deverá apreciar os pedidos e proferir sua decisão na noite desta segunda-feira.
As investigações envolvendo Augusto Melo vão além das disputas administrativas internas. O ex-presidente foi alvo de processo de impeachment motivado por supostas irregularidades no contrato de patrocínio firmado com a casa de apostas VaideBet, além de questionamentos ligados à Lei Geral do Esporte e ao estatuto do clube. Paralelamente, ele responde na Justiça a acusações de associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto.
O Conselho Deliberativo ainda prevê uma nova sessão na próxima semana para analisar a situação de outros associados e conselheiros apontados como participantes dos acontecimentos de maio de 2025. Entre os nomes que deverão ser avaliados estão Carlos Eduardo Melo Silva, Rodrigo Simonini Gonzalez, Wanderson Contrera Salles, Marcos Coelho Abdo, Paulo Rogerio Pinheiro Junior, Laercio Ferreira Victoria, Leandro Olmedila e Peterson Ruan.
As investigações internas identificaram, por meio de imagens do sistema de monitoramento do clube, a presença de aproximadamente 50 pessoas na área da presidência durante a tentativa de retomada do poder. Além dos conselheiros citados, alguns associados também participaram da mobilização.
A crise institucional também teve desdobramentos para outros ex-presidentes do Corinthians. Na semana passada, Andrés Sanchez foi excluído do quadro associativo do clube por decisão do Conselho Deliberativo, em processo relacionado ao uso considerado irregular do cartão corporativo para despesas de caráter particular. Dias depois, Duilio Monteiro Alves anunciou a renúncia ao título de sócio remido e deixou os cargos que ocupava como conselheiro vitalício e membro do Conselho de Orientação antes da conclusão do julgamento de seu caso.
A votação desta segunda-feira é mais um desdobramento de um dos períodos de maior instabilidade política recente do Corinthians, marcado por disputas de poder, processos disciplinares, críticas sobre a condução administrativa do clube e pelo avanço de medidas judiciais que mantêm em aberto a possibilidade de uma intervenção na gestão alvinegra.







































