Portal dos Dragões
·9 mai 2026
Farioli continua focado nos últimos 2 jogos do campeonato: “Para chegar aos 91 pontos são precisas duas vitórias e vamos à procura delas”

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Campeão nacional, o FC Porto entra na reta final do campeonato com um objetivo que Francesco Farioli se recusou a tratar como adereço estatístico: fechar a época no limite máximo que ainda lhe resta. Na véspera da deslocação à Vila das Aves, frente ao AFS, o treinador falou do recorde de pontos, da gestão do plantel, dos casos individuais e da preparação da próxima temporada, sempre com a mesma ideia de fundo: o título não esgota a ambição. E garantiu: “vamos à procura delas”.
Na sala de imprensa do CTFD Jorge Costa, Francesco Farioli apareceu com o discurso de quem não quer ver a equipa abrandar um centímetro. O FC Porto já cumpriu o objetivo maior, mas a mensagem do técnico italiano foi clara do princípio ao fim: os dois jogos que restam continuam a contar, para o presente e também para o que vier a seguir.
Questionado sobre a possibilidade de igualar o melhor registo pontual da história do campeonato, Farioli foi direto ao essencial, sem desviar o olhar do próximo adversário.
“Faltam dois jogos e temos o desejo de fazer o melhor possível. Para chegar aos 91 pontos são precisas duas vitórias e vamos à procura delas”, afirmou. “mas para já estamos focados no jogo contra o AFS, uma equipa que está num momento positivo depois de três empates e uma vitória. Temos de estar preparados, jogar fora é sempre difícil apesar de podermos contar com o apoio dos adeptos, mas temos de estar muito bem preparados para este jogo.”
O tom é revelador: há ambição pelos números, mas não à custa da vigilância competitiva. No discurso de Farioli, o recorde surge menos como troféu paralelo e mais como consequência natural de uma equipa que quer manter o hábito de ganhar.
Quando o tema passou para Jan Bednarek, o treinador fechou a porta à exposição pública e tratou o assunto com contenção.
“É um assunto pessoal. Ele esteve aqui de manhã, trabalhou com a equipa e estava bem depois de uma noite complicada. A resposta do Clube, das autoridades policiais e de todos aqueles que o apoiaram foi a melhor e por isso ele treinou normalmente com os colegas.”
Sem dramatizar nem alongar-se, Farioli limitou-se ao indispensável e procurou recentrar a conversa no grupo. Foi uma resposta breve, mas suficiente para mostrar normalidade no trabalho diário.
Já sobre o mercado e o crescimento individual dentro do plantel, o treinador abriu o campo de visão e deixou perceber que o clube já trabalha com um pé no futuro, embora sem desligar do imediato.
“A atenção que o Victor (Froholdt) tem merecido é mérito dele, das suas exibições, da consistência que tem demonstrado e, especialmente, da evolução que tem protagonizado desde que chegou. Demonstra maturidade em todos os jogos e isso diz muito sobre ele”, explicou. “Não é o único jogador a ter evoluído muito durante a época, mas as palavras dele no sábado à noite foram muito claras, quando falou sobre a próxima temporada, onde gostaria de jogar e de como se sente no FC Porto.”
O treinador sublinhou ainda a lógica de construção que pretende manter no clube.
“Por outro lado, há uma intenção clara de o Clube avançar no caminho certo para tentar manter os melhores jogadores por cá e de construir com base neste grupo. Falámos muitas vezes sobre um ano de reconstrução e alcançámos feitos notáveis, mas faltam dois jogos e temos de os encarar com uma mentalidade híbrida de terminar bem esta época e de preparar bem a próxima”, analisou. “Por um lado há o espírito, o compromisso e o nível exibicional que eu quero ver e, por outro, pode ser uma oportunidade para testar alguns jogadores. Desde o início da temporada fizemos muita rotação, toda a gente se sentiu envolvida e apresentou a melhor forma física.”
Prosseguindo na mesma resposta, Farioli expôs com clareza o trabalho que já corre em paralelo nos bastidores.
“Nos próximos dois jogos poderemos rodar entre alguns jogadores para perceber em que forma estão. Além disso, há o trabalho que vem sendo feito há algumas semanas para perceber qual é a visão a longo prazo do Clube, os jogadores que queremos trazer, reuniões com o departamento de scouting…”, descreveu. “na segunda-feira vamos ter um dia importante para analisar os perfis dos jogadores e para abordar o mercado da forma certa. Toda a gente teve tempo de digerir o feito que alcançámos, mas agora é tempo de voltar a trabalhar e de continuar a entregar grandes exibições dentro de campo. Somos uma organização grande que está a trabalhar para chegar bem ao mercado e para realizar os movimentos certos para montar uma boa equipa para competir pelos diferentes objetivos na próxima temporada.”
Mais do que celebrar o que já foi feito, Farioli insistiu na ideia de continuidade. O campeonato ainda não acabou, mas a estrutura, pela voz do treinador, já pensa na ponte entre o título conquistado e a equipa que quer apresentar a seguir.
