Jogada10
·6 juillet 2026
Felipe Melo detona ciclo “sem vergonha” da CBF e Ancelotti por não entrar com Neymar

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·6 juillet 2026

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 continua gerando fortes repercussões nos bastidores do futebol. Durante o programa “Seleção Copa”, do Sportv, o ex-jogador e atual comentarista Felipe Melo fez duras críticas à preparação do Brasil para o Mundial e contestou abertamente as decisões táticas do técnico italiano Carlo Ancelotti. De acordo com ele, o treinador errou ao não escalar o atacante Neymar entre os 11 titulares para o confronto decisivo contra os nórdicos.
Felipe Melo argumentou que a presença do camisa 10 desde o apito inicial poderia ter mudado completamente o destino da partida, apontando especificamente o lance do pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães na etapa inicial:
“Entendo que o treinador tem suas convicções, mas eu entraria com o Neymar de cara no jogo. Eu entraria com o Neymar, sabe? De repente, se tivesse aquele primeiro tempo, teria convertido o pênalti. O jogo seria uma outra história.”
Além de apontar falhas no comando técnico do jogo, o ex-volante expandiu suas críticas para todo o processo de gestão da CBF. A saber, a Seleção teve quatro treinadores nos últimos quatro anos. O comentarista não poupou os antigos dirigentes da entidade e classificou o planejamento estratégico do futebol brasileiro como amador e ineficiente.
Para o ex-atleta, o resultado negativo dentro das quatro linhas é o reflexo direto de escolhas administrativas equivocadas ao longo do período de preparação. Ele recorreu a metáforas para explicar que o futebol nacional está colhendo exatamente o que plantou nos últimos anos:
“O Brasil paga por um ciclo. E achar um adjetivo… sem vergonha, né? Um ciclo sem vergonha que foi feito na Seleção Brasileira desde presidentes antigos que não entendem nada de futebol, que não sabem nada de gestão. A lei da semeadura não falha e o que nós estamos colhendo foi o que nós semeamos nesse ciclo, nesse ciclo horroroso da CBF.”
Embora tenha reconhecido o peso das decisões de Carlo Ancelotti — a quem chamou de um dos maiores treinadores da história do futebol mundial —, Felipe Melo fez questão de cobrar uma postura mais firme dos atletas que entraram em campo. Ele destacou que a comissão técnica monta a estratégia, mas a execução final e as falhas de marcação dependem dos atletas.
O ex-jogador relembrou os avisos dados antes da partida sobre o perigo do centroavante Erling Haaland e lamentou a passividade da linha defensiva nos lances decisivos. Consequentemente, o comentarista cobrou que o elenco assuma a sua parcela de culpa pela desclassificação precoce:
“O treinador tem culpa sim. Ele tem que ser culpado junto com a comissão técnica dele. Mas o jogador que entra em campo também tem que ser culpado. Quantas vezes nós comentamos antes do jogo? Não pode deixar a bola chegar pro Haaland. Faz pressão no marcador da bola, não deixa cruzar. E foi tudo o que aconteceu.”
Na sequência do debate, o ex-volante subiu o tom e relembrou a sua própria experiência com a camisa canarinho no Mundial da África do Sul. Ao traçar um paralelo com a postura de Neymar, que entrou no segundo tempo, balançou as redes e acabou se envolvendo em lances mais rípidos, o comentarista afirmou que prefere atletas que pecam pelo excesso e reagem à passividade de uma eliminação.
Felipe Melo revelou ainda que o atacante tinha condições físicas para atuar durante todo o confronto eliminatório. O ex-jogador criticou o pouco tempo dado ao craque em campo e defendeu que, se era para deixá-lo no banco, sequer deveria ter sido convocado:
“Ele [Neymar] entrou e tentou fazer alguma coisa, por isso que eu colocaria o cara desde o início. Se você tem um gênio e o traz para a Copa do Mundo, coloca o gênio para jogar, caramba! Coloca o gênio para jogar, pô! Ah, mas ele já me deu entrevista falando que, em 90 minutos, ele poderia jogar os 90 minutos. Então bota o garoto para jogar, pô! Aí, se for mal, vai ser criticado. Se for mal, a gente vem aqui e critica o Neymar. O Neymar foi mal, tal, tal, tal. Aí, como é que a gente vai criticar o Neymar? Jogando 15 minutos, jogando 7 minutos ou 10? Não, eu acho que não dá nem para criticar, nem para julgar. Em 15 minutos, ele tem a personalidade de fazer um gol. Depois tem um domínio danado lá, um domínio que poucos têm, sabe assim, e acabou. Só isso. Ah, então acabou, pô. Tem que botar para jogar. Ou então não leva,pô.”


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