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·18 janvier 2026

“Esse cara é um filho da puta”: os bastidores da votação do impeachment de Julio Casares

Image de l'article :“Esse cara é um filho da puta”: os bastidores da votação do impeachment de Julio Casares

Antes mesmo de a reunião do Conselho Deliberativo que iria derrubar Julio Casares da presidência começar na última sexta-feira (17), o clima já indicava isolamento do ex-mandatário do São Paulo. Ele chegou ao salão nobre do Morumbi pelo acesso interno, vindo do seu gabinete, onde havia passado a tarde, e se sentou na parte mais distante da entrada principal. Ao seu lado, apenas seus dois advogados. Durante todo o tempo, manteve distância da imprensa que acompanhava o encontro do lado de fora e, após o encerramento da votação, deixou o local da mesma forma, acompanhado pela defesa.

O início da reunião atrasou por um problema operacional. Alguns conselheiros que estavam fisicamente no local também haviam se conectado ao sistema remoto, o que gerou confusão na contagem do quórum. Coube ao primeiro-secretário do Conselho, Márcio Sayeg, pedir que quem estivesse logado à distância saísse do sistema. Só depois desse ajuste foi possível iniciar os trabalhos, já com quórum superior ao mínimo exigido, de 191 conselheiros. Inicialmente, eram 168 presentes e 55 online, totalizando 223, número que ainda subiria para 235 ao longo da noite.


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Nos discursos, a oposição dominou o espaço. Três conselheiros favoráveis ao impeachment se manifestaram: Caio Forjaz, Flavio Marques e Marcelinho Portugal Gouvêa. Do outro lado, além do próprio Casares, apenas um conselheiro falou contra a destituição: José Rubens de Macedo Soares Sobrinho, o que chamou a atenção pelas críticas que ele já havia feito à gestão, mesmo sem ter assinado o pedido original.

O pronunciamento de Casares durou cerca de 20 minutos e foi classificado como vitimista por opositores. “Ele se vitimizou, falou da família e do problema de saúde por que está passando”, disse Caio Forjaz. “Não é fácil ser descoberto do dia para a noite. O Conselho foi traído, e só estamos aplicando o estatuto. Depois de todo esse período, ele não apresentou um documento original para os conselheiros, apenas para o presidente.”

Segundo Forjaz, o presidente também atacou a “imprensa segmentada, que está atrás de cliques e monetização”.

Durante o discurso, Casares estava próximo de Édson Lapolla, um dos oposicionistas mais ativos, que ocupava uma cadeira perto do púlpito. Ao citar que “há conselheiros com problemas na Justiça” e “com filhos trabalhando no São Paulo”, ouviu a reação imediata de Lapolla: “Esse cara é um filho da puta!”. Casares retrucou: “Pô, Lapolla, isso não! Você está ofendendo a minha mãe!”. Lapolla se levantou e respondeu: “Você é mesmo um filho da puta”, citando o que considerava serem alguns motivos, porém a discussão não avançou além disso.

O Conselho chegou a preparar cabines e cédulas físicas para a votação, mas o plano foi abandonado quando se decidiu pelo sistema online. Conselheiros presentes e remotos receberam um link para registrarem seus votos, o que gerou alguma confusão, sobretudo entre aqueles com menos familiaridade com a plataforma, exigindo ajuda mútua para concluir o procedimento.

Nos bastidores, Casares ainda tentou se livrar do impedimento, prometendo à base aliada que renunciaria caso votassem contra sua destituição. Pelo jeito, não funcionou.

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