Na gestão dos minutos, o italiano foi taxativo: a vontade de envolver todos existe, mas não acima do resultado. E o caso de Bednarek serviu precisamente para enquadrar esse princípio.
“O Jan (Bednarek) não precisa de mostrar mais nada para provar o líder e o homem que é. Esteve aqui de manhã, treinou e agora a decisão é minha. Gostaria de dar minutos a toda a gente, mas a nossa prioridade é ganhar jogos”, garantiu. “Todas as decisões que tomar vão ser com base nisso: ganhar jogos. Não vamos mudar dois ou três jogadores só porque o trabalho está feito.”
Na mesma linha, deixou ainda aberta a porta a pequenas experiências, mas nunca a uma descaracterização da equipa.
“O grupo já demonstrou o nível de compromisso e o impacto que teve nos primeiros 52 jogos e essa é a chave. Se calhar vamos dar minutos a um ou dois jovens, mas a prioridade é fazer tudo para conseguir os resultados desejados nestes dois jogos.”
É uma forma de gerir o fim da época sem cair na tentação do facilitismo. O título oferece margem, mas não licença para baixar a guarda.
Quando olhou para a festa do título, Farioli falou do impacto emocional da conquista, embora tenha feito questão de sublinhar a rapidez com que o grupo regressou ao trabalho.
“No sábado fui surpreendido, porque estava muito focado no jogo e só quando vi os adeptos fora do estádio é que percebi que tinha acontecido algo muito bom. Foi uma festa a sério, um momento para partilharmos com os adeptos a alegria de termos alcançado um feito importante”, recordou. “Dei tempo para os jogadores gerirem as emoções e para recuperarem a forma física. Há três dias que estamos a dar o máximo, 100% focados e a cumprir todas as rotinas.”
Depois, voltou a puxar a fasquia para cima.
“Já estamos a elevar a fasquia para a próxima época, porque não ficamos satisfeitos só com um título. Amanhã quero ver uma equipa com a mesma fome, com o mesmo desejo e a mesma atitude dos jogos anteriores”, sublinhou. “Vou avaliar alguns jogadores com os níveis de profissionalismo para continuarem por cá na próxima temporada.”
Até na celebração, o discurso recusa qualquer complacência. A euforia existiu, mas no vocabulário do treinador ela surge sempre subordinada à exigência.
Sobre os jogadores emprestados, a resposta foi de prudência e gratidão, com a época ainda a pedir concentração total.
“Temos vários jogadores emprestados, alguns que acabam contrato e têm havido conversas com eles, com os empresários e com os clubes para percebermos a sua situação e as possíveis condições. Todos estes jogadores acrescentaram alguma coisa e ajudaram-nos a conseguir o que queríamos”, reconheceu. “Estou-lhes muito grato pelo profissionalismo que demonstraram, pelo que deram à equipa e também tenho uma relação pessoal com eles. Estamos mais perto de tomar algumas decisões, mas nada ficará fechado antes do fim da época, porque o foco de todos está no campeonato e em conseguir o maior número de pontos nos próximos dois jogos.”
Também aqui a lógica mantém-se intacta: avaliar, conversar, preparar, mas sem permitir que o futuro consuma o presente. Farioli foi consistente nesse equilíbrio ao longo de toda a conferência.
Num plano mais individual, Dominik Prpić mereceu uma resposta longa e reveladora, sobretudo pela forma como o treinador valorizou o trabalho invisível do central.
“Para quem vê de fora pode ser difícil acompanhar o seu crescimento, porque ele não joga desde dezembro. Com a chegada do Thiago (Silva) surgiram novas dinâmicas no eixo da defesa, o Jan (Bednarek) jogou quase sempre e completámos a linha defensiva com ele e com o Pablo (Rosario)”, explicou. “O Dominik (Prpić) assinava de cruz poder jogar 600 ou 700 minutos na primeira época. Teve muitos minutos na primeira metade da época e poucos na segunda porque temos dois centrais da selecção polaca e uma lenda como o Thiago Silva.”
Farioli insistiu depois na evolução do jogador, apesar da menor utilização.
“Não deixou de ter minutos porque deixou de evoluir. Tem crescido muito e trabalhou sempre muito bem, mesmo não tendo jogado desde janeiro. Ajudou-nos a manter elevado o nível dos treinos para elevar a fasquia em todas as sessões, especialmente nos dias seguintes aos jogos”, descreveu. “Esse compromisso nos exercícios com bola e físicos faz com que seja muito apreciado pelos colegas. Isso diz muito sobre o papel dele dentro do grupo e este é um bom momento para fazer uma avaliação, para analisar com calma e para decidir o que fazer por ele e pelo Clube. É um jogador que aprecio muito, pessoal e profissionalmente, e estou-lhe muito grato pelo que fez por nós este ano.”
Há, nesta leitura, uma valorização clara do que não aparece ao domingo. E isso ajuda a perceber o critério de Farioli: não olha apenas para quem joga, mas também para quem sustenta o nível competitivo todos os dias.
A propósito da celebração maior, o treinador separou o ruído do momento do trabalho que lhe compete.
“A grande festa vai ser daqui a 10 dias. Temos tempo para preparar a logística e tudo o que faz parte da celebração. Isso não faz parte do meu trabalho”, sintetizou. “É um momento de enorme felicidade, as emoções estão à flor da pele, há sempre excessos e coisas que fazem parte do desporto. Uns ganham, outros perdem e passaram-se coisas esta época que nos fazem rir.”
O desvio foi curto, quase protocolar, antes de regressar ao tema que verdadeiramente o mobiliza: a próxima época e a forma como o clube a está a preparar.
“Desde julho do ano passado que mantenho uma colaboração estreita com o Clube, principalmente com o presidente, mas também com o departamento de scouting. Já tivemos muitas reuniões para avaliar o plantel, as necessidades que temos e as oportunidades de mercado”, afirmou. “Janeiro foi um bom exemplo disso: fizemos duas transferências no início, dois alvos claros, e depois esperámos pela oportunidade certa para trazer o Seko (Fofana) e o Terem (Moffi). Eles tiveram um papel muito importante com a lesão do Samu e para dar descanso ao Victor (Froholdt). Toda a gente viu isso.”
Depois, entrou no detalhe daquilo que considera ser o próximo passo.
“Estamos num momento em que as boas sensações do título têm de ser postas de parte e temos de manter a cabeça fria para fazer uma análise clara ao plantel, ao que ainda podemos melhorar e olhar caso a caso. Há posições em que teremos de mexer, principalmente no ataque. Enquanto esperamos pela recuperação do Samu temos de pensar nas alternativas”, explicou. “Temos de ouvir alguns jogadores para perceber se querem continuar ou não, os jogadores emprestados e os que acabam contrato. As próximas semanas vão ser atarefadas, mas já estamos a trabalhar a todos o gás em todos os dossiês.”
Na resposta, Farioli reforçou ainda o sentido de urgência com que quer atacar esse trabalho.
“A partir de domingo à noite vamos entrar na rotina de preparar a próxima época e isso pode ser a diferença entre ganhar ou perder. Aqui ninguém quer perder tempo, a estrutura já está a trabalhar e vamos ter uma reunião longa com o scouting na segunda-feira”, garantiu. “Estamos todos alinhados, sabemos por onde queremos ir e temos todos a mesma ambição de continuar a melhorar. O futebol é assim, vivemos no presente e ainda temos uma festeja nos Aliados, mas já estamos a pensar na próxima época.”
O retrato é o de um treinador que não quer que a conquista funcione como almofada. O título, no seu discurso, vale como prova do caminho, não como ponto de chegada.
Foi essa ideia que reapareceu quando lhe pediram uma leitura mais ampla entre passado e futuro, entre o que correu mal antes e o que agora permitiu ao FC Porto ser campeão.
“Tenho recebido muitas chamadas e mensagens às quais ainda nem respondi, porque só vou ter tempo de o fazer no fim da época, de pessoas próximas a perguntarem-me qual é a diferença entre a época passada e esta. O nosso trabalho enquanto equipa técnica foi semelhante, fizemos alguns ajustes e as pequenas coisas podem fazer a diferença e ajudar-nos a alcançar os resultados desejados”, analisou. “A linha é muito ténue. Gosto de saber o que se passa e qual é a narrativa construída. Na época passada vivi um momento complicado, mas percebi perfeitamente os motivos e sei o que poderia ter feito melhor enquanto treinador e organização.”
Na parte final, deixou um agradecimento alargado à estrutura e ao grupo, enquadrando o sucesso como produto coletivo.
“Também sei o que tem sido feito no FC Porto e essa é a maior lição de todas: temos de criar as condições necessárias para ganhar. Isso começa na pessoa mais importante e vai até à menos importante. Ainda assim não é garantia de sucesso, só garante que existem as condições para sermos bem-sucedidos”, disse. “No ano passado tive dois mercados catastróficos e o verdadeiro milagre foi competir pelo título até ao fim com uma equipa daquelas. Este ano fizemos um bom trabalho, mas não fomos os únicos. Estou muito agradecido ao FC Porto, ao presidente, às pessoas que trabalham perto dele, ao Tiago (Madureira) e ao Henrique (Monteiro), as duas pessoas que estão todos os dias comigo no Olival e que trabalham comigo em todos os detalhes para colocar tudo no sítio certo. Uma equipa técnica fantástica, que trabalha muito, e os restantes departamentos, desde os diretores até às pessoas que fazem parte desses departamentos, que além de serem adeptos do FC Porto são trabalhadores incríveis. Depois, ter um grupo de jogadores deste nível e com este compromisso deixa-nos sempre mais perto do sucesso.”
